Localizado em Brasília (DF), o Centro de Operações Espaciais Principal (COPE-P), se posiciona hoje, como referência nacional e internacional, pela complexidade e modernidade de suas instalações. Trata-se de um conjunto de edificações que compreende 14.000 m² de área construída, 4.500 m² de bloco técnico operacional, com a missão de operar e monitorar o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), sob responsabilidade da Telebras, primeiro satélite brasileiro foi concebido exclusivamente para a transmissão de dados com alta velocidade e qualidade na banda Ka, cobrindo todo o território nacional e a Amazônia Azul. O Centro possui disponibilidade de atender outros satélites geoestacionários e de baixa órbita.
Além de completar a infraestrutura terrestre do SGDC, o COPE-P compreende o Centro de Operações Espaciais Secundário (COPE-S), no Rio de Janeiro, e as Gateways (estações de acesso) em Campo Grande (MS), Florianópolis (SC) e Salvador (BA).
A estrutura de missão crítica, entregue em dezembro de 2018, contempla um “bunker” para acomodação da área de data center com resistência contra choques balísticos, situações de ataque e imprevistos da natureza. Entre os principais objetivos do projeto estão, fornecer conectividade de internet em banda Ka para escolas públicas, unidades de saúde, postos de fronteiras, áreas indígenas e quilombolas dentro do Programa Internet para Todos; atender o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) em todo o Brasil, incluindo os locais carentes e remotos; e promover segurança nas comunicações estratégicas do país. Parte de uso do satélite ocorre em banda X para atendimento às comunicações e projetos militares estratégicos de defesa nacional.
Escolhida para estar à frente do projeto, a Almeida França, que atua no mercado há quase 12 anos, conta detalhes do projeto. Confira a seguir, a entrevista com o Diretor Técnico da empresa, Marcos Pinheiro.
Tatiane Aquim: Por que você acredita que a Almeida França foi escolhida para o projeto?
Marcos Pinheiro: Por se tratar de uma obra pública, a escolha foi feita a partir de um processo licitatório, no caso um RDC – Regime Diferencial de Contratações, onde num leilão presencial, o Consórcio SAT3D (Almeida França, Paulo Octávio e Projeman) apresentou o maior desconto sobre o preço de referência do edital.
É importante ressaltar que anterior a etapa do leilão houve uma etapa de pré-qualificação das empresas interessadas, na qual cinco empresas/consórcios foram habilitadas para a etapa seguinte - comercial
T. A.: Como começou o trabalho realizado com a Telebras?
M. P.: A Almeida França começou a acompanhar o projeto mais de perto no DCD Brasil 2016, quando o projeto foi apresentado pela Telebras. Desde então, começamos a buscar informações dentro do “pouco” que se conseguia obter.
T. A.: O COPE-P Brasília se posiciona como referência nacional e internacional pela complexidade e modernidade das suas instalações. Quais foram os maiores desafios?
M. P.: A complexidade dos sistemas instalados e a necessidade de integração entre eles, de forma a garantir automatização plena, talvez tenham sido os maiores desafios do projeto. Estamos falando de um projeto que busca o mais alto nível de certificação em data centers, a certificação Tier IV – “faultTolerant” – do Uptime Institute. Para se obter a certificação, a infraestrutura de missão crítica é exaustivamente testada pela entidade certificadora, a fim de garantir as respostas automáticas dos sistemas em caso de falha de um dispositivo, equipamento, etc, não permitindo que a operação do data center seja interrompida.
Outro fato que exigiu muita atenção, muita reunião com Telebras e terceiros, foi a necessidade de integração e compartilhamento de informação entre os cinco data centers construídos nessa primeira fase do projeto SGDC, licitados separadamente e, consequentemente, com diferentes consórcios vencedores. Exemplo: as bases de dados dos sistemas de controle de acesso dos gateways de Florianópolis, Campo Grande e Salvador rodam no COPE-P e COPE-S (RJ). Instalamos uma mesma plataforma de soluções de automação em todos os sites.
T. A.: Quando a obra será concluída?
M. P.: A infraestrutura de missão crítica do COPE-P foi concluída e inaugurada em dezembro de 2018. A expectativa é de que todo o complexo seja concluído até o início de agosto, mês em que será iniciado o comissionamento e testes de todo os sistemas instalados. Em outubro deste ano, é esperada a vinda de representantes do Uptime Institute para a certificação Tier. E no início de novembro, o COPE-P entrará em operação assistida.
T. A.: Qual a estrutura do data center?
M. P.: Entre os atributos da Infraestrutura do COPE-P - de Missão Crítica, Tier IV, destacamos:
- Duas entradas de energia independentes em 13,8kV
- Demanda de 3,3 MVA
- Circuitos de distribuição de energia e refrigeração redundantes
- Composição de cada circuito (total 2 circuitos):
- 2 Trafos 2000kVA – 13,8kV/480V
- 1 Trafo 500kVA – 480V/380V
- 3 GMG 2.500kVA
- 3 UPS 540kW
- 1 UPS CAG 410kW
- 3 Chillers 200TR, a ar, água gelada com duplo anel
- 1 Tanque Termoacumulação 120.000 litros
T. A.: Quanto foi investido no projeto?
M. P.: O valor total do projeto COPE-P é de, aproximadamente, 170 milhões de reais.
DCD: Qual a avaliação que a Almeida França faz do trabalho realizado com a Telebras?
M. P.: Avalio como excelente a interação entre equipes. Desde o início dos trabalhos, todo o corpo técnico envolvido - não só o da Almeida França, mas também a Telebras, Tales (Satélite), Visiona (operadora do sistema) - buscou ir além da relação “cliente-contratado”, trabalhando como parceiros para o sucesso do projeto. A sinergia das equipes, que se uniram para fazerem o máximo, diminuiu bastante o risco de insucesso de um projeto como o COPE-P.
T. A.: Além deste data center, que outros data centers a Almeida França já construiu?
M. P.: Data Center Banco Central do Brasil, Data Center SEBRAE – MG e o Centro de Operações Espaciais Secundário – COPE-S.
T. A.: Há quanto tempo a Almeida França atua na construção de data center?
M. P.: Atuamos no mercado de construção de data centers há, aproximadamente, 12 anos. Com a experiência adquirida e alta capacidade técnica, temos certeza de que estamos aptos executar qualquer projeto de data center que nos for apresentado.
T. A.: Como a Almeida França avalia o mercado brasileiro de data center hoje?
M. P.: Nossa empresa entende que o mercado brasileiro de data center se encontra em um cenário positivo e com grande potencial de expansão.
Apesar de ainda estar distante da capacidade de processamento de dados de países mais desenvolvidos, o Brasil vem se mostrando cada vez mais adepto ao mercado de Internet das Coisas (IoT), é um país de proporções continentais e que possui a quinta maior população do mundo. Com projetos como o COPE-P e COPE-S, que levarão conexão banda larga para os locais mais remotos do território brasileiro, o consumo de dados tende a aumentar exponencialmente.
Temos, também, a chegada de novas tecnologias como o 5G, que aumentam radicalmente o processamento de dados. Por isso, serão necessários investimentos por parte das operadoras de data centers, capazes de processar a alta demanda de dados que acompanhará utilização desses serviços.
Diante de uma população cada vez mais conectada, estamos muito confiantes no futuro do mercado de data center brasileiro.
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