Em 2006 participei pela primeira vez de um congresso de data center nos Estados Unidos. A primeira impressão que tive, é a de que estávamos atrasados em nosso planejamento no data center, que eu gerenciava em São Paulo.
 
Naquele momento, nestes congressos já se falava em racks com 20kW de energia, e casos de redução de energia apenas utilizando a técnica de corredores quentes e frios já apresentavam resultados. Aqui, ainda utilizávamos racks com bandeja para apoiar servidores e portas de vidro na frente do rack.
 
No ano seguinte, em visita à uma fábrica na Alemanha, pude ver um protótipo de um sistema de refrigeração com líquido para arrefecer diretamente o processador dentro do servidor; parecia algo muito futurista.
 
Porém, logo me lembrei de uma das minhas primeiras atividades no mundo da infraestrutura de data center, em meados de 1996. Fui designado para um projeto de desativação de um IBM 3090, um mainframe que possuía uma central de água gelada só para ele; a atividade envolvia a desativação dos chillers que entregavam água gelada diretamente para o hardware. 
 
Nos congressos seguintes, tanto no Brasil quanto no exterior, o tema de PUE ou DCiE eram os mais explorados e tinham maior participação; hoje o tema refrigeração continua sendo o maior ofensor de custo operacional para um data center.
 
Em paralelo as discussões de eficiência energética, o que pudemos assistir na última década foi uma verdadeira revolução e um investimento pesado em desenvolvimento de produtos, principalmente de refrigeração para garantir cada vez mais a eficiência do data center.
 
Hoje, os líquidos já são uma realidade nos data centers, tanto para facilitar a troca de calor em sistemas de ar-condicionado, quanto para resfriar diretamente o processador, que é uma grande fonte de dissipação de calor. E há produtos já sendo comercializados para que o servidor trabalhe submerso em líquido, o que é uma grande quebra de paradigma. 
 
Agora, é hora de vencer a resistência aos líquidos e acompanhar uma revolução que não tem volta, principalmente em um país tropical que sofre com a impossibilidade de trabalhar com free cooling. 
 
Assim como o mercado brasileiro torcia o nariz para UPS Rotativa no início da década, enquanto os Estados Unidos e a Europa já utilizavam o sistema há pelo menos 20 anos em data centers, agora é hora de vencer o medo para poder acompanhar essa nova transformação. 
 
*Gustavo Moraes é sócio-diretor da Infra IES.