Nos dias 07 e 08 de novembro, o Connect São Paulo, maior evento da indústria de Data Centers no Brasil, volta à capital paulista para focar em pontos cruciais do setor, incluindo a sustentabilidade.
Com uma programação abrangente que inclui apresentações keynote, painéis, showcases e um espaço de expo com as principais empresas do segmento, o evento reunirá importantes figuras do ecossistema para discutir as práticas de sustentabilidade já adotadas no país e os próximos passos para evoluir nessa área.
Fernanda Siqueira, coordenadora de ESG na ODATA, em uma breve entrevista, adiantou alguns dos pontos que serão amplamente debatidos no evento e que, sem dúvida, trarão uma compreensão detalhada do atual cenário brasileiro. Confira!
No Brasil, como os sistemas de energia renovável estão sendo integrados aos Data Centers para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e diminuir a pegada de carbono?
A forma mais comum de consumir energia renovável em um data center é por meio de um Power Purchase Agreements (PPA) no mercado livre incentivado.
O PPA é um tipo de acordo de longo prazo para a compra e venda de energia limpa, sendo ele no mercado livre incentivado, de um ativo específico a um preço negociado com base no custo de geração e não em variáveis de mercado.
Essa estratégia precisa estar totalmente integrada com o plano de negócio da empresa, pois há uma série de limitante aqui, sendo o principal a “rampagem” do cliente – que depende exclusivamente dele. O consumo dessa eletricidade proveniente de fontes renováveis, como eólica ou solar, possui um fator de emissão zero, zerando as emissões do escopo 2 da empresa.
Uma alternativa – menos comum, e pioneira no mercado da América Latina – é a adotada pela ODATA: a autoprodução dessa energia renovável. Em 2023, nos tornamos parceiros da Ômega e adquirimos uma parcela de um parque eólico, produzindo a energia Elétrica consumida pelos data centers no Brasil e zerando nossas emissões de escopo 2. Além de mais sustentável, essa alternativa é também menos custosa para os nossos clientes, mesmo quando comparada com um PPA no mercado regulado.
Importante salientar aqui que essas duas opções são conectadas ao grid, que no nosso caso é completamente unificado. Então na prática, essa quantidade de energia Elétrica está sendo introduzida no grid, que está distribuindo energia para todo Brasil. Como data centers funcionam 24 horas por dia e essas energias têm produção irregular, por sua natureza, em algum momento ainda há a dependência de combustíveis fósseis – mesmo que a quantidade injetada seja a mesma consumida. Daí o conceito de 24/7 carbon-free energy – que visa dirimir por completo a dependência dos combustíveis fósseis.
Quais são os desafios enfrentados ao implementar práticas de sustentabilidade em Data Centers localizados em diferentes regiões geográficas e climas, e como esses desafios podem ser superados por meio de soluções personalizadas e adaptativas?
Quanto mais entendermos a relação entre as variáveis das tecnologias disponíveis para a sustentabilidade, mais próximos estaremos dessa resposta. Sabemos que PUE, WUE e CUE tem uma relação.
Por exemplo, devido ao histórico de crise hídrica no Brasil, a ODATA optou por um sistema de refrigeração fechado, sem necessidade de reposição de água, o que acarreta um WUE bem próximo de zero. Em compensação, o gasto de energia pode ser maior. Para a Geografia que os data centers estão instalados, esse design faz sentido. Como é o caso do Chile, pelo fato de que o data center está inserido em uma bacia hidrográfica de estresse hídrico.
Esse maior gasto de energia pode ser resolvido, por exemplo, com a adoção de free cooling. A depender da temperatura externa, pode ser viável ou não essa alternativa. No final, tudo depende da temperatura da água gelada que utilizamos e a quantidade de horas no ano que a temperatura ambiente está mais baixa que a temperatura da água.
O desafio é conseguir mapear as interferências de tantas variáveis para chegar mais próximo possível ao resultado esperado.
Quais são os métodos mais eficazes para monitorar e quantificar o impacto ambiental de um Data Center ao longo do tempo, a fim de implementar estratégias de melhoria contínua e atingir metas de sustentabilidade?
Essa jornada de métricas e números de sustentabilidade está em constante evolução. A depender do nível de maturidade do data center, mais ou menos indicadores podem ser acompanhados. A matriz de materialidade, uma consulta aos stakeholders para mapear os temas materiais, conduzida por terceira parte, pode ser a base da estratégia da sustentabilidade, onde serão definidos os indicadores chaves.
Sabemos que PUE, CUE e WUE são essenciais. O tema de resíduos e biodiversidade tem tomado maior importância nos últimos anos e é valioso que as empresas se atentem, até por uma questão de competitividade – já que grandes clientes já se comprometeram publicamente com esses aspectos e dependem de toda cadeia para atingirem essas metas.
O método de medição também vai variar com a maturidade da companhia. Frameworks internacionais, como GHG Protocol e greengrid permite padronização e comparabilidade entre os players. A verificação desses dados por terceira parte também traz credibilidade ao processo. A frequência de medição igualmente depende da maturidade da empresa e das metas com que ela se comprometeu.
Como dito, a jornada está em constante evolução. Novas maneiras de medir e novos aspectos surgem com o tempo. Os erros também nos ensinam bastante, então olhar para eles com uma perspectiva de lição aprendida é importante. Mais que tudo, lembrar sempre que a sustentabilidade está inserida no ESG, onde transparência é um pilar. Assim, trazer esses dados com transparência, traceabilidade e comparabilidade. Afinal, sem transparência não há ESG.
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