Em entrevista a DCD, Luis Kazuo Nishi, Diretor de Desenvolvimento de Negócios Latam da Mendes Holler Engenharia, destacou os benefícios de um bom planejamento de manutenção de centros de dados. A Mendes Holler é líder em engenharia e construção de Data Centers de alto nível, grandes hospitais e outros projetos de missão crítica que exija infraestrutura de alta disponibilidade.

Confira!

Gostaria que você comentasse sobre a importância da manutenção em instalações de missão crítica.

Nesses últimos 30 anos de experiência, a Mendes Holler sempre procurou construir instalações de alta disponibilidade e com foco principal na parte de projetos de engenharia. Nos últimos anos ela tem buscado cobrir todo o ciclo de vida de um data center. Não só auxiliar na escolha de um site como também fazer o desenho desse site, fazer o projeto elétrico, construir civil e eletricamente, mas também cuidar da manutenção, que não é menos importante.

É essencial dizer que, no final, o data center do nosso cliente está vendendo espaço, infraestrutura e uma palavra-chave que se chama disponibilidade. E não se garante disponibilidade sem cuidar da manutenção.

Um outro ponto importante, que muitas vezes acabam esquecendo, é que as instalações dos grandes data centers são desenhados para atender às especificações de TIER 3 e TIER 4. Consequentemente, ele permite que no momento de falha ele transfira o atendimento para um lado e faça a manutenção em outro lado. Mas não podemos esquecer que o outro lado também é composto de equipamentos, componentes e integrações que também estão sujeitos a falha. No momento que você sobrecarrega este outro lado redundante, ele pode falhar, o que deixa você na mão. Não corra o risco de perder o seu data center por falha de manutenção.

Quais métodos ou soluções poderiam ajudar nesse processo?

Em termos de manutenção, para mim é engenharia e estatística. Você tem que conhecer a sua planta instalada, os equipamentos e coletar as informações que estas instalações te dão. É importante fazer um histórico disso. O primeiro ponto é o focal, preventiva, que deve ser inteligente. Não deve ser como cumprir um checklist de um fabricante, mas efetivamente avaliar cada equipamento, o que está acontecendo, e em função desses acontecimentos de eventuais problemas e sobrecargas, realizar uma preventiva inteligente contra defeitos futuros.

Outro ponto importante é se você menciona que deve registrar. É como um prontuário médico. É necessário ter um prontuário médico de cada equipamento, o que vai fornecer informação relevante para a preventiva.

Como podemos definir um Data Center monitorado em termos de manutenção?

Uma coisa é simplesmente ter um sistema de gerenciamento de chamado, muitas vezes só correndo atrás de emergenciais. É preciso transformar isso num processo organizado, robusto e controlável. Uma forma de fazer isso é integrando o BMS ou o DCIM com o sistema de manutenção. Assim você pode monitorar as suas variáveis de processos e situações que eventualmente um equipamento está passando, em termos de estresse ou sobrecarga. E na sua próxima preventiva (você não entrou numa situação de falha obviamente) fará um processo de preventiva substituindo peças para evitar que uma falha ocorra.

Quais são os benefícios que um bom planejamento de manutenção traz para o negócio?

Fazer um bom planejamento te remete a questão de poder prever o que poderá acontecer em termos de falhas futuras. Como mencionei, não basta somente fazer uma manutenção seguindo o checklist de um fabricante, mas de fato identificar as situações para cada equipamento que pode provocar uma falha futura e programar a próxima manutenção nesse sentido. Por isso, é fundamental ter uma engenharia analisando essas falhas por trás dos bastidores.

Quais são os maiores desafios que as operações de Data Centers enfrentaram no último ano e como a Inteligência Artificial pode ajudar às empresas a superá-los?

A indústria de Data Centers teve um crescimento gigante. Muitas empresas construindo site ou expandindo as suas capacidades, indo para outros países. Como garantir que essa expansão, com gente nova e infraestrutura nova, consiga ter um sistema uniforme que garanta a qualidade das instalações e a disponibilidade. De novo, ter processos robustos, que seja possível implementar independentemente das pessoas, da língua e em função de diferentes fabricantes que você tenha na sua base. A vinda da Inteligência Artificial é fundamental nesse sentido. É possível automatizar muitos processos em termos, por exemplo, de emergência. O BMS, por exemplo, identifica uma anormalidade, é preciso fazer uma manobra de forma rápida, e entra uma ferramenta de IA integrado ao BMS. Aparece um avatar que te direciona aos passos para resolver os problemas, mostrando como os equipamentos devem ser manobrados. É um processo trabalhoso, mas que só é necessário fazer uma única vez para garantir a uniformidade e a robustez dos processos internos de operação e de manutenção.

Outra tendência muito forte é a Realidade Aumentada. Hoje, ao andar na sua planta, com o seu celular você pode escanear o QR code que está impresso no teu equipamento e poderá escanear todo um menu de informações relevantes. Isso tudo em imagens reais com a ferramenta de Realidade Aumentada. Com isso, é possível agilizar e uniformizar os processos.