Em entrevista DCD>Talks, Rodrigo Radaieski, diretor de Serviços da Ascenty, destacou as tendências de automação e analisou o avanço da Inteligência Artificial nos centros de dados. Com mais de 25 anos de experiência no setor de Internet e Data Center, Radaieski atua nesses segmentos desde o seu surgimento no Brasil, com uma sólida carreira como executivo de áreas focadas na prestação de serviços.
Confira a entrevista!
Quais são as tendências para automação de Data Centers?
Cinco grandes tendências estão ocorrendo no mercado em função das automações de Data Centers. Eu iniciaria pela convergência dos sistemas de IT e OT. São sistemas diferentes. O time de IT é muito focado em servidores e software. E o de OT com bastante foco nos equipamentos de refrigeração e controle de umidade, acesso e geração de energia. Esse mundo precisa começar a convergir. É uma tendência do mercado que a gente vê de unificar para esse time falar a mesma língua.
Como segunda tendência, acredito que seja a digitalização de OT. Percebemos que os equipamentos nos data centers têm conectividade, mas uma conectividade com protocolos muito próprios, antigos e pouco atualizados. Eles vem mudando aos poucos e buscando uma digitalização, escolhendo uma plataforma mais aberta, com um código mais aberto, onde a interoperabilidade ocorra de uma forma mais tranquila e transparente.
Outro ponto muito importante são o que chamamos ponto único da informação. Hoje temos uma camada muito grande de dados que vêm de vários lugares, sensores e softwares, e não existe um local único de leitura desses dados ou de uma informação única armazenada dentro dos data centers. Então, essa unificação, esse ponto único da informação também deve ser uma tendência dentro da automação.
Além disso, o uso da Inteligência Artificial é uma grande demanda do momento, assim como o Machine Learning, os diversos aplicativos e softwares que vêm surgindo vão ajudar muito na automação do data center. Por fim, eu diria a segurança cibernética. Os equipamentos de OT que têm uma atualização muito mais lenta vão buscar a digitalização e ir para plataformas mais abertas. Por isso, devem ter uma preocupação maior com segurança.
Como a automação pode ajudar ao operador de Data Center?
O primeiro ponto acho que é a análise desses dados. Os data centers são locais riquíssimos em informação. Temos sensores espalhados por todo o campus. Também temos muitos equipamentos de OT também passando informações e sensores. Então, a automação e o agrupamento, buscando a unificação dos dados, vai permitir que tenhamos mais informações para alcançar a eficiência energética, que é muito importante para a redução de custos operacionais e também para o meio ambiente. Além disso, permite a automação de processos e de atividades simples e repetitivas, trazendo mais eficiência para as equipes e também para dentro dos data centers, também reduzindo o erro humano.
Com a automação e a Inteligência Artificial, também é possível fazer análise desses dados e conseguir encontrar padrões de comportamento dos equipamentos e até mesmo de forma preditiva antecipar falhas a medida que os equipamentos começam a dar indicadores de comportamento.
Por fim, também aliado aos dados e à IA, ajuda na tomada de decisões em casos de emergência. Ou seja, desligar ou reiniciar um equipamento na medida que tenhamos a IA nos auxiliando e tomando a decisão.
Falamos dos benefícios, mas há desvantagens na automação de um centro de dados?
Sim. Hoje em dia, a desvantagem é um desafio. Existem equipamentos de vendors diferentes fornecendo as informações em protocolos totalmente diferentes. Esse é um desafio da digitalização do OT. Ainda não existe essa convergência dos dados e das informações. Além disso, a Inteligência Artificial não é capaz de ter sentimentos. É bom olhar no olho do teu cliente e conversar é algo que a IA não pode fazer, e é uma desvantagem. Teremos que encontrar métodos para contornar isso, ou seja, para manter a satisfação do cliente alta.
Além disso, ainda existe um medo muito grande da Inteligência Artificial roubar o emprego das pessoas, e acho que é algo que ainda precisa ser trabalhado com os fornecedores e colaboradores dentro do ambiente de data center.
Como você analisa esse avanço da IA nos centros de dados?
A Inteligência Artificial é algo que já vem sendo trabalhado há muitos anos. Entendo que o começo da IA ocorreu há 80 anos com os primeiros ensaios de redes neurais. Ela se desenvolveu muito, mas realmente nos últimos dois anos houve uma explosão de aplicativos que chegam ao cliente final, como apps que permitem criar textos ou imagens de forma automática. No data center, creio que a função maior da IA vai estar na leitura desses vários sensores e a um mundo muito vasto de informações. É quase impossível para um ser humano conseguir analisar todos os dados e principalmente fazer as correlações.
Então o aumento ou a redução da eficiência, o aumento ou a diminuição do PUE, correlacionar isso com o aumento de temperatura externa, com abertura de portas, mudanças de direcionamento, mudanças de set points de ar condicionado, por exemplo. Tudo isso é muito difícil para um ser humano consolidar e correlacionar.
Assim, a Inteligência Artificial virá muito forte para o data center neste sentido de análise de dados e correlacionamento de fatos para fazer uma análise preditiva de falhas e poder se antecipar e fazer uma manutenção no data center. É possível ver indicadores que um equipamento está entrando no final de vida ou apresentar uma falha, e poderemos fazer uma manutenção preventiva e estender o tempo de vida desses assets. Além disso, ela também ajudará na segurança cibernética e na segurança do data center.
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