A Veeam realizou, em 18 de agosto, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, a edição brasileira do VeeamON Tour, reunindo clientes, parceiros e jornalistas especializados para apresentar sua estratégia de convergência entre resiliência de dados e segurança de inteligência artificial. Durante o evento, a companhia divulgou sua visão de “Data & AI Trust” (confiança em dados e IA), apresentou a Veeam DataAI™ Command Platform e promoveu uma coletiva de imprensa sobre os desafios do tema no mercado brasileiro. A coletiva contou com a presença de José Leal Junior, country manager do Brasil da Veeam, Mauricio González, vice-presidente da companhia para a América Latina, e Sara Wilson, líder de vendas para a América Latina e liderança local da iniciativa Women in Green. A DCD esteve presente no evento e na conversa para apresentar as novidades e os insights.
Confiança em dados como novo gargalo da IA agêntica
Segundo a Veeam, as organizações não enfrentam apenas o desafio de adotar da inteligência artificial, mas também um problema mais amplo de confiança nos dados e na IA. À medida que agentes de IA deixam de ser projetos-piloto e passam a operar de forma autônoma em ambientes de produção, argumenta a companhia, as empresas passam a precisar de uma camada adicional de confiança que permita entender quais dados os sistemas de IA utilizam, como esses dados são acessados, quais riscos estão envolvidos e como recuperar informações limpas em caso de incidente.
A companhia citou dados do relatório Data and AI Trust Gap, também divulgado pela Veeam, segundo o qual 88% das organizações já utilizam ou testam agentes de inteligência artificial, mas apenas 7% se consideram verdadeiramente preparadas para isso. O mesmo levantamento indica que 95% das empresas afirmam que desafios relacionados a dados já limitaram, de alguma forma, seu avanço em projetos de IA, uma lacuna que a Veeam atribui à diferença de ritmo entre a velocidade de adoção da tecnologia e a capacidade das companhias de governar, proteger e recuperar os dados que a sustentam.
Da proteção de perímetro à proteção do dado
Na coletiva de imprensa, os executivos da Veeam sustentaram que o modelo tradicional de segurança, baseado na proteção de perímetro, tornou-se insuficiente diante da disseminação de agentes de IA nas organizações. Segundo eles, o risco já está instalado na própria estrutura corporativa, uma vez que esses agentes operam com credenciais e acessos legítimos, o que dificulta diferenciar comportamentos benignos de maliciosos.
Essa mudança exige que as empresas passem a compreender não apenas onde os dados estão armazenados, mas também o contexto de cada informação, como se um arquivo contém CPFs, dados bancários ou registros médicos, por exemplo, para decidir corretamente quais informações podem ou não ser acessadas por sistemas de IA. A Veeam afirmou que, em média, cerca de 84 agentes de IA já operam dentro das organizações, muitos deles adotados sem autorização por colaboradores, prática conhecida como shadow AI, o que amplia a exposição a vazamentos de dados sensíveis, como listas de preços, informações de clientes e dados internos.
Veeam DataAI Command Platform
A Veeam detalhou sua visão para a Veeam DataAI™ Command Platform, desenvolvida para oferecer uma camada de confiança para dados e IA em ambientes corporativos. A plataforma combina os recursos de resiliência de dados da Veeam com gerenciamento de postura de segurança de dados e IA, governança, privacidade e conformidade, ajudando as organizações a:
● Detectar riscos associados à IA, incluindo comportamentos não autorizados, exposição de dados e atividades fora dos parâmetros aprovados;
● Detectar riscos associados a dados ROT (redundant, obsolete, trivial data), em conjunto com a identificação e o controle de shadow AI;
● Preparar e proteger os dados utilizados por pessoas, aplicações e agentes de IA, aplicando controles, políticas e limites de acesso que reduzam riscos;
● Recuperar com precisão dados limpos e confiáveis por meio de recursos de recuperação imutável e point-in-time que não dependem da explicação do próprio agente ou do sistema afetado.
Essa abordagem busca fortalecer a preparação das organizações para a IA, aprimorar sua resiliência diante de ameaças modernas e construir uma base para ampliar a inovação de forma segura. A companhia afirmou que, na América Latina, as empresas avançam em direção a ambientes híbridos e de múltiplas nuvens, incorporando automação e inteligência artificial a processos críticos, ao mesmo tempo em que enfrentam exigências crescentes de segurança, privacidade e conformidade, cenário no qual, argumenta a Veeam, a resiliência de dados não pode mais ser tratada isoladamente.
Dados obsoletos elevam custos e comprometem resultados de IA
Durante a coletiva, Mauricio González citou o caso de uma operadora de telecomunicações que, segundo ele, acumulava cerca de 7 petabytes de dados ROT. Para o executivo, esse tipo de acúmulo gera custos elevados de armazenamento e compromete a qualidade dos resultados obtidos por sistemas de inteligência artificial, já que dados de baixa qualidade tendem a produzir resultados igualmente ruins. A identificação e a eliminação desse tipo de dado, diz González, são uma das primeiras etapas do processo de preparação das empresas para uma adoção mais segura de IA, com potencial para gerar economia direta em armazenagem, backup e tempo de processamento.
González também citou dados de mercado segundo os quais apenas entre 10% e 15% das implementações de inteligência artificial em empresas estariam gerando o retorno sobre o investimento esperado, resultado que atribuiu, em grande parte, à falta de preparo prévio dos dados corporativos. Como contraponto, o executivo mencionou o caso de uma companhia com 18 mil funcionários que, após uma implementação considerada bem-sucedida, teria registrado um aumento de 25% no faturamento atribuído a ganhos de eficiência.
Estratégia de canais e parcerias no Brasil
Na coletiva, Sara Wilson detalhou a estrutura do ecossistema de parceiros da Veeam na América Latina, composta por alianças tecnológicas, com destaque para Microsoft e HPE, distribuidores de valor agregado (entre eles CLM, Alistec e Ingram, no Brasil) e uma rede de revendas e provedores de serviços gerenciados (MSPs). A Veeam opera exclusivamente por meio de canais, sem vendas diretas, e o Brasil conta atualmente com cerca de 100 parceiros focados.
Wilson afirmou que a companhia lançou neste ano um novo programa de canais, com vigência retroativa a janeiro, que elevou as metas de receita recorrente anual (ARR) exigidas dos parceiros e ampliou a oferta de capacitações, incluindo uma nova certificação batizada de Veeam Certified Security Expert, voltada à frente de segurança de IA. A executiva também citou a criação de uma plataforma de marketing digital, oferecida gratuitamente aos parceiros, para apoiar ações de geração de demanda e de cobranding.
José Leal Junior acrescentou que o desafio atual do canal brasileiro está em conduzir parceiros historicamente ligados à venda de backup tradicional em direção às novas frentes de resiliência e segurança de dados para IA, um movimento que, segundo ele, tanto pode partir da iniciativa do próprio parceiro quanto ser demandado diretamente pelos clientes.
Comments