Na quarta-feira, 8 de outubro, a Tenable, empresa especializada em gestão de exposição a riscos, realizou evento na cidade de São Paulo para divulgar o relatório “O Estado da Segurança de IA e Nuvem 2025”, elaborado em parceria com a Cloud Security Alliance (CSA). O documento aponta que o avanço acelerado de ambientes híbridos, multinuvem e baseados em inteligência artificial tem superado as atuais estratégias de segurança em nuvem, resultando em maior complexidade e exposição a riscos. O relatório foi realizado em maio de 2025 e contou com a participação de 1.025 profissionais de TI e segurança de organizações de diversos tamanhos, setores e regiões, incluindo América do Norte, América Latina, EMEA e Ásia-Pacífico.

Estiveram presentes Arthur Capella, country manager da Tenable Brasil, Alejandro Dutto, diretor de Engenharia de Segurança da Tenable para América Latina, e Daniel Sant'Anna, gerente de Contas da Tenable Brasil. Entre os principais desafios identificados estão a falta de visibilidade integrada, a governança inconsistente de identidades e falhas no monitoramento de riscos, fatores que podem ser explorados por agentes maliciosos. Segundo o levantamento, 34% das organizações que operam workloads de IA já enfrentaram violações relacionadas à tecnologia, enquanto 14% afirmaram não ter certeza se foram afetadas.

Segundo o estudo, 82% das organizações atualmente operam em ambientes híbridos que combinam infraestrutura local e em nuvem, enquanto 63% utilizam múltiplos fornecedores de serviços em nuvem. Além disso, 55% das empresas já adotaram soluções de inteligência artificial em ambientes de produção.

No entanto, as práticas de segurança não têm acompanhado o ritmo dessa adoção. Apenas 26% realizam testes específicos voltados à segurança de sistemas de IA, 22% aplicam classificação e criptografia aos dados utilizados por essas tecnologias, e apenas 15% implementaram práticas de MLOps com foco em segurança. Essa defasagem contribui para desafios como falta de visibilidade integrada, governança inconsistente de identidades e falhas no monitoramento de riscos, que podem ser exploradas por agentes maliciosos.

Abrindo o evento, Arthur Capella, CEO da Tenable Brasil, abordou a evolução das práticas de cibersegurança, com ênfase na transição da abordagem tradicional de gestão de vulnerabilidades para o conceito mais amplo de gestão de exposição (Exposure Management). Capella destacou que, diante da expansão e da crescente complexidade da superfície de ataque — impulsionada por ambientes multicloud e pelo uso de inteligência artificial — as organizações precisam adotar uma postura proativa, com foco na avaliação de riscos que impactam diretamente o negócio.

A pesquisa identificou a gestão de identidade como a principal vulnerabilidade na segurança de infraestrutura em nuvem. Cerca de 59% das organizações apontaram identidades desprotegidas e permissões excessivas como os principais riscos. Entre as empresas que sofreram violações, três das quatro causas mais comuns estavam ligadas à identidade: permissões excessivas (31%), controles de acesso inconsistentes (27%) e práticas inadequadas de gestão de identidade (27%).

Ao apresentar a pesquisa aos presentes, Alejandro Dutto, diretor de Engenharia de Segurança da Tenable América Latina, destacou os desafios da cibersegurança em ambientes híbridos e na nuvem. Segundo ele, embora cerca de 50% das organizações já tenham iniciado iniciativas com inteligência artificial, as práticas de proteção ainda não acompanham esse avanço. Dutto observou que os principais problemas continuam sendo tradicionais, como falta de visibilidade e vulnerabilidades básicas.

Dutto apontou a gestão de identidade como um vetor de ataque crítico, frequentemente mal administrado devido a permissões excessivas e falta de alinhamento entre equipes. Ele defendeu a transição de uma cultura reativa, baseada em incidentes, para uma abordagem preventiva, ressaltando a necessidade de profissionais capacitados e processos bem definidos, diante da limitação das ferramentas isoladas.

Apesar da conscientização sobre o problema, persistem desafios estruturais. Cerca de 28% das empresas relatam falta de alinhamento entre as equipes de nuvem e de gestão de identidade (IAM), e 21% enfrentam dificuldades para aplicar o princípio de menor privilégio. A principal prioridade para os próximos 12 meses, citada por 44% dos entrevistados, é implementar esse controle dentro de uma abordagem baseada em Zero Trust.

Os incidentes envolvendo inteligência artificial têm sido causados, em grande parte, por ameaças tradicionais, como vulnerabilidades de software, falhas de modelos, ameaças internas e configurações inadequadas na nuvem. Apesar disso, as equipes de segurança continuam focadas em riscos considerados novos, como manipulação de modelos e uso não autorizado, revelando um descompasso entre percepção e realidade.

O estudo aponta que 34% dos profissionais identificam a falta de conhecimento especializado como o principal obstáculo. Além disso, 31% indicam que suas lideranças não compreendem adequadamente os riscos da segurança em nuvem, e 20% acreditam que os executivos confiam excessivamente nas ferramentas nativas dos fornecedores.

Daniel Sant'Anna, gerente de Contas da Tenable Brasil, destacou a importância de comunicar os riscos de cibersegurança em termos de impacto financeiro e estratégico, e não apenas por métricas técnicas. Segundo ele, muitos líderes deixam de priorizar a segurança por não enxergar sua relevância para os negócios.

A Tenable propõe uma abordagem integrada que amplia a visibilidade da superfície de ataque — incluindo infraestrutura, nuvem, identidade e inteligência artificial — para orientar investimentos com mais precisão. Sant'Anna defende a transição de uma postura reativa para proativa, com o uso de plataformas que contextualizem vulnerabilidades e ajudem a definir prioridades de proteção. Ele também reforça a importância da gestão de identidades, humanas e não humanas, especialmente diante da aceleração dos projetos de TI.

Jim Reavis, cofundador e CEO da Cloud Security Alliance, afirmou que o setor está passando pela evolução mais acelerada da história da computação em nuvem. Segundo ele, os dados da pesquisa indicam que muitas estratégias de segurança não acompanham esse ritmo. Reavis alertou que os riscos associados à inação estão crescendo diariamente e defendeu que as organizações revisem suas abordagens, adotando defesas mais adaptáveis e alinhadas à velocidade de transformação das tecnologias que precisam proteger.

Faça o download do relatório aqui.