A TELTEC, composta pelas unidades Teltec Solutions e Teltec Data, realizou evento em São Paulo na terça-feira, 17 de março, para comemorar 35 anos de existência, divulgar o balanço do ano fiscal de 2025, com faturamento de 394 milhões de reais, o que representa um crescimento de 33% em comparação com 2024, e anunciar o movimento de internacionalização da empresa em 2026.
A companhia projeta, para 2026, uma receita de 449 milhões de reais, consolidando sua trajetória de expansão no mercado brasileiro de tecnologia, apoiada nos pilares fundamentais: infraestrutura, nuvem, cibersegurança e serviços. Em entrevista à imprensa especializada presente no evento, Rafael Araújo Silva, diretor da Teltec Solutions; Diego Ramos Brites, CEO da TELTEC; e Cesar Schmitzhaus, diretor da Teltec Data, conversaram sobre os 35 anos da empresa, os próximos movimentos no mercado e os preparativos para a internacionalização, e suas impressões sobre o setor de data centers brasileiro.
A Teltec registrou crescimento em ambas as unidades de negócios em 2025. A Teltec Solutions, voltada para cibersegurança e infraestrutura crítica, alcançou receita de 213 milhões de reais, o que representa um avanço de 44% no período. Já a Teltec Data, focada em serviços de nuvem, movimentou 181 milhões de reais, aumento de 27% em relação ao ano anterior.
Segundo Rafael Araújo, o desempenho reflete execução consistente e superação das metas estabelecidas. Ele destaca o crescimento no setor privado, na área de cibersegurança e na receita recorrente de serviços. Os Serviços Gerenciados (SOC/MSS) tiveram uma expansão de 53%, impulsionada pela maior demanda por terceirização de operações críticas de segurança.
Para o CEO da Teltec, Diego Brites, os resultados da empresa em 2025 são consequência de uma estratégia de longo prazo baseada na reputação e na disciplina operacional. Ele afirma que o desempenho não decorre de ações pontuais, mas de decisões contínuas, como investimento em certificações, retenção de talentos e foco em soluções adequadas às necessidades dos clientes.
Brites também ressalta que a criação da Teltec Data, em 2025, representou um movimento estratégico. Enquanto a Teltec Solutions segue dedicada à infraestrutura crítica, conectividade e cibersegurança, a Teltec Data permite ao grupo atuar de forma especializada em ambientes de nuvem, incluindo migrações complexas e governança multicloud.
Sobre o mercado de data centers no Brasil, os executivos da Teltec acreditam que o país vive um momento de forte expansão, impulsionado principalmente pelo avanço da inteligência artificial (IA) e pela crescente demanda por processamento de dados. No entanto, desafios estruturais — como entraves regulatórios, limitações de infraestrutura energética e aumento de custos — ainda colocam em xeque o pleno aproveitamento desse potencial. O setor passa por uma transformação marcada pela consolidação de ambientes híbridos, e a combinação entre data centers próprios e serviços em nuvem tem se tornado o modelo predominante entre as empresas brasileiras.
“A gente acredita no ‘e’, não no ‘ou’”. O mundo é híbrido: parte das cargas roda em nuvem, parte dentro de casa”, afirma Rafael Araújo. Esse movimento reflete a necessidade de flexibilidade operacional, especialmente diante de oscilações de custos e de demandas específicas de processamento.
O CEO Diego destaca o papel da energia como fator estratégico. A matriz elétrica majoritariamente limpa do Brasil é vista como vantagem competitiva, embora limitações na infraestrutura de distribuição já dificultem a expansão de alguns data centers por falta de capacidade disponível.
O momento, frisam os três executivos, é decisivo: empresas globais devem investir cerca de 600 bilhões de dólares (3,2 trilhões de reais) em infraestrutura de data centers neste ano. Sem avanços regulatórios e melhorias estruturais, o Brasil corre o risco de ficar fora dessa onda de investimentos. Ao mesmo tempo, as restrições enfrentadas por data centers nos Estados Unidos — como o consumo elevado de energia e água — podem abrir espaço para que o Brasil se posicione como alternativa, desde que consiga superar gargalos internos, diz Cesar Schmitzhaus.
A Teltec mantém parcerias com fornecedores globais como Microsoft, Cisco, Palo Alto Networks, F5, Darktrace e CrowdStrike, empresas que exigem elevado nível técnico e capacidade de entrega. A estratégia do grupo inclui investimentos em tecnologias emergentes, especialmente em soluções de Inteligência Artificial voltadas à automação de tarefas de TI e à detecção preditiva de ameaças, área que deve ganhar força em 2026.
Segundo a empresa, a qualificação técnica das equipes, aliada ao relacionamento próximo com os clientes e à experiência em projetos complexos, sustenta as metas do novo ano fiscal. Para Cesar Schmitzhaus, diretor de Tecnologia e Inovação da Teltec Data, o mercado brasileiro de TI vive um momento de transformação, com maior demanda por parceiros técnicos capazes de resolver desafios de negócio. Ele afirma que o foco para 2026 é ampliar a operação mantendo o padrão técnico atual.
Entre as iniciativas previstas para o próximo ciclo estão a expansão das operações de SOC/MSS, o aumento da oferta de serviços gerenciados de nuvem, a internacionalização gradual do negócio e o fortalecimento de parcerias estratégicas. O grupo também avalia ampliar o quadro de profissionais para acompanhar o crescimento, preservando o equilíbrio entre escala e especialização.
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