A manhã desta segunda-feira, 17, foi marcada pela entrega operacional do Centro de Operações Espaciais Principal (COPE-P), localizado no antigo Comando Aéreo Regional de Brasília (VI Comar). O COPE-P é um conjunto de edificações que servirá para operar e monitorar o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, o SGDC.
Com a entrega da estrutura operacional do COPE-P, fica completa a infraestrutura terrestre do SGDC, que compreende ainda o Centro de Operações Espaciais Secundário (COPE-S), no Rio de Janeiro, e as Gateways (estações de acesso) em Campo Grande (MS), Florianópolis (SC) e Salvador (BA). A segunda e última etapa do COPE-P consistirá na entrega das áreas administrativas do complexo, não impeditivas para o início das operações via satélite. Esta entrega final está prevista para o primeiro semestre de 2019.
Construído para servir como centro de controle para o SGDC e com a disponibilidade de atender outros satélites geoestacionários e de baixa órbita programados no projeto SGDC, o COPE-P, instalado na Base da Aeronáutica, se torna uma referência nacional e internacional pela complexidade e modernidade de suas instalações. A estrutura contempla um “bunker” para acomodação da área de data center com resistência contra choques balísticos, situações de ataque e imprevistos da natureza.
Os principais objetivos do projeto são fornecer conectividade de internet em banda Ka para escolas públicas, unidades de saúde, postos de fronteiras, áreas indígenas e quilombolas dentro do Programa Internet para Todos; atender o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) em todo o Brasil, incluindo os locais carentes e remotos; e promover segurança nas comunicações estratégicas do país. Parte de uso do satélite ocorre em banda X para atendimento às comunicações e projetos militares estratégicos de defesa nacional.
O COPE-P possui um conjunto de edificações que servirá para operar e monitorar o SGDC. A área total construída é de mais de 14 mil metros quadrados sendo 4,5 mil metros quadrados de bloco técnico-operacional. Todos os contratos firmados para construção da infraestrutura terrestre do projeto SGDC (dois COPEs e três Gateways) não sofreram aditivos de valores. Mais de 30 processos licitatórios foram geridos de forma amplamente transparente, sem a existência de recursos judiciais em nenhuma das etapas de cada processo. Todos os processos internos de fiscalização, gerenciamento e aquisições foram auditados pela Controladoria Geral da União (CGU) sem pendências. E o Tribunal de Contas da União (TCU) acompanhou o desenvolvimento da obra do COPE-P desde a elaboração dos projetos executivos, sendo este um marco pioneiro no setor público. Todos os contratos sobre investimento nos Centros de Operações Espaciais de Brasília (COPE-P) e do Rio de Janeiro (COPE-S), somam quase R$ 600 milhões.
Certificação Tier IV
O Centro de Operações Espaciais Principal da Telebras abriga um dos data centers para operação do satélite brasileiro, em Brasília, que recebeu a certificação Tier IV do Uptime Institute, localizado em Seattle, Estados Unidos. A classificação Tier IV é o mais alto nível de disponibilidade e confiabilidade que um data center pode oferecer numa instalação de missão crítica. É conhecida como Fault Tolerant (tolerante a falhas), o que garante a imunidade do site a qualquer paralisação de infraestrutura. A certificação, conquistada pela Telebras, foi concedida de forma inédita a uma empresa do setor público no Brasil.
BIM
O COPE-P teve seu projeto desenvolvido utilizando o BIM (Building Information Modeling), tecnologia pioneira no setor público brasileiro. Trata-se de uma ferramenta cada vez mais relevante em obras públicas por fornecer maior transparência nos custos, no controle das implantações e na gestão e no monitoramento da obra. Ao evitar o desperdício e o retrabalho com a detecção de interferências ainda na fase de projeto, a execução de obras públicas ganha significativa eficiência. As informações sobre os equipamentos e seus respectivos ciclos de vida também auxiliam na manutenção eficiente de prédios públicos. Por tais motivos, o uso desta tecnologia no setor público brasileiro traz inovações em termos de transparência e eficiência de processos. Com isso, todas as alterações e medições do projeto são feitas utilizando essa ferramenta, controlando o andamento financeiro da obra em compatibilidade com o desenvolvimento físico. Ao final, a obra será entregue em BIM 6D, com informações referentes à controle físico-financeiro da obra, orçamento, as built (processo de recuperação das informações da obra) e informações sobre ciclo de vida, manutenção e garantias de todos os equipamentos do data center.
Gateways
Há, ainda, cinco gateways, que são estações que fazem a interconexão entre o satélite e os clientes. São estações do segmento terrestre do SGDC, assim como os Centros de Operações Espaciais (COPEs), que ficam em Brasília e no Rio de Janeiro. Sem as Gateways se torna impossível o atendimento aos clientes, pois as estações são imprescindíveis para estabelecer conectividade em banda larga, levando, assim, a internet até os lugares de difícil acesso. Elas estão instaladas em Brasília, Rio de Janeiro, Florianópolis (SC), Campo Grande (MS) e Salvador (BA).
Estações CMS
O sistema do SGDC conta também com oito Estações CMS – Carrier Monitoring System – (em português: Sistema de Monitoramento de Tráfego) espalhadas por locais estratégicos do território nacional estão concluídas e com equipamentos instalados. Elas servem para realizar a telemetria do SGDC.
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