Segundo a Tangoe, empresa que administra despesas de telecom e TI para clientes no mundo inteiro, as contas de TI - especialmente as de cloud computing - estão sendo monitoradas com um cuidado cada vez maior pelas corporações: a facilidade com que funcionários de vários níveis conseguem alterar os perfis do serviço contratado têm se refletido nos valores apresentados no final do mês pelos provedores; e ao final de um ano podem comprometer os orçamentos. Anne Marie Murray, gerente global de Marketing de Produtos da Tangoe, explica nesta entrevista como os clientes têm reagido a essas mudanças:
DatacenterDynamics: Os clientes já começaram a pedir monitoramento de contas de serviços de nuvem?
Anne Murray: Sim. Isso é um serviço que a Tangoe vem prestando há mais de dois anos, e que começou quando um de nossos clientes, nos Estados Unidos, ficou surpreso com a diferença de valores entre um mês e outro, de anos diferentes, nas contas do serviço de nuvem. Esse serviço tem duas características muito importantes: a primeira é ser barato. A segunda é ser muito flexível, podendo ser expandido ou reduzido dinamicamente sob demanda. No caso do nosso cliente, a expansão aconteceu progressivamente sob demanda. Os funcionários foram solicitando mais disco, mais processamento, mais memória e outros recursos. Foi isso que fez a conta aumentar.
DCD: Você pode fornecer alguns números sobre esse caso?
A.M.: Não podemos informar quem era o cliente, mas a diferença de valores era de aproximadamente 20% a mais. Para clientes de grandes corporações as contas desse tipo alcançam valores na casa das dezenas de milhares de dólares. Numa conta de US$ 20 mil, aqueles 20% seriam US$ 4 mil. Em um ano, esse valor de prejuízo mensal se torna US$ 48 mil.
DCD: Quais as grandes preocupações dos clientes quando passam a monitorar as contas?
A.M.: A principal delas é o fato de que eles podem perder todas as economias que haviam obtido e planejado ao decidirem utilizar serviços de nuvem ao invés de adquirir infraestrutura, plataforma ou software. Geralmente os CFOs ficam satisfeitos com as soluções de nuvem, mas nnão gostam quando notam que estas estão sendo mal utilizadas. Isso se torna um problema na execução do orçamento de TI.
DCD: O que é descoberto nas contas e o que pode ser feito para que elas retornem aos níveis anteriores?
A.M.: Na verdade elas raramente retornam totalmente aos níveis anteriores, por uma série de razões. A primeira é que existem serviços que foram contratados porque de fato a empresa cresceu, porque o negócio expandiu, ou porque houve uma exigência da própria tecnologia. Mas uma auditoria cuidadosa como aquela que nossos sistemas fazem sobre essas contas poderá indicar serviços que foram contratados em dobro num mesmo departamento, licenças contratadas para funcionários que não estão mais na empresa e continuam sendo cobradas, e mesmo alguns itens que o pessoal de TI poderá decidir eliminar porque se tornaram inúteis, obsoletos ou redundantes. São essas algumas das anormalidades que se pode encontrar.
DCD: Existe uma categoria de serviços onde as cobranças extraordinárias são mais frequentes?
A.M: Sim. Acontece bastante em empresas que costumam ter picos de atividade - como as de varejo, por exemplo. Imagine que para uma “Black Friday” ou qualquer outra atividade de promoção de vendas a empresa preveja grande tráfego nos servidores e por causa disso contrata serviços extras. Passada a promoção, os gerentes as vezes não desativam os recursos extras contratados; e eles continuam aparecendo meses e meses seguidos.
DCD: Hoje, qual a importância para que se gerencie as despesas de cloud?
A.M.: Nós da Tangoe acreditamos que a importância seja estratégica. Afinal, as empresas estão migrando de estruturas proprietárias para estruturas compartilhadas, usufruindo de uma enorme série de vantagens a um preço muito baixo. Além disso, com exceção das grandes corporações, a maioria das empresas não tem condições de montar data centers e muito menos de equipá-los, tal como fazem os de provedores de serviços de nuvem. Essa é a vantagem de se usar cloud. Se o mau uso dos serviços compromete essas vantagens de preço, é preciso monitorar as contas para não corroer os resultados da empresa.
DCD: De que modo um cliente pode descobrir qual é o momento de fazer o gerenciamento dessas despesas, além das de telecom ou de TI:
A.M.: Não se pode dizer que há um momento. Essas contas precisam estar constantemente sob supervisão e sob auditoria, porque a probabilidade de se localizar erros é de 100%. Para se ter uma ideia do grau de risco embutido nelas, basta dizer que nas contas de telecom, especialmente nas de telefonia móvel, os erros que corrigimos podem alcançar 30% da conta mensal.
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