A empresa Arumani, especializada em soluções em montagens industriais e instalações mecânicas, reuniu profissionais do setor de data centers e empresas colaboradoras em suas instalações em Vall de Uxó em uma conferência intitulada "DfMA na construção industrializada - Um fator essencial para o desenvolvimento do crescimento do data center".

O primeiro dia organizado pela empresa foi dividido em apresentações e mesas redondas que trataram desde a situação atual da indústria de data centers até os desafios e oportunidades na construção dessas infraestruturas críticas. Empresas como a Hilti, Danfoss, Armstrong, Victaulic, PermAlert e a Walhalla, representada por seu CEO, José Luis Herrero, participaram.

A inauguração ficou a cargo do Gerente Geral da Arumani, Jesús Policarpo, que revisou a história da empresa até que ela se dedicasse ao setor de data centers e fez observações sobre a importância dessa metodologia na construção desses edifícios, explicando que "a metodologia DfMA é uma mudança. As mudanças são difíceis e também é uma metodologia colaborativa. É por isso que estamos aqui hoje para enfrentar essa complexidade necessariamente juntos para, com curiosidade e com muita humildade, questionar o que está estabelecido e, a partir da inovação, eficiência e sustentabilidade, poder enfrentar juntos desafios maiores. Assumimos a responsabilidade de criar este espaço, para que as ideias fluam e para que criemos e construamos fontes de conexão entre nós".

A conferência inaugural foi proferida por José Luis Herrero, que além de CEO da Walhalla é membro da SPAIN DC. Herrero abriu a palestra destacando a importância de criar esse espaço e conscientizar a sociedade sobre a importância dos data centers na vida cotidiana. "Acho que todos nós que estamos mais ou menos inter-relacionados com este setor devemos fazer um grande esforço para evangelizar", frisou, explicando que o volume do setor atualmente ultrapassa 300 MW, mas em 2031 chegará a 2 GW de capacidade instalada.

Herrero observou que há uma compreensão errônea do setor em termos dos empregos que gera e se é ou não sustentável. O executivo disse que o setor gera "centenas de milhares de empregos e a Administração não vê isso". "Somos muito mais sustentáveis do que qualquer outro setor", enfatizou Herrera. "Temos um futuro e previsões muito promissores e temos uma administração pública que não está à altura da tarefa", conclui Herrero sobre o cenário atual.

A construção modular como pilar que sustentará o futuro da indústria

A primeira mesa redonda realizada sobre "DfMA na construção industrializada de projetos de DC", contou com a presença de Xavier Domènech da PGI Engineering, Toni Mas Vicent da Más Ingenieros, Ricardo Donaire da Hyphen, Máximo Escriche da Escriche Consulting e Héctor Marín da Jones Engineering.

A primeira mesa redonda centrou-se na necessidade de acelerar o processo de adoção de metodologias industriais para melhorar a eficiência e reduzir custos e tempos de construção, bem como reconhecer a importância da integração de tecnologias desde o início do projeto e a colaboração entre empresas de engenharia, arquitetos e fabricantes para evitar problemas no local.

A mesa concordou que a construção modular é o futuro da construção de data centers e que para melhorar todo o processo de projeto e construção dessas estruturas, é preciso que haja um melhor desempenho por parte de todos aqueles que fazem parte da rede e que é muito importante levar em consideração que o cliente final está dentro dessa rede.

O painel também destacou o nível de industrialização na Espanha em comparação com outros países europeus. Xavier Domènech sublinhou que a industrialização na Espanha não é muito elevada. "Estamos muito atrasados em relação ao que podemos ser", diz ele. Na mesma linha, Toni Mas Vicente acredita ainda que "a industrialização está muito abaixo do nível". "A industrialização é vista como uma solução técnica final. Há uma falta de colaboração".

Máximo Escriche, por outro lado, acredita que temos que "nos livrar dos complexos 'Made in Spain' porque somos capazes de fazer grandes coisas", ressalta.

Para Héctor Marín, da empresa irlandesa Jones Engineering, "na Espanha o trabalho é bem feito e temos flexibilidade, algo que não existe em outras regiões".

A mesa redonda abordou as dificuldades impostas pelo modelo tradicional de projeto e construção, onde o cliente final muitas vezes exige rapidez sem permitir um planejamento adequado, enfatizando a necessidade de avançar em uma maior coordenação entre todos os atores envolvidos para otimizar o processo de projeto e execução.

A análise de Xavier Domènech é que seria aconselhável ter um nível mais alto de industrialização; no entanto, ele acredita que é importante perceber que cada projeto é único e com especificidades próprias, pelo que o cliente tem de perceber que um projeto não pode ser replicado.

A segunda mesa redonda intitulada "Os desafios e oportunidades na construção de Data Centers", contou com a participação de Carlos Rodríguez da Mercury, Rafael Crespo da Dragados, Beatriz Brieva da Hyphen e Marcus Queiroz da DCD.

O debate abordou tanto a aplicação de novas tecnologias e métodos como oportunidade, como a falta de talento, a importância de reduzir os tempos de execução sem comprometer a qualidade, explorando soluções como a pré-fabricação e a construção modular; a preocupação em implementar medidas reais para reduzir a pegada de carbono, evitando o "greenwashing", o papel das construtoras no processo de construção, que deixam de ser simples executoras para desempenhar funções de gestão integral de projetos. Nesse sentido, os participantes apontaram o papel fundamental desempenhado pelo empreiteiro geral.

Carlos Rodríguez disse que o modelo "DfMA é um guia para o que as pequenas empresas podem fazer" e ressaltou que os subcontratados devem entender "a necessidade do setor de cobrir a deficiência em termos de talento" e destacou a mudança de paradigma desde a entrada de Trump no governo dos Estados Unidos, em que a sustentabilidade é "deixada para trás". "Estamos destruindo o planeta. Você tem que procurar opções", diz ele.

Em relação ao empreiteiro, Rodríguez destaca que é uma figura que muitas vezes tem que desempenhar o papel de "gerente de projeto" e que o empreiteiro deve estar no projeto desde o começo.

Beatriz Brieva observou que há um ponto muito importante que "se perde no caminho", referindo-se aos desafios legais e regulamentares que existem ao longo do processo de projeto e construção. "A legislação não acompanha o uso de instalações de data center com a exigência de uma estrutura industrial e não faz sentido. Você não pode tirar um técnico (da administração pública) da lei. Esses obstáculos implicam atrasos. É essencial que haja uma mudança".

Rafael Crespo observou que os programas de trabalho estão cada vez mais exigentes, com menos margem para erros e ineficiências. "Precisamos que o país comece a investir na indústria e fortaleça todas as redes do país para fazer crescer o setor".

Marcus Queiroz, representando a DCD, observou que o "principal desafio do mercado é a energia". “O Governo não tem como causar um grande impacto, é uma questão de percepção, mas existem muitas comunidades autônomas que entendem o valor de como funciona e o que podem contribuir para essa indústria. É positivo unir forças. Em 3 anos, a demanda pelo setor vai aumentar em 90%, então você pode estar no setor certo".

Sobre o talento, Marcus Queiroz salientou que "o talento e a formação são um desafio", uma vez que é um setor que não conta com a entrada de gente jovem. A força de trabalho da indústria está envelhecendo sem a entrada de mão de obra jovem. "A Espanha está perdendo milhares de jovens. Devemos nos comunicar melhor. Precisamos de todo o ecossistema para reter talentos em todas as empresas. Estamos falando de uma indústria que está crescendo com uma força de trabalho envelhecida", diz ele.

Por fim, Queiroz analisou o estado da América Latina no setor. "A Espanha é mais desenvolvida do que a América Latina. Eles pedem para compartilhar experiências. A LATAM olha para o que a Espanha está fazendo porque é um mercado mais maduro. Tenho certeza de que cometerá menos erros. A Espanha serve de comparação e contribuirá muito".