O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) iniciou uma iniciativa voltada à redução da dependência de modelos de linguagem estrangeiros (LLMs) e ao fortalecimento da autonomia tecnológica e cultural do Brasil no campo da inteligência artificial. De acordo com Carlos Rodrigo Fonseca Lima, gerente do Centro de Excelência em Ciência de Dados e IA do Serpro, a empresa pública já utiliza modelos abertos operando integralmente em sua própria infraestrutura. O próximo passo, segundo ele, é desenvolver um modelo nacional em português, treinado com dados originados no Brasil, em colaboração com o setor privado, informa o TeleSíntese.
Atualmente, o Serpro opera modelos de linguagem open source em sua própria infraestrutura, sem compartilhamento de dados externos. Segundo Lima, o próximo passo será o desenvolvimento de um novo modelo treinado com dados brasileiros, com o objetivo de promover maior autonomia operacional, tecnológica e cultural.
Ronaldo Agra, gerente da Divisão de IA Generativa do Serpro, detalhou a estrutura da “Plataforma de IA Generativa” desenvolvida pela estatal. A solução é composta por diversas camadas, incluindo modelos de linguagem (como Mistral, GEMA, DeepSeek e Gaia — este último de origem nacional), APIs de inteligência artificial, agentes automatizados e ferramentas voltadas à aceleração de negócios. No topo da arquitetura está o Conversai Studio, um assistente conversacional treinado com bases de conhecimento de órgãos públicos e operando exclusivamente nos data centers do Serpro.
Segundo Agra, o Conversai Studio funciona como uma interface conversacional voltada ao setor público, permitindo que cada órgão interaja com suas próprias normas e dados, sem que informações sejam transmitidas fora da infraestrutura governamental.
O projeto inclui a realização de uma consulta pública para definir o parceiro que contribuirá para o desenvolvimento de um novo modelo de linguagem, com requisitos mínimos de 10 bilhões de parâmetros e capacidade multimodal — apto a processar textos e imagens. O objetivo é estabelecer uma base nacional que viabilize a criação de modelos próprios de inteligência artificial pelo governo, reduzindo a dependência de atualizações fornecidas por empresas estrangeiras.
Atualmente, o Serpro atende mais de 700 clientes com soluções baseadas em IA, entre elas o DataValid — utilizado por instituições financeiras e plataformas digitais para validação biométrica — além de sistemas personalizados voltados a órgãos públicos.
Na área de inteligência artificial generativa, os serviços biométricos processam atualmente cerca de 50 milhões de validações por mês. Novas aplicações estão em fase de testes em instituições como a Receita Federal, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e o IBGE, com foco na análise de dados e na automação de processos administrativos.
De acordo com o cientista de dados Marcelo Pita, a ampliação desses serviços deverá demandar a duplicação da capacidade dos data centers localizados em Brasília e São Paulo ao longo dos próximos cinco anos, em resposta ao aumento das demandas relacionadas à IA e às mudanças decorrentes da reforma tributária.
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