As denúncias de que a Petrobras foi alvo de monitoramento pela NSA agravaram a crise política entre Brasil e Estados Unidos. Depois da divulgação do episódio de espionagem, a presidente passou a considerar que o monitoramento feito por parte do governo norte-americano foi motivado por razões econômicas e comerciais, possivelmente relacionadas ao interesse dos EUA nos leilões do pré-sal. Com viagem marcada para 23 de outubro, a presidente Dilma Rousseff oficializou, em nota, o adiamento da visita de Estado que faria a Washington.
De acordo com o Palácio do Planalto, "não estão dadas as condições para a realização da visita na data anteriormente acordada".
"As práticas ilegais de interceptação das comunicações e dados de cidadãos, empresas e membros do governo brasileiro constituem fato grave, atentatório à soberania nacional e aos direitos individuais, incompatível com a convivência democrática entre países amigos", diz o comunicado.
Dilma mantém a disposição de usar seu discurso da ONU, na próxima semana, para criticar o monitoramento.
Espionagem
Embora o Brasil seja apenas um dos vários alvos apontados da espionagem americana, as revelações aqui foram especialmente polêmicas, por causa da desconfiança de longa data em relação às atividades das agências de espionagem dos Estados Unidos e de uma reportagem que afirmou que as comunicações privadas da presidente Dilma foram comprometidas.
Alguns países europeus já exigem que alguns dados pessoais sensíveis sejam armazenados localmente. Microsoft, Amazon e outros grandes provedores de serviços de computação remotos já possuem data centers nesses países, então seus clientes podem cumprir essas regras locais.
Um relatório de 2012 da empresa imobiliária Cushman & Wakefield e da consultoria em engenharia hurleypalmerflatt elencou os 30 países em termos de riscos para operações de data centers. O Brasil ficou em último lugar, muito em função do alto custo de eletricidade.
Como maior economia da América Latina e casa de alguns dos mais frequentes usuários de redes sociais, o Brasil pode ser grande demais para que as empresas simplesmente saiam dele porque não gostaram das previstas novas medidas governamentais.
Enquanto isso, a taxa de penetração da internet no Brasil é de apenas 44%, metade da dos Estados Unidos, o que significa que ainda há muito potencial para crescimento.