A Samm iniciou um processo de reestruturação de sua infraestrutura de telecomunicações com o objetivo de concentrar suas operações nos mercados considerados estratégicos para o negócio, informa o site Tele.Síntese. A medida inclui a redução de quase metade da extensão total da rede de fibra óptica, o que implica a descontinuidade de atividades em regiões consideradas menos eficientes operacionalmente e menos atrativas do ponto de vista econômico.
De acordo com o CEO da companhia, Carlos Eduardo Sedeh, a empresa operava uma rede de aproximadamente 50 mil quilômetros, dos quais cerca de 25 mil quilômetros estão sendo transferidos para terceiros.
O executivo afirma que o foco da reestruturação não é a venda dos ativos, mas a cessão da operação da infraestrutura e dos contratos a parceiros regionais, garantindo a continuidade do atendimento aos clientes dessas áreas. Sedeh disse que a empresa praticamente concedeu essas infraestruturas às empresas parceiras.
A reestruturação conduzida pela Samm concentra a atuação da empresa em um eixo geográfico considerado estratégico, caracterizado por redes backbone mais resilientes, maior densidade de clientes corporativos e melhores indicadores de margem e de EBITDA. Permanecem como mercados prioritários:
- São Paulo e interior paulista
- Rio de Janeiro
- Belo Horizonte
- Brasília e Goiânia
- Porto Alegre e Curitiba
- Santa Catarina, incluindo Florianópolis e rotas pelo interior e litoral
Paralelamente, a companhia está descontinuando operações em áreas onde a infraestrutura era mais dispersa e apresentava custos logísticos mais elevados. Entre as regiões mencionadas pelo CEO Carlos Eduardo Sedeh estão o interior do Rio de Janeiro, parte do interior de São Paulo não conectada ao backbone principal, além de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.
Carlos Eduardo Sedeh afirmou que a empresa tomou uma decisão muito difícil ao reduzir sua presença em determinadas regiões. Segundo ele, essas áreas apresentavam operações complexas e custos elevados, o que levou a companhia a concentrar esforços nos mercados que apresentam melhor desempenho em margem e EBITDA.
Sedeh ressaltou que os ativos considerados estratégicos foram preservados. Ele explicou que a empresa manteve redes enterradas e estruturas mais resilientes, enquanto a maior parte das redes descontinuadas correspondia a trechos isolados, muitas vezes aéreos, com alto custo recorrente de manutenção.
O executivo também fez uma crítica às assimetrias regulatórias e tributárias no setor de telecomunicações, especialmente à competição entre empresas de portes distintos.
O executivo apontou distorções no setor de telecomunicações envolvendo o uso do Simples Nacional por provedores, a separação entre os serviços de comunicação multimídia (SCM) e os serviços de valor adicionado (SVA) e a aplicação desigual de obrigações regulatórias. Na avaliação dele, esse conjunto de assimetrias cria incentivos inadequados e acaba penalizando empresas que cumprem integralmente as exigências legais.
Sedeh defendeu que a competição no mercado deveria se basear na eficiência técnica, na qualidade do serviço e na capacidade de entregar soluções consistentes aos clientes. Para ele, o setor deveria premiar o desempenho.
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