A cidade de Pindamonhangaba, no interior paulista, vai receber um novo empreendimento no setor de tecnologia nacional. A cidade sediará o RiverHook Village 18, um campus de data center hiperescalável projetado para figurar entre os maiores empreendimentos de infraestrutura digital da América do Sul. O anúncio oficial foi feito em 28 de abril de 2026, durante o lançamento da plataforma Investe Pinda, no Hotel Intercity, com a presença do prefeito Ricardo Piorino e do sócio-fundador da Riverhook Village, Fabio Gordon.
O projeto prevê a ocupação de um terreno de mais de 500 mil metros quadrados às margens da Via Estrutural, nova rodovia que conecta a SP-62 ao Distrito Industrial do Feital, e uma capacidade instalada inicial de 150 megawatts (MW), com possibilidade de expansão para até 300 MW. O aporte financeiro começa em 5 bilhões de reais e pode chegar a 10 bilhões ao longo das fases subsequentes do empreendimento.
O nome da empresa, RiverHook Village, é a tradução livre de Pindamonhangaba para o inglês. 'Pinda', em tupi, remete ao anzol; 'hook', em inglês, tem o mesmo significado. A escolha carrega uma intenção simbólica deliberada: ancorar, no município paulista, um projeto de escala global.
Constituída em novembro de 2025, a Riverhook Village tem como sócias as consultorias Indo-Bras United e LetsGoFusion, esta última de propriedade de Fabio Gordon, executivo com mais de 25 anos de experiência no setor de tecnologia e com passagens por IBM, Oracle e Dell do Brasil. As negociações com a prefeitura de Pindamonhangaba tiveram início em agosto de 2025, e a escolha da localidade envolveu uma análise cuidadosa de fatores estratégicos.
Do ponto de vista logístico e de conectividade, Pindamonhangaba reúne atributos importantes que foram considerados na escolha do local. O campus ficará a aproximadamente 150 km de São Paulo e 300 km do Rio de Janeiro, com acesso direto pela Via Dutra (BR-116), principal artéria logística do país. A 120 km de distância está o Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), hub global de cargas aéreas; os portos de Santos e do Rio de Janeiro, portais dos principais cabos submarinos que conectam o Brasil ao restante do mundo, distam entre 200 e 300 km.
Essa posição privilegiada no Vale do Paraíba confere ao Village 18 latência reduzida ao corredor São Paulo–Rio de Janeiro, o mais denso mercado consumidor e produtor de dados da América do Sul, e acesso facilitado às rotas de fibra óptica que servem os provedores de nuvem instalados nas duas metrópoles.
A secretaria de Desenvolvimento Econômico do município, chefiada por Marcelo Martuscelli, aponta a disponibilidade de energia como fator decisivo na escolha da cidade. O projeto obteve aprovação para uma carga adicional de 150 MW, com caminho aberto para dobrar essa capacidade no futuro, exclusivamente para atender ao campus.
O RiverHook Village 18 foi concebido desde a origem para atender os grandes provedores de infraestrutura de nuvem, os chamados hiperescalas, e as empresas movidas por inteligência artificial que demandam capacidade de processamento maciça, confiabilidade de nível industrial e escalabilidade modular. O campus foi projetado para crescer por módulos, permitindo que os inquilinos ampliem sua área de ocupação à medida que a demanda por capacidade computacional aumenta.
O Village 18 irá apostar em resfriamento sem consumo de água, um ponto sensível em uma região que convive com pressões crescentes sobre os recursos hídricos. O sistema adotado opera em circuito hermético, funcionando de maneira análoga ao resfriamento do motor de um automóvel: o líquido refrigerante circula em tubos selados, absorvendo calor diretamente dos processadores e dissipando-o por meio de um trocador de calor externo, sem jamais entrar em contato com o ar livre e sem evaporação.
A solução elimina as torres de resfriamento evaporativas tradicionais, que consomem milhões de litros de água por ano em grandes instalações. Segundo Gordon, o projeto está comprometido com a integração de energia verde e com o desenvolvimento econômico local, premissas que se alinham ao crescente escrutínio ambiental, social e de governança (ESG) a que os grandes clientes hyperscalers submetem seus fornecedores de infraestrutura.
Além da operação comercial de colocation e de serviços de nuvem, a unidade de Pindamonhangaba terá uma vertical dedicada a Pesquisa e Desenvolvimento. A proposta é utilizar a capacidade computacional do próprio data center para desenvolver projetos de inteligência artificial com aplicações de interesse público, como segurança, monitoramento climático, previsão e gestão de desastres naturais, entre outros. A iniciativa posiciona o empreendimento não apenas como infraestrutura privada, mas também como ativo de impacto social para o poder público local e regional.
O cronograma prevê o início das obras em outubro de 2026 e a entrada em operação em junho de 2028. Durante a fase de construção, mais de mil postos de trabalho serão gerados diretamente no canteiro de obras. Com o início das atividades operacionais, o campus deverá manter aproximadamente 150 vagas diretas permanentes, totalizando mais de 1.150 empregos ao longo das duas fases, segundo dados da prefeitura de Pindamonhangaba.
O anúncio da Riverhook Village foi o primeiro a ser formalizado no âmbito da plataforma Investe Pinda, iniciativa municipal de atração de investimentos. Segundo o prefeito Ricardo Piorino, outras duas empresas já confirmaram a instalação nas proximidades da Via Estrutural, o que sinaliza que o empreendimento pode funcionar como catalisador de um cluster tecnológico mais amplo no eixo.
O desenvolvimento do empreendimento conta com um ecossistema de parceiros que abrange design, desenvolvimento, licenciamento, construção e gestão de projetos. Entre os nomes envolvidos estão o programa Investe Pinda, a agência InvestSP do governo estadual, a Engemon e a LZA Engenharia.
O RiverHook Village 18 surge em um momento em que a demanda por capacidade de data center impulsionada por IA cresce a taxas sem precedentes em todo o mundo. Modelos de linguagem, sistemas de visão computacional, plataformas de inferência em tempo real e cargas de trabalho de treinamento de IA generativa consomem ordens de magnitude mais energia e mais poder de computação do que as aplicações corporativas tradicionais.
O Brasil tem recebido aportes crescentes de hiperescalas, como a AWS, a Microsoft Azure e o Google Cloud. O Village 18 insere-se nessa tendência com um diferencial: é um projeto nacional, concebido para atrair essas mesmas empresas como inquilinos em um campus dedicado e de última geração, capaz de competir em escala com instalações que hoje dominam mercados como o norte-americano e o europeu.
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