O uso de água em data centers tem ganhado destaque em discussões recentes, em meio à necessidade de grandes volumes para manter a operação dessas estruturas responsáveis pelo suporte ao ambiente digital. A água é um recurso central nos sistemas de resfriamento, especialmente diante do processamento intensivo de dados, mas o consumo elevado tem gerado preocupação por seus possíveis impactos ambientais de longo prazo.

Nesse cenário, soluções de resfriamento com água em estado líquido vêm sendo apontadas como alternativas para aumentar a eficiência. Segundo estimativas do setor, essa tecnologia pode reduzir o consumo de energia em até 40%. A prática integra um conjunto mais amplo de iniciativas voltadas a tornar o uso da água em data centers mais sustentável em escala global.

Um estudo do Open Compute Project (OCP) aponta que o resfriamento líquido oferece vantagens significativas para data centers, sobretudo pela maior eficiência energética. Segundo o levantamento, a transferência de calor em estado líquido pode ser até 50 vezes mais eficaz, o que contribui para reduzir o uso de água e diminuir a necessidade de equipamentos como ar-condicionado e ventiladores.

O método também ajuda a cortar custos operacionais e a reduzir a pegada de carbono, favorecendo práticas mais sustentáveis no longo prazo. O OCP destaca ainda benefícios adicionais, como menor nível de ruído, devido à redução da ventilação, e menor desgaste dos equipamentos, já que o resfriamento líquido reduz variações bruscas de temperatura.

O consumo de água em data centers tem crescido de forma acelerada nos últimos anos, impulsionado principalmente pelo avanço da inteligência artificial, que demanda volumes maiores de energia e, consequentemente, de resfriamento. Um relatório divulgado pelo Google aponta que seus data centers utilizaram 20 bilhões de litros de água, com estimativa de que a IA tenha contribuído para um aumento de 20% nesse consumo.

A empresa afirma, porém, que pretende adotar práticas mais sustentáveis. Entre as metas anunciadas está a devolução ao meio ambiente de aproximadamente 120% da água utilizada até 2030.

O setor também tem registrado o surgimento de novas tecnologias voltadas à redução do consumo hídrico. Um exemplo é a startup irlandesa Nexalus, que desenvolveu um sistema de resfriamento direto de chips por meio de jatos de água líquida e quente aplicados nos componentes, buscando maior eficiência no controle térmico.

A Hostinger incluiu o tema do resfriamento líquido em uma campanha dedicada a discutir o impacto ambiental dos data centers, com o objetivo de ampliar o debate e estimular práticas de consumo energético mais responsáveis no setor de tecnologia. A empresa, que atua no segmento de hospedagem de sites, identificou um uso elevado de energia em suas operações e passou a investir em estratégias voltadas à sustentabilidade.

Desde 2024, toda a energia utilizada pela empresa passou a ser de origem renovável, antecipando em dois anos a meta inicialmente prevista para 2026. Rafael Hertel, Country Manager da Hostinger no Brasil, afirmou que a iniciativa integra um conjunto mais amplo de ações voltadas à sustentabilidade.

Hertel diz que a conclusão da transição para 100% de energia renovável nos data centers reflete o compromisso da companhia com eficiência e responsabilidade ambiental. Ele destacou que a empresa busca demonstrar que é possível conciliar desempenho e escalabilidade com práticas sustentáveis.

Segundo a companhia, a tendência é que, nos próximos anos, tanto o consumo de água quanto o de energia elétrica enfrentem limitações caso o modelo atual de uso seja mantido. Nesse contexto, soluções sustentáveis devem ganhar relevância para permitir a continuidade do avanço tecnológico sem ampliar a pressão sobre o meio ambiente.