De um lado, Pernambuco. De outro, a Bahia. Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) são cidades vizinhas, separadas apenas pelo Rio São Francisco. Graças ao desenvolvimento da agricultura irrigada no Semiárido, a região é um dos maiores polos de produção e exportação de frutas do país, com destaque para os cultivos de manga e uva. Unidas pela atividade econômica, as duas cidades também compartilham uma rede de fibra ótica de alta velocidade, a rede metropolitana do Vale do São Francisco (Redevasf), que avança em direção ao interior do sertão pernambucano, beneficiando o ensino e a pesquisa e, consequentemente, o desenvolvimento econômico no meio rural.
 
Implantada pela RNP, a Rede Metropolitana do Vale do São Francisco (Redevasf) faz parte do Programa de Redes Comunitárias de Educação e Pesquisa (Redecomep) e foi a primeira rede ótica entre dois estados brasileiros, inaugurada em dezembro de 2014. Ao todo, é formada por 90 km de fibras óticas e interliga 13 instituições, entre elas universidades públicas, Institutos Federais e hospitais universitários. O ponto de apoio da RNP está localizado no campus principal da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), de onde a rede se conecta em 1 Gb/s ao Ponto de Presença da RNP em Recife, e, assim, à rede acadêmica nacional.
 
Em fevereiro de 2017, a RNP firmou uma parceria com o provedor de internet local Natel, para manutenção da rede, em troca do uso de um par de fibras. Além da manutenção, a Natel se comprometeu a conectar, por fibra ótica, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Semiárido, que fica a 42 km do centro de Petrolina. Esse foi o primeiro acordo da RNP para permuta de fibra por manutenção dentro do Programa Redecomep. Dessa forma, o provedor de internet local se responsabiliza pela manutenção da rede, em troca do uso do par de fibra da RNP na rede metropolitana.
 
De acordo com o portal da RNP, antes de se conectar a Petrolina, a Embrapa Semiárido chegou a ser atendida por um link de 2 Mb/s vindo de Campina Grande (PB). Depois, veio a conexão por rádio a 50 Mb/s. Hoje, conectada por fibra ótica a 1 Gb/s, a mudança foi significativa na qualidade do acesso à internet. As atividades de pesquisa foram as principais beneficiárias, o que permitiu que os pesquisadores do Semiárido pudessem participar de reuniões de trabalho com outras unidades da Embrapa e interagir com outras instituições.
 
A unidade da Embrapa tem sua atuação voltada para a sustentabilidade da agropecuária no Semiárido brasileiro, onde, devido aos fatores climáticos e naturais do bioma Caatinga, a pesquisa tem papel fundamental para o desempenho da produção agrícola, que depende da chuva e da agricultura irrigada. A estabilidade de internet é necessária para a transferência de dados de sequenciamento genético de plantas, que precisam ser analisados em outra unidade da Embrapa, de Informática Agropecuária, que fica em Campinas (SP).
 
Outra instituição que está conectada à Redevasf é o campus Petrolina Zona Rural do Instituto Federal Sertão Pernambucano, a 30 km do perímetro urbano. Segundo o gestor de TI do IF-Sertão, Francisco Hamilton, antes da chegada da fibra ótica a região só conseguia contratar links por rádio. “Pela própria topologia da zona rural, formada por morros, o sinal de internet por rádio nunca era o suficiente”, conta.
 
Após a assinatura do acordo de cooperação técnica do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) com o governo de Pernambuco, este mês, a expectativa é expandir a capilaridade da rede acadêmica da RNP para o interior pernambucano, utilizando as infraestruturas já existentes de provedores regionais e parceiros do setor elétrico. O maior deles é a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que soma 20 mil km de linhas de transmissão próprias. Dessa forma, é possível chegar, com conexão em alta velocidade, em escolas de educação básica e outros institutos de ensino estaduais e integrá-los ao restante do país.