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Sabe-se que uma efetiva governança pode melhorar a qualidade, disponibilidade e integridade da informação de uma organização, já que esta promove a colaboração e elaboração de políticas entre setores. 
 
No mundo corporativo globalizado de hoje, a informação passou a ser um recurso essencial. Tem que ser confiável, estar disponível a quem de direito, em qualquer local e no momento oportuno para a tomada de decisão. Para que isto seja possível, um longo caminho de construção e de revisão constante dos processos ligados ao tratamento da informação precisa ser experimentado pela organização.
Buscando aprofundar o tema, a DatacenterDynamics conversou com Ricardo Ferreira, diretor-geral da PolyIT Solutions.
 
DatacenterDynamics: O futuro da Governança da Informação está na nuvem? Por quê?
Ricardo Ferreira: Nos últimos dois anos, a adoção da tecnologia em nuvem tem aumentado rapidamente nas empresas. A Forrester prevê um crescimento de US$41 bilhões para US$241 bilhões até 2020.
A gama de benefícios oferecidos pelo uso de serviços em nuvem e da maturidade de fornecedores de nuvem está impulsionando a adoção em nível global.  As empresas estão aumentando o uso de tecnologias de nuvem e serviços gerenciados para acelerar as iniciativas de negócios, permitindo-lhes mais agilidade, flexibilidade e redução dos custos.
Os funcionários estão utilizando tecnologias de armazenamento baseados em nuvem para registros corporativos e isso está elevando os desafios para organizações. Cada organização tem a informação armazenada em uma multiplicidade de sistemas, computadores, discos compartilhados, repositórios, e agora muito mais destas informações estão se movendo para a nuvem.
Gerenciamento de conteúdo baseado na nuvem pode ser novo para uma organização e, como resultado, pode haver incerteza sobre os riscos envolvidos e as várias abordagens para mitigá-los. Às vezes, o conteúdo já está em nuvem e foi originalmente criado por um sistema colaborativo baseado em nuvem, aplicativo de mídia social, um sistema de ECM baseado em nuvem, ou simplesmente armazenado lá por um usuário final. Em outros casos, o uso da nuvem significa que o conteúdo de uma organização deixou os limites da rede corporativa interna e foi transferido para a nuvem.
 
DCD: O grande desafio hoje está em como capturar, conceituar, organizar e disponibilizar um conjunto imenso de informações, na mesma velocidade em que estas são geradas. Existe uma receita para isso? 
R.F.: A receita é bastante objetiva, pois requer pessoas, processos e tecnologia. No que diz respeito às pessoas, um programa de governança da informação requer um compromisso de todos os departamentos e todos os funcionários. Todos precisam estar comprometidos com o programa de governança da informação. Em termos de processos, muitas organizações estão olhando em seus processos atuais e atualizando-os para refletir no atendimento de novos requisitos de negócios e normativas legais. A tecnologia precisa ser atualizada para garantir que a governança esteja sendo aplicada de forma sistemática.
 
DCD: A tendência é que cresça a demanda por serviços capazes de implantar recursos em nuvem? Por quê?
R.F.: Ao unir uma plataforma de governança da informação com repositórios de conteúdo em nuvem, as organizações serão capazes de transformar imediatamente repositórios baseados em nuvem em um sistema de conformidade ao deixar usuários finais de negócio continuar a fazer uso deles. A Governança da Informação (GI) deve ser capaz de ser implantada dentro de uma infraestrutura de TI tradicional, um ambiente baseado em nuvem, um híbrido e nuvem; a GI deve ser capaz de governar informações armazenadas no local ou na nuvem. A Governança da Informação está se movendo rapidamente em direção a um modelo de serviço corporativo - permitindo que as empresas implantem serviços compartilhados em toda a complexa infraestrutura de TI; como serviço compartilhado padrão de infraestrutura de TI, elimina a dependência de usuários e permite a governança uniforme em todas as aplicações e sistemas. A fim de manter a competitividade e reduzir os custos, as organizações devem considerar a governança da informação como um serviço. Os dias de governança proprietária vinculada a silos de aplicações ou sistemas proprietários estão chegando ao fim.
 
DCD: É dever da organização controlar toda informação gerada  que fica distribuída em sistemas de gestão de conteúdo? Por quê?
R.F.: As organizações estão inundadas por pedidos de conformidade com os regulamentos e leis. Estas exigências vêm de diversas fontes da indústria e do governo. Para as organizações globais, os requisitos de conformidade também vêm de terras distantes onde os governos locais querem aplicar as suas próprias leis e regulamentos para as empresas que operam dentro de suas jurisdições. Comissão de Valores Mobiliários, Lei Sarbanes-Oxley (SOX), (HIPAA) e (FINRA), são apenas alguns dos rigorosos requisitos internacionais de governança. Estas leis aplicam-se a todas as informações corporativas - o conteúdo armazenado em sistemas de gerenciamento de conteúdo, discos compartilhados, e-mail e até mesmo armazéns físicos. Cada organização tem o dever junto a seus funcionários e clientes de proteger e garantir a segurança de todas as informações corporativas.
 
DCD: A PolyIT afirma que o futuro da governança da informação é a autoclassificação. Por quê? 
R.F.: Está comprovado que uma organização não pode contar simplesmente com os usuários finais para a classificação da informação. Hoje, graças ao Google, dispositivos móveis e sites de comércio eletrônico - os funcionários são inteligentes e têm maior conhecimento sobre tecnologia. Se a organização depende somente dos usuários para classificar o conteúdo, isso pode torna-se caro e sujeito a erros. A ideia por trás da governança da informação é de que a classificação se torne não intrusiva para o empregado. A função de governança deve ser automatizada e ser parte natural da infraestrutura de TI.
 
DCD: Qual o nível de maturidade do mercado brasileiro quando o assunto é Governança da Informação?
R.F.: O mercado brasileiro apresenta um processo de amadurecimento lento, se comparado ao mercado norte-americano ou europeu, onde as regulamentações normativas, leis e penalizações são mais rígidas, entretanto já existem várias empresas no mercado que apresentam iniciativas voltadas para esta necessidade. O termo Governança da Informação no Brasil é bastante novo para a maioria das empresas, que acreditam que governar é apenas “reter e descartar” informações, esquecendo que a informação tem outros pontos de importância por todo o seu ciclo de vida, como e-discovery, privacidade dos dados, metadados, leis, normas e regulações como também a disposição defensável dos registros por meio de políticas e processos auditáveis. 
 
DCD: O que podemos esperar para os próximos anos?
R.F.: A Governança da Informação está se tornando uma realidade. Nos próximos anos, as organizações estarão fazendo mudanças drásticas para garantir que esta seja aplicada de forma automatizada, em toda organização. Imagine este cenário - Há uma alteração na regulamentação para uma nova linha de produtos em uma jurisdição específica que afeta o período de retenção de informações. Um clique para aceitar a mudança no regulamento, atualizar automaticamente a política, e, em seguida, um segundo clique para implantar a política atualizada através de vários sistemas para a aplicação automática. Esse é o futuro da governança da informação!