O Paraguai pretende marcar presença no panorama das infraestruturas digitais da América Latina. O país estuda a construção de um data center especializado em inteligência artificial (IA) com o apoio de Taiwan, uma iniciativa que visa aproveitar a abundante capacidade de produção hidroelétrica do país para atrair investimentos em computação de alto desempenho e serviços digitais.

O projeto, avaliado em cerca de 200 milhões de dólares (1,01 bilhão de reais), prevê o desenvolvimento de um data center com aproximadamente 10 MW de capacidade, equipado com aceleradores gráficos da NVIDIA para executar cargas de trabalho de IA. A proposta insere-se no âmbito da cooperação tecnológica entre os países e pretende transformar o Paraguai em um polo regional para o processamento de dados e o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial.

Para além do projeto em si, a iniciativa reflete uma mudança de tendência: a América Latina começa a ganhar protagonismo na corrida global para atrair infraestruturas de IA, impulsionada pela disponibilidade de energia renovável, custos de eletricidade competitivos e margem para desenvolver novos parques de data centers.

Energia e infraestruturas: os trunfos do Paraguai

Um dos principais argumentos do Paraguai para atrair investimentos é sua capacidade energética. O país gera grande parte da sua eletricidade a partir das centrais hidroelétricas de Itaipú e Yacyretá, o que lhe permite dispor de um importante excedente de energia renovável a baixo custo.

Este fator revela-se especialmente atrativo para os operadores dedata centers, que procuram mercados capazes de oferecer grandes volumes de potência elétrica para responder ao crescimento da inteligência artificial. As novas cargas de trabalho baseadas em GPU exigem instalações com elevada densidade energética e fornecimento estável, dois requisitos que se tornaram determinantes na escolha de novas localizações.

A aposta do Paraguai insere-se em uma estratégia mais ampla para diversificar sua economia por meio do desenvolvimento de infraestruturas tecnológicas de elevado valor acrescentado, tirando partido de um recurso — a eletricidade — que, até agora, se destinava principalmente à exportação.

*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria