O CEO e fundador da Elea Data Centers, Alessandro Lombardi, defendeu, na segunda-feira, 24 de novembro, durante um debate na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que os data centers sejam formalmente reconhecidos como infraestrutura crítica no Brasil, com nível de proteção equivalente ao de setores como energia e abastecimento de água, informa o Tele.Síntese. Segundo ele, apesar de sustentarem serviços essenciais, essas estruturas ainda não contam com regulamentação específica nem recebem prioridade em situações de calamidade.
Lombardi citou como exemplo o data center de Porto Alegre, adquirido da Oi e modernizado pela empresa, que permaneceu em operação durante as enchentes de 2024. De acordo com o executivo, a unidade foi a única no sul do país a continuar operando, garantindo serviços a operadoras, órgãos públicos e hospitais.
Ele relatou que, durante a catástrofe no Rio Grande do Sul, a empresa enfrentou dias sem energia, sem água e com acesso limitado, dependendo diretamente da concessionária de distribuição. O executivo recordou que a Equatorial precisou transportar seus servidores de barco.
Durante o debate na Anatel, Lombardi destacou que mais de 3 milhões de usuários dependeram do funcionamento de um data center da empresa para manter a comunicação básica durante as enchentes de 2024. Segundo ele, o presidente da TIM chegou a ligar às sete da manhã, pedindo que a estrutura fosse preservada, já que “três milhões de pessoas se comunicavam por meio daquele único POP”.
Lombardi criticou o fato de, mesmo diante do risco sistêmico, a proteção civil não ter reconhecido o data center como prioridade. “Data center não está na lista das empresas que a gente precisa ajudar”, afirmou.
O executivo ressaltou, ainda, que a ausência de uma classificação oficial para os data centers como infraestrutura crítica representa uma vulnerabilidade nacional.
Ele defendeu que a Anatel avance na certificação prevista pela Resolução nº 780/2025 e trabalhe na consolidação de um marco regulatório que estabeleça responsabilidades, padrões de segurança e integração com políticas de recuperação em situações de desastre.
Lombardi chamou a atenção para a dependência externa do Brasil no armazenamento digital. Segundo ele, cerca de 62% dos dados brasileiros estão atualmente hospedados fora do país, o que evidencia uma vulnerabilidade estratégica. Lombardi relacionou esse cenário ao elevado custo de instalação e operação de grandes data centers em território nacional, apontando que a infraestrutura local ainda enfrenta barreiras econômicas significativas.
O executivo avaliou o programa ReData como um avanço, ao eliminar a cobrança de impostos sobre equipamentos destinados a data centers. No entanto, ressaltou que a medida, embora positiva, não é suficiente para consolidar o setor. Para Lombardi, além de incentivos fiscais, o Brasil precisa garantir segurança regulatória capaz de atrair operadores de hiperescala, assegurando padrões de confiabilidade, estabilidade e competitividade internacional.
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