Os países do BRIC defenderam a existência de cabos submarinos para ligar os países do bloco, pelo que pretendem realizar um estudo de viabilidade técnica e econômica para a construção de uma rede de comunicação de alta velocidade mediante cabos submarinos.
Conforme o presidente brasileiro, "fazer um estudo de viabilidade para o estabelecimento de cabos submarinos ligando diretamente membros do Brics aumentará a velocidade, a segurança e a soberania na troca de dados", disse Lula durante o seu discurso na segunda sessão plenária da Cúpula, conforme relatado pela agência de notícias brasileira EBC.
De acordo com o governo brasileiro, o estudo será financiado pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco Bric. "Os cabos de fibra óptica onde hoje circulam os dados são muito concentrado no Norte Global. Nós vamos fazer esse estudo de viabilidade. Foi uma decisão dos 11 países, e nós vamos buscar o NDB", disse a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
Atualmente, a maior parte dos cabos pertence a países como Estados Unidos, França, Japão e China. Para o governo do gigante sul-americano, ter seus próprios cabos submarinos, é "decisiva para uma agenda de desenvolvimento dos países".
O país pertence aos BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Participam também como países colaboradores: Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Tailândia, Cuba, Uganda, Malásia, Nigéria, Vietnã e Uzbequistão.
Os membros permanentes do grupo representam 39% da economia mundial, 48,5% da população mundial e 23% do comércio global. Em 2024, os países do BRICS receberam 36% de tudo o que foi exportado pelo Brasil, enquanto o Brasil compra desses países 34% do total das importações.
Inteligência Artificial
Na Declaração Final da 17ª Reunião da Cúpula, na Declaração do Rio de Janeiro, os países assinalaram positivamente a construção de uma rede própria. "Saudamos a proposta brasileira de discutir, em 2025, a conclusão de um "Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica" para o estabelecimento de uma rede de comunicações de alta velocidade por meio de cabos submarinos entre os países do BRICS", diz o texto.
No mesmo documento, os países aprovaram um documento específico sobre Governança Global da Inteligência Artificial. De acordo com o ministro brasileiro, existem 11 centros de competência para desenvolver soluções de inteligência artificial para diversos temas nas áreas de saúde, educação e agricultura, que buscam atender às necessidades brasileiras. Estes centros fazem parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que conta com um orçamento de 23 milhões de reais.
"A inteligência artificial, assim como todas as revoluções tecnológicas, não precisa ser vista como o bicho-papão, precisa ser dominada. E o Brasil está demonstrando que pode fazer isso", disse Santos.
"Têm várias soluções brasileiras de inteligência artificial, e é isso que a gente quer, que, cada vez mais, a ciência e a tecnologia se aproximem das as pessoas e não tenham os vieses que a gente conhece hoje, de uso indevido, de intolerância, de ódio, ou que afete a democracia, que seja usado contra os interesses da democracia e contra os interesses das pessoas", acrescentou.
Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar de não ter feito declarações concretas sobre os pontos discutidos pelos países do BRIC durante a Cúpula realizada no último fim de semana, declarou através da sua rede social Truth que vai aplicar uma tarifa adicional de 10% "a qualquer país que se alinhe com as políticas anti-EUA dos BRICS".
Em resposta, o presidente brasileiro disse que "não parece responsável que um presidente ameace o mundo através da Internet". A China, por sua vez, respondeu que "o uso de tarifas não beneficia ninguém".
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