A Padtec anunciou a criação de uma nova unidade de negócios dedicada a projetos de infraestrutura submarina e costeira. A divisão, chamada Padtec Marine Networks (PMN), marca o retorno da companhia ao setor de cabos submarinos após a venda dessa operação à americana IPG em 2019, de acordo com reportagem da Bloomberg Línea.

Como parte da estratégia, a empresa também adquiriu 85% da LEV Brasil, especializada em estudos geológicos, engenharia marinha e licenciamento ambiental. Os 15% restantes permanecem com o fundador, Antonio Badagola, que assumirá a liderança executiva da nova unidade. Os valores da transação não foram divulgados, e o investimento será destinado à capitalização da LEV.

Segundo o CEO Carlos Raimar Schoeninger, a iniciativa busca aproveitar o crescimento da demanda por infraestrutura de transmissão de dados, impulsionada pela expansão de data centers e aplicações de inteligência artificial. Ele afirmou que o mercado vive um “renascimento”, com um volume inédito de projetos simultâneos no Atlântico, no Pacífico e no Caribe, e que a PMN já nasce com uma carteira acima do inicialmente previsto.

A Padtec trabalha atualmente em mais de dez projetos na área de infraestrutura submarina, três deles em fase avançada e com possibilidade de assinatura ainda em 2024, segundo Schoeninger.

Embora a empresa não divulgue projeções formais, a expectativa é que a nova unidade gere entre 50 e 150 milhões de reais em receita neste ano, valor que pode variar devido a etapas de licenciamento e a permissões ambientais.

No longo prazo, a companhia mira ao menos 25% do mercado latino‑americano de infraestrutura submarina, estimado em 2 a 3 bilhões de dólares (10 a 15 bilhões de reais), o que representaria entre 500 a 750 milhões de dólares (2,5 a 3,8 bilhões de reais) em participação. Schoeninger afirma que o potencial da nova divisão pode superar o faturamento das demais áreas do grupo.

Após vender sua antiga operação de cabos submarinos em 2019, a Padtec concentrou-se em equipamentos e sistemas DWDM, além de serviços e softwares. Com o fim do período de non‑compete e o aumento da demanda, a empresa voltou a atuar na infraestrutura submarina, impulsionada inclusive por antigos clientes.

Schoeninger, que integrava o conselho à época da venda, avalia que a decisão foi necessária diante da situação financeira da empresa e do ciclo desfavorável do mercado. Segundo ele, o retorno ao setor foi motivado pelos próprios clientes, que manifestaram interesse na retomada da atuação da Padtec no segmento.

A Padtec pretende concentrar sua atuação em projetos de infraestrutura submarina em águas rasas no Brasil e em outros países da América Latina, incluindo o Caribe, áreas nas quais já possui experiência técnica. Segundo a empresa, esse tipo de operação exige navegação e controle especializados devido às características da plataforma continental brasileira.

A estratégia inclui participar de projetos próprios ou em parceria com outras companhias, inclusive concorrentes que atuam em cabos intercontinentais, para executar trechos próximos à costa — o chamado shore end. Outro foco será o mercado de monitoramento e manutenção de sistemas já instalados, além da oferta de estoques de equipamentos e cabos mais próximos do litoral brasileiro, o que reduz a dependência de suprimentos externos.

A empresa avalia que a baixa profundidade aumenta a incidência de falhas causadas por âncoras e embarcações, reforçando a necessidade de operadores especializados na região. Nesse contexto, a Padtec busca se posicionar como uma provedora de “infraestrutura crítica digital”, ampliando sua atuação para além do fornecimento de equipamentos e serviços tradicionais e abrangendo toda a cadeia necessária para manter sistemas digitais em operação.