A empresa brasileira Pátria Investimentos será a desenvolvedora do projeto de data center que será construído pela empresa de energia renovável Casa dos Ventos, no estado do Ceará.
Segundo informações da BNamericas, o local teria como cliente a empresa chinesa ByteDance, dona do TikTok, no entanto a empresa ainda não assinou o contrato definitivo.
A Pátria Investimentos, ex-proprietária da Odata, lançou recentemente a Omnia, uma plataforma de data center em hiperescala voltada para atender a crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial. Projetada para atender às necessidades de hiperescaladores de nível 1, a Omnia desenvolverá, construirá e operará data centers de ultragrande porte, especialmente projetados, em toda a América Latina, totalmente alimentados por energia verde e renovável e alinhados a altos padrões de sustentabilidade.
Segundo a BNamericas, a Casa dos Ventos estaria em negociações com potenciais parceiros para viabilizar o projeto. A Pátria Investimentos não quis realizar comentários à respeito, tampouco há comunicados ou declarações das empresas em suas páginas web que confirmem essa informação.
O projeto, com orçamento inicial de 50 bilhões de reais (9,25 bilhões de euros), deverá ser construído no município de Caucaia, dentro do complexo industrial do Pecém. Seu primeiro prédio, com capacidade de 288 MW, começará a ser construído no segundo semestre de 2025.
As aprovações, concedidas pelo Ministério de Minas e Energia e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ocorreram após uma rejeição inicial. No entanto, as aprovações foram finalmente concedidas entre o final de 2024 e os primeiros meses de 2025, embora as aprovações finais dependam da implementação de melhorias estruturais para evitar sobrecarga do sistema de transmissão.
Casa dos Ventos e Pátria Investimentos
A empresa de energia renovável ingressou no segmento de data center depois que a TotalEnergies adquiriu uma participação de 34% na empresa em 2022. Tal acordo incluiria uma cláusula de earn-out, um mecanismo de precificação em fusões e aquisições em que parte do preço de compra depende do desempenho futuro do negócio.
A Casa dos Ventos possuía energia eólica não utilizada na região e buscava demonstrar o valor de seu complexo energético para a TotalEnergies. Isso a levou a enxergar data centers como uma oportunidade estratégica. Empresas presentes no Brasil e em outros países da América Latina avaliaram o projeto, mas a Pátria Investimentos foi escolhida como parceira, criando um negócio de data center que alavancaria o parque energético e justificaria a rentabilidade do acordo. O capital e a experiência da Pátria foram fatores-chave para viabilizar a execução do projeto.
Há apenas algumas semanas, o governo brasileiro criou um plano para atrair data centers para o país, isentando de impostos federais investimentos em tecnologias relacionadas. Essas empresas se beneficiarão de isenções fiscais em zonas de processamento de exportação (ZPEs). O BNamericas relata que essa decisão está incluenciada pelo projeto Pecém, que é tanto um centro industrial quanto uma ZPE. As novas regulamentações permitem que data centers dedicados a cargas de trabalho globais, como treinamento em inteligência artificial, acessem esses benefícios fiscais. Segundo fontes, tanto o governo do Ceará quanto a Casa dos Ventos pressionaram intensamente a aprovação dessa inclusão.
A BNamericas revisou documentos sobre o futuro complexo de data centers no Ceará, que detalham o uso progressivo de energia e as mudanças no projeto, especialmente após a rejeição inicial pela Aneel. O projeto inclui dois data centers: DC Pecém I e DC Pecém II, com capacidade total aprovada de 288 megawatts até 2034. Pecém I, desenvolvido pelo Pátria, entrará em operação com uma demanda de 36 MW em dezembro de 2027. Esse número aumentará ano após ano até atingir 288 MW em 2034.
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