A indústria de telecomunicações vive um aumento contínuo no tráfego de dados, enfrenta novas exigências regulatórias e observa maior demanda por serviços digitais corporativos. Nesse cenário, o setor avança para um modelo descrito como “Fábricas de IA”.

Estimativas da PwC indicam que o consumo global de dados deve crescer de 3,4 milhões de petabytes em 2022 para 9,7 milhões em 2027. A IDC projeta que a receita mundial de software de infraestrutura em nuvem para operadoras passará de 12,9 bilhões de dólares para 27,3 bilhões (68,1 bilhões e 144,1 bilhões de reais) no mesmo período. Já a Statista prevê que o mercado de inteligência artificial na América Latina terá expansão média anual de 27% entre 2025 e 2030.

Diante desse contexto, a Oracle apresentou, no Mobile World Congress de Barcelona, sua estratégia “IA Muda Tudo para a Operadora Autônoma”, que propõe integrar inteligência artificial às redes, às operações, à experiência do cliente e aos serviços digitais corporativos.

Para operadoras de telecomunicações, a inteligência artificial deixou de ser um recurso complementar e passou a ocupar posição central nas estratégias de expansão, especialmente na migração para o mercado B2B. Segundo Ángel Alija, vice-presidente sênior de Telecomunicações da Oracle Latin America, tecnologias como IA, nuvem distribuída e automação permitem modernizar operações, elevar a eficiência e criar serviços corporativos. Nesse modelo, a conectividade torna-se apenas a base, enquanto o diferencial competitivo surge da capacidade de atuar como plataforma de inovação.

O setor, porém, ainda enfrenta limitações estruturais, como sistemas fragmentados, lentidão na resolução de incidentes e exigências crescentes de soberania e governança de dados. Em ambientes regulados, proteção de informações, conformidade e gestão do ciclo de vida de serviços de IA tornam-se fatores essenciais.

Durante o Mobile World Congress, a Oracle apresentou uma estratégia que propõe transformar as operadoras em “fábricas de IA” por meio de um modelo soberano. A abordagem combina IA soberana, automação e arquitetura de nuvem distribuída, permitindo processamento descentralizado entre ambientes on-premises e edge, com baixa latência, isolamento de cargas e controles de segurança uniformes. O objetivo é facilitar a atuação em contextos regulatórios rigorosos e apoiar a oferta de serviços corporativos sob modelos de marca própria.

A Oracle apresentou quatro módulos integrados voltados à modernização das operações das operadoras. O Sovereign AI TechCo Suite reúne gestão unificada de inventário, análise automatizada de causa raiz, gêmeos digitais e redução do tempo médio de reparo, operando sobre infraestrutura de nuvem soberana.

O módulo de CX Autônomo Alimentado por IA utiliza agentes inteligentes e automação para unificar marketing, vendas e suporte, com base em dados integrados e em processos automatizados.

Em Comunicações de Voz Habilitadas por IA, a empresa oferece recursos voltados a ambientes corporativos UCaaS e CCaaS, com foco em integração e conformidade regulatória. Já o módulo de Comunicações Industriais Habilitadas por IA promove integração segura entre nuvem distribuída e edge para setores críticos. Durante o evento, foi demonstrado um caso de uso em saúde, com sincronização em tempo real entre ambulâncias, clínicas e hospitais, por meio de conectividade de baixa latência.

A arquitetura distribuída da Oracle opera em regiões isoladas em domínios de nuvem independentes, mantendo padrões uniformes de segurança, desempenho e conformidade. Com o Oracle Alloy, operadoras podem atuar como provedoras de serviços em nuvem e oferecer soluções corporativas sob marca própria.

Até 2028, a autonomia operacional baseada em inteligência artificial deve se consolidar como elemento central na estratégia das operadoras de telecomunicações, afirma Ángel Alija. Segundo ele, a prioridade do setor é adotar tecnologias que ampliem eficiência, escalabilidade e capacidade de geração de receita.

A Oracle destaca que seu portfólio integrado — que reúne aplicações, bancos de dados, infraestrutura em nuvem e recursos de IA — foi desenvolvido para apoiar a modernização das redes e a criação de serviços corporativos em ambientes sujeitos a regulamentações rigorosas.