A Ascenty começou 2018 comemorando a inauguração de seu primeiro data center no Rio de Janeiro, que entrou em operação em dezembro de 2017.
Sob o comando de Chris Torto, cidadão norte-americano com residência permanente no Brasil desde 1989, a Ascenty, fundada em 2010, é hoje uma das maiores provedoras de data centers do Brasil, com data centers em operação em Campinas, Jundiaí, Hortolândia, Sumaré, região metropolitana de Fortaleza, São Paulo (SP1 e SP2) e o recém-inaugurado no Rio de Janeiro.
A empresa tem se concentrado na construção e operação de data centers de classe mundial. Para colocar as metas em prática, a Ascenty aumentou, recentemente seu financiamento de 190 milhões de dólares para 350 milhões de dólares, liderado pelos bancos Itaú e ING. Além destas, outras instituições financeiras, como Banco do Brasil, Natixis, Credit Agricole, Santander, Citi e outras, participaram do novo financiamento. O aporte apoia o plano de expansão da empresa, que terá 13 data centers até 2019.
Em entrevista exclusiva, o CEO da Ascenty, fala sobre o início das operações na unidade do Rio de Janeiro; para ele, um passo importante na disponibilização de serviços de alto desempenho de data center e telecomunicação da Ascenty. O início da operação no Rio, faz parte do planejamento da empresa de expandir sua atuação no Brasil e América Latina nos próximos anos, por conta da crescente demanda do mercado por infraestrutura e conectividade. Leia, a seguir.
DatacenterDynamics: Quanto foi investido no data center?
Chris Torto: A unidade teve investimento inicial de R$100 milhões.
DCD: O data center carioca já possui uma forte demanda?
C.T.: Dentro dos planos de expansão da Ascenty, o mercado do Rio de Janeiro é extremamente estratégico, pois grandes companhias atuam na região e algumas já são nossas parceiras em outras unidades da empresa. Estamos na fase inicial da operação e uma parte significativa da infraestrutura já foi comercializada, o que indica que estamos no caminho correto.
DCD: Qual é a estrutura do data center?
C.T.: O site foi planejado para uma potência total de energia de 15 MVA, com redundância Tri-bus (três linhas de energia estáveis atendendo cada módulo). Possui sistema de geração a diesel, que permite uma autonomia de 48 horas sem reabastecimento. Para garantir a refrigeração, opera com sistema de água gelada, com chillers a ar de alto desempenho, sempre com redundância N+2. O data center é monitorado por câmeras CFTV 24x7, que detectam movimento em alta definição e armazenam as imagens por mais de 90 dias. Possui controle de acesso por dupla autenticação, sendo biometria e cartão magnético, além de contar com o profissionalismo de uma equipe própria de segurança 24x7. No quesito conectividade, o data center possui duas salas de telecom, com entrada redundante subterrânea de fibra ótica, que possuem conectividade com as principais operadoras de telecom.
DCD: Quantos metros quadrados possui o data center?
C.T.: O data center possui 6.000 m² de área construída, dos quais 2.180 m² de área dedicada para TI.
DCD: Com relação ao cabeamento, o data center possui um anel de fibra óptica?
C.T.: O cabeamento interno do data center é composto por 6 racks estrategicamente distribuídos, interligados por um anel de fibra óptica monomodo. Esses racks e o anel de fibra óptica são responsáveis pelo trafego de dados dos sistemas de CFTV, Controle de Acesso, BMS e Network da Operação, trazendo maior flexibilidade ao Facilities.
Além disso, a Ascenty está construindo uma rede de fibra óptica própria de aproximadamente 150 km para atender as principais demandas por conectividade dos clientes hospedados nessa unidade. O data center do Rio de Janeiro é um carrier neutral, que significa que pode ser abordado por diferentes operadoras para garantir melhor conectividade aos clientes.
DCD: O data center está preparado para a alta densidade e para a cloud computing?
C.T.: Todos os data centers da Ascenty foram projetados para alta densidade elétrica e mecânica que permite que provedores de cloud computing fiquem altamente confortáveis com a solução Ascenty.
DCD: Ascenty vem usando alguma estratégia para combater as altas temperaturas do Rio?
C.T.: O projeto contemplou as condições climáticas do município para garantir a refrigeração adequada à infraestrutura, com base em normas nacionais e internacionais de certificação. Como a cidade do Rio de Janeiro possui uma temperatura ambiente muito elevada não adotamos a solução em free cooling. Para garantir a refrigeração com um sistema de alto rendimento e economia de energia, o data center opera com sistema de água gelada com chillers a ar de alto desempenho, com tecnologia inverter e sistema RapidRestore, sistema de resfriamento interno operando nos corredores técnicos laterais, ambos com redundância N+2, insuflamento por piso elevado de 1m e capacidade de refrigeração de 2.450 TR.
DCD: Foram seguidas recomendações da ASHRAE de subir a temperatura para 27º para conseguir o PUE inferior a 1,5?
C.T.: O PUE pode chegar em 1.5 se os clientes permitirem que a temperatura suba para 27 graus e que tenhamos uma utilização de espaço e energia superior a 50%.
DCD: Critérios ambientais foram levados em consideração?
C.T.: A Ascenty está compromissada com o meio ambiente e promove entre seus colaboradores o exercício de suas atividades de forma sustentável, respeitando as políticas ambientais, os recursos naturais, por meio da prática de reciclagem e de seu uso de forma eficiente. Estamos focados em reduzir a geração de resíduos e prevenir a ocorrência de danos ambientais, utilizando procedimentos e tecnologias ambientalmente adequadas no gerenciamento dos produtos e serviços, visando a melhoria contínua do desempenho ambiental. Somos a primeira empresa de data center a obter a certificação ISO 14001, que garante que estamos de acordo com as boas práticas ambientais.
DCD: Quais certificações a Ascenty pretende solicitar para o data center?
C.T.: O data center do Rio Janeiro já recebeu a certificação TR3 da TÜV Rheinland, que garante que a unidade apresenta as especificações estabelecidas ainda no projeto. Além disso, a unidade receberá outras importantes certificações já disponíveis nos demais data centers da empresa, como ISO 27001, ISAE 3402, SSAE 16, dentre outras.
DCD: Em que bairro o data center está instalado?
C.T.: A infraestrutura está localizada na região industrial do município do Rio de Janeiro (Pavuna). O espaço foi escolhido por atender todos os requisitos técnicos e de segurança que um data center TR3 precisa e por ter fácil acesso às redes de telecomunicações.
*Chris Torto é administrador de empresas, formado pela University of Maine e possui MBA pela Harvard University, ambas universidades nos Estados Unidos. Foi o fundador e CEO da Vivax, a segunda maior operadora de TV a cabo no Brasil, que iniciou suas atividades em 1995. Em 2006, conduziu a abertura de capital da Vivax, que posteriormente foi adquirida pela NET Serviços em 2007. Chris também foi CEO da Voyager Inc., uma empresa de internet, em que conduziu a abertura de capital em 1999 (a empresa foi adquirida por um grupo de telecomunicações norte-americano em 2000).
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