A Nvidia e a AMD concordaram em pagar ao governo dos EUA 15% da receita gerada com a venda de chips para a China como condição para obter licenças de exportação de semicondutores.
Citando pessoas familiarizadas com a situação, o FT informou que o acordo financeiro foi fechado na semana passada.
A instabilidade no departamento inicialmente levou à estagnação das aprovações de licenças de exportação, incluindo as dos chips Nvidia H20 e AMD MI380. No entanto, em 8 de agosto, o Departamento de Comércio começou a emitir licenças de exportação, dois dias depois que o CEO da Nvidia, Jensen Huang, se reuniu com o presidente Donald Trump.
"Não foi determinado o que o governo Trump fará com 15% dos lucros da venda", comenta o FT.
É a primeira vez que as empresas chegam a um acordo desse tipo com o governo dos EUA para obter licenças de exportação de produtos. O Financial Times afirmou que o Departamento de Comércio e a AMD não responderam aos pedidos de comentários, enquanto a Nvidia disse: "Seguimos os padrões estabelecidos pelo governo dos EUA para nossa participação nos mercados globais".
A Nvidia anunciou em 14 de julho que o governo Trump concordou em começar a conceder licenças de exportação, revertendo uma decisão tomada pelo governo em abril de impor restrições adicionais às exportações de chips H20 para a China.
Na época da proibição original, a Nvidia disse que custaria cerca de 5,5 bilhões de dólares (30 bilhões de reais) em encargos associados ao estoque H20, compromissos de compra e reservas relacionadas. Por outro lado, a AMD disse em sua apresentação de resultados mais recente que as restrições à venda de seu acelerador Instinct MI308 para a China resultaram em um total de 800 milhões de dólares (4,3 bilhões de reais) em custos durante o segundo trimestre de 2024, levando seu segmento de data center a registrar uma perda operacional.
A revogação da proibição provocou uma reação exacerbada entre alguns legisladores dos EUA e especialistas em segurança nacional, com o congressista republicano John Moolenaar, presidente de um painel da Câmara sobre a China, escrevendo ao secretário de Comércio, Howard Lutnick, no mês passado para condenar a medida e solicitar um briefing.
Um grupo de 20 especialistas em segurança nacional e ex-funcionários do governo enviou uma carta separada a Lutnick pedindo ao governo Trump que reverta sua decisão, descrevendo o H20 como "um potente acelerador das capacidades de IA de fronteira da China, não um chip de IA desatualizado".
A mídia estatal chinesa também afirmou que os chips H20 da Nvidia representam um problema de segurança nacional para a China. A Reuters informou que o governo já havia expressado preocupação com a possibilidade de um acesso backdoor ser inserido em semicondutores.
Um artigo postado em uma conta de mídia social associada à mídia estatal da China disse: "Quando um tipo de chip não é ecologicamente correto, avançado ou seguro, como consumidores certamente temos a opção de não comprá-lo".
Apesar disso, o governo chinês ainda quer que os EUA aliviem os controles de exportação de chips HBM (memória de alta largura de banda), necessários para o desenvolvimento de semicondutores de IA, como parte das negociações para um acordo comercial EUA-China.
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