O Serpro e o Ministério da Saúde anunciaram a implantação de uma nuvem soberana para armazenar dados de saúde dos brasileiros, informa o site Convergência Digital. A estrutura será responsável por concentrar mais de 5 milhões de registros administrados pela pasta.

Na fase inicial, já em execução, ocorre a migração das informações do Datasus para o novo ambiente. O contrato dessa etapa é de 18 milhões de reais. Segundo o presidente do Serpro, Wilton Mota, a nuvem será operada integralmente por equipes do órgão, tornando o Brasil o único país a manter 100% dos dados públicos de saúde em infraestrutura própria.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a iniciativa representa um avanço para o SUS, comparando a mudança à transição de um sistema “que vivia de aluguel” para uma “casa própria” dos dados da população.

A segunda fase, chamada pela secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estella Hadad, de “repatriação digital”, prevê a migração completa da Rede Nacional de Dados em Saúde para a nuvem soberana. A terceira etapa será dedicada à consolidação do sistema, com oferta de serviços digitais mais ágeis ao cidadão.

Ana Estella Hadad afirmou que a implantação da nuvem soberana busca garantir o controle e a operação direta do poder público sobre dados de saúde, considerados sensíveis e críticos. Segundo ela, a prioridade é assegurar a continuidade dos serviços essenciais.

Hadad informou que uma segunda nuvem soberana será instalada em São Paulo, com estruturas no Serpro e no Banco do Brasil. Todos os dados serão tratados em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A nuvem também receberá informações da saúde suplementar, fornecidas pela ANS, restritas aos registros de atendimentos, sem conteúdo clínico.

Mota explicou que o projeto envolve parcerias com empresas privadas, como AWS, Google e Huawei. Cada empresa deve assinar um documento que reconheça e cumpra a legislação brasileira de proteção de dados. Até agora, apenas a Huawei aceitou os termos.

Hadad destacou que o volume de dados de saúde deve crescer de 700 mil registros em 2022 para 5 bilhões em 2026, impulsionado pela expansão da digitalização nas unidades básicas de saúde (UBS). Atualmente, 84% das equipes utilizam prontuário eletrônico. Um edital em andamento prevê conectar mais 3,8 mil UBS com recursos do FUST, enquanto outras 1,1 mil unidades em áreas remotas receberão conexão via satélite.