Palestrante frequente dos eventos do DatacenterDynamics, Manoel Veras de Sousa Neto, doutor pela Universidade de São Paulo (USP), sócio da ITCTS e professor na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, dedicou ao cloud computing seu último livro, o “Arquitetura de Nuvem”, e faz um panorama sobre a adoção e o desenvolvimento da tecnologia no Brasil. Segundo ele, o avanço acontece de forma lenta.
“No Brasil, estamos avançando, eu diria, que de uma forma lenta. Tanto na definição das políticas para o setor, como na adoção por parte de empresas estatais e do setor privado. Eu diria que ainda estamos na fase de entender o conceito. A fase de implementação ainda virá. Se fizermos uma analogia com a adoção do comércio eletrônico, estamos no início da adoção e em um certo momento o avanço será exponencial”, acredita.
Confira a íntegra da entrevista
Quais foram os motivos que o levaram a escrever seu último livro, chamado “Arquitetura de Nuvem”?
Existe uma mudança em curso. Com a adoção de “cloud services”, transformaremos o pessoal de infraestrutura em arquitetos de infraestrutura. Ou seja agora teremos dois arquitetos trabalhando muito mais próximos: o arquiteto de software e o arquiteto de infra. Boa parte das organizações mudará de um modelo baseado em aquisição de infra (CAPEX) para utilização de infra na forma de serviços (OPEX). Só estamos começando a mudança.
Em que nível de maturidade poderíamos dizer que está a nuvem no Brasil, se comparamos com outros países?
No Brasil, estamos avançando, eu diria, que de uma forma lenta. Tanto na definição das políticas para o setor, como na adoção por parte de empresas estatais e do setor privado. Eu diria que ainda estamos na fase de entender o conceito. A fase de implementação ainda virá. Se fizermos uma analogia com a adoção do comércio eletrônico, estamos no início da adoção e em um certo momento o avanço será exponencial. Quem diria que um grupo nacional de varejo pudesse chegar a faturar R$ 1 Bilhão vendendo pela internet? Com a nuvem não será diferente, avançaremos rápido após essa fase inicial. As vantagens são muito grandes.
Como os profissionais de infraestrutura de TI enxergam atualmente a nuvem, existe, nos dias de hoje, uma maior aceitação e confiança?
Os profissionais começam a entender o modelo, ainda com restrições ligadas à segurança e garantia do nível de serviços relacionados à conectividade. Isto está avançando! Tenho treinado muita gente no Brasil que se surpreende quando mostramos o potencial da nuvem.
Como a mensagem do livro “Arquitetura de Nuvem” pode contribuir para que os profissionais de data center entendam o novo perfil que devem desempenhar?
Atenção - O DATACENTER é a peça chave da computação em nuvem. Grandes empresas estão construindo malhas mundiais baseadas em grandes DATACENTERS que respondem aos desafios da alta disponibilidade e eficiência energética. Precisamos formar arquitetos desta nuvem.
Como você vê o futuro da nuvem no Brasil, ainda existe muito caminho para ser percorrido?
O caminho é longo. Muita coisa vai acontecer ainda, incluindo a melhoria dos serviços disponibilizados pelas operadoras, surgimento de novos fornecedores de nuvem, novos brokers de nuvem e até de auditores de nuvem. Empresas e organizações públicas devem passar a utilizar um modelo híbrido inicialmente (envolve uso de nuvem pública e privada), e depois, algumas delas podem até adotar o modelo público. Startups passam a levantar voo já na nuvem. Esse é o futuro.