A Millicom se juntou à lista de candidatos interessados em adquirir a filial da Telefônica no Chile, em um processo que poderá redefinir o mapa competitivo do mercado móvel chileno e aprofundar a reordenação dos ativos da empresa espanhola de telecomunicações na América Latina. A possível entrada do grupo, presente na região sob a marca Tigo, soma-se ao interesse já conhecido da América Móvil e da Entel, embora, por enquanto, não haja garantia de que qualquer uma dessas abordagens resulte em uma oferta definitiva.
Millicom entra no radar da Telefônica Chile
De acordo com fontes citadas pela Bloomberg, a Millicom teria manifestado seu interesse preliminar pela Telefônica Chile, avaliando a possibilidade de apresentar uma proposta pelo negócio. A operação significaria a entrada da Millicom em um novo mercado móvel na região, em que já se beneficiou da onda de desinvestimentos da Telefônica nos últimos anos.
Telefônica acelera seu reposicionamento na América Latina
No último trimestre de 2025, a Millicom concluiu a compra das unidades da Telefônica no Uruguai e no Equador, reforçando sua presença regional e consolidando uma relação crescente entre os dois grupos. Paralelamente, um acordo para a aquisição conjunta de ativos na Colômbia continua pendente de aprovação regulatória, enquadrando-se na estratégia da Telefônica de simplificar sua presença na América Latina e liberar recursos para outros mercados prioritários.
América Móvil e Entel, candidatos isolados
A América Móvil e a Entel também estão entre os potenciais compradores da Telefônica Chile, embora o seu plano inicial de apresentar uma oferta conjunta tenha sido abandonado e cada grupo explore agora a possibilidade de concorrer separadamente. A desarticulação desta aliança abre a porta a um cenário de licitação mais fragmentado, no qual a Millicom se posiciona como um terceiro ator relevante.
Um mercado móvel altamente disputado
Dados da GSMA Intelligence colocam a Entel como a maior operadora móvel do Chile, com 10,3 milhões de conexões no quarto trimestre de 2025. Atrás dela estão as operações da América Móvil, Telefónica e Novator, com uma base entre 5 e 5,6 milhões de linhas cada, o que configura um mercado muito competitivo, no qual qualquer operação de fusão e aquisição teria impacto direto na quota de mercado e na capacidade de investimento em redes.
Avaliação estratégica em curso
Em uma comunicação ao regulador do mercado de capitais em outubro de 2025, a Telefônica Chile confirmou que sua matriz havia iniciado um “processo de avaliação estratégica” do negócio, que poderia resultar em uma venda. Por enquanto, a análise continua em aberto e nenhum acordo foi formalizado, de modo que o interesse da Millicom, América Móvil e Entel se enquadra em uma fase preliminar de exploração de cenários.
*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria
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