Até 2028, um quarto das empresas deve enfrentar frustração com a adoção de nuvem, segundo projeção do Gartner. O motivo central é a combinação de expectativas irreais, falhas de implementação e aumento descontrolado de custos, cenário agravado por migrações do tipo lift and shift, em que sistemas são apenas transferidos para a nuvem sem modernização.

Dennys Cabrerizo, gerente técnico de arquitetura da Dedalus, afirma que essa prática apenas desloca problemas já existentes e impede ganhos reais de eficiência. Para ele, modernizar aplicações antes da migração é essencial para alcançar resultados financeiros concretos e criar estruturas realmente otimizadas para o ambiente em nuvem.

A modernização, segundo especialistas, segue dois caminhos principais:

  • Replatform: opção menos complexa, envolve substituir componentes legados por serviços gerenciados nativos da nuvem, como trocar um banco de dados tradicional por um serviço automatizado.
  • Refactor: abordagem mais profunda, que redesenha partes da aplicação para melhorar desempenho e escalabilidade.

A avaliação geral é que apenas com modernização consistente as empresas conseguem extrair o verdadeiro valor da computação em nuvem.

A modernização de sistemas, antes vista como um processo caro e complexo, vem sendo transformada por novas tecnologias. Entre elas, destaca-se o uso de Inteligência Artificial para converter códigos legados em linguagens modernas e adequadas ao ambiente de nuvem, o que amplia a viabilidade de atualizar sistemas antes considerados inviáveis para renovação.

Outra tendência em expansão é o uso de Plataformas de Desenvolvimento Internas (IDPs), que funcionam como linhas de produção de software. Essas plataformas oferecem padrões e fluxos seguros para os desenvolvedores, garantindo que novas aplicações já sejam criadas com otimização e governança incorporadas, acelerando a inovação.

Segundo Cabrerizo, a transformação digital efetiva depende de uma mudança cultural apoiada pela automação. Ao substituir processos manuais por práticas orientadas à automação, segurança e colaboração, as áreas de TI deixam de atuar apenas como centros de custo e passam a desempenhar um papel estratégico no crescimento e na competitividade das empresas.