O estudo "Previsões em Tecnologia, Mídia e Telecomunicação", elaborado pela Deloitte, maior organização de serviços profissionais do mundo, chega a sua 19ª edição ressaltando como as tendências mundiais dessas áreas para 2021 podem influenciar empresas e consumidores em todo o mundo. O relatório apresenta como cada fator destacado é impulsionado pelos impactos econômicos e sociais globais decorrentes dos padrões de crescimento já esperados e da aceleração digital resultante da pandemia da Covid-19.

No Brasil, quatro pontos-chave na tecnologia ganharão força em 2021: crescimento dos serviços em nuvem, Open RAN facilitando o crescimento das redes móveis, Intelligent Edge desencadeando a Indústria 4.0 e a Telemedicina.

"Cada vez mais a tecnologia e as telecomunicações são fundamentais e bens essenciais para o mundo e, apesar de seguirem os padrões de crescimento esperados, a realidade de uma pandemia global resultou em uma aceleração tecnológica sem precedentes, que mudou fundamentalmente a forma como vivemos e trabalhamos. É de grande relevância para o Brasil acompanhar essas tendências e elementos-chave da economia mundial. É o momento de não ficarmos para trás", afirma Márcia Ogawa, sócia-líder de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações da Deloitte.

Covid-19 impulsiona o crescimento da nuvem

O mercado de nuvem cresceu ainda mais rápido em 2020 do que em 2019. De acordo com a pesquisa, o setor foi impulsionado pelo aumento da demanda devido à pandemia, lockdowns e ao volume de pessoas em trabalho remoto. Em 2020, a receita de nuvem em hiper escala aumentou em 25%; as vendas de chip para data centers aumentaram 45% e o tráfego de internet em nuvem dobrou. A Deloitte prevê que a receita continuará crescendo em 2021 e será superior a 30% até 2025. Os gastos globais na tecnologia totalizarão US$ 150 bilhões até 2022.

As empresas migram para a nuvem para economizar dinheiro, se tornar mais ágeis e impulsionar a inovação. O mercado deverá emergir da crise ainda mais forte e os provedores de nuvem terão a oportunidade de capitalizar o aumento do uso, enquanto os usuários poderão explorar novas maneiras de criar valor. Em um futuro próximo, as tecnologias em nuvem podem se tornar a solução dominante em todos os tipos de negócios.

Open RAN virtualizado flexibiliza a evolução das redes móveis

O Open RAN virtualizado dá às operadoras de rede móvel o potencial para reduzir custos e aumentar a escolha do fornecedor à medida que adotam o 5G. Até 2021 serão realizados mais de 70 ensaios de Open RAN virtualizado, o dobro da atividade atual. Cerca de 80% das principais implementações de rede sem fio serão virtualizadas até 2023 e, até 2025, a participação do Open RAN no mercado poderá crescer dez vezes ou mais.

Intelligent Edge: computação de borda desencadeando a Indústria 4.0

Combinação de conectividade sem fio avançada (5G/Wi-Fi 6), processamento de alta performance em componentes de tamanho reduzido e de Inteligência Artificial (IA), localizada perto de dispositivos que usam e geram dados, a Intelligent Edge, já está animando algumas das maiores empresas de tecnologia e comunicação do mundo. A Deloitte prevê que, em 2021, o mercado global para a tecnologia chegará a US$ 12 bilhões, em um crescimento anual composto (CAGR) de 35%.

Esse crescimento é impulsionado principalmente pelas empresas de telecomunicações e as redes 5G em expansão, juntamente com provedores de nuvem de hiper escala entre outras tecnologias. Até 2023 estima-se que 70% das empresas utilizarão Intelligent Edge e, até 2025, o mercado de Edge Data Center chegará a US$ 16 bilhões. Essas tecnologias, ainda mais rápidas, com menor custo e mais seguras, abrirão o caminho para a Quarta Revolução Industrial.

"A Intelligent Edge proporciona a utilização de modelos de IA na ponta, habilitando aplicações como carro autônomo, Telemedicina, drones, entre outras tecnologias", aponta Marcia Ogawa.

O crescimento das Teleconsultas

Um dos principais efeitos resultantes da Covid-19 é o salto que a Telemedicina deu em consultas médicas baseadas em vídeo. A pandemia não só exigiu a eliminação de barreiras regulatórias a essas visitas, mas também ajudou os consumidores, especialmente os com mais de 65 anos, a entender melhor e alavancar os aplicativos de videochamada.

O relatório "Previsões em Tecnologia, Mídia e Telecomunicação" ilustra quantos pacientes e médicos estão dispostos a mudar para consultas virtuais. A Deloitte estima que a porcentagem de Teleconsultas aumentará para 5% globalmente em 2021, atingindo mais de 400 milhões de atendimentos médicos por vídeo, o que corresponde cinco vezes o nível de 2019, representando US$ 25 bilhões de valor de mercado.