O mercado de “embedded finance” (“finanças embutidas”, em tradução livre), empresas não financeiras que passam a ofertar produtos e serviços financeiros no seu portfólio, deve alcançar US$ 3,5 trilhões em transações no varejo global, de acordo com uma pesquisa da Mambu com a AWS. A previsão é que o setor seja responsável por 49% desse mercado nos próximos dez anos.
Segundo o estudo, os empréstimos de varejo, por si só, representam quase um terço (29%) da movimentação de “embedded finance”, estimulados pela digitalização dos serviços, configurada para impulsionar a adoção de carteiras digitais e opções de financiamento flexíveis, como empréstimos para pontos de venda e serviços como “compre agora, pague depois”.
O relatório também ilustra as oportunidades de crescimento desse mercado nos setores de saúde e educação. A previsão é que saúde responda por 17% das transações, ou US$ 1,2 trilhão, após a recente chegada de empresas de tecnologia que oferecem pagamentos e seguros relacionados ao setor. Enquanto isso, a expansão da tecnologia educacional e uma demanda crescente por empréstimo devido a taxas recordes de dívida estudantil, pode fazer com que o setor responda por 7% do mercado, ou US$ 500 bilhões.
Um levantamento da Mambu, complementar à pesquisa, confirma que a demanda do consumidor por “embedded finance” nesses setores-chave é alta: 86% dos três mil consumidores entrevistados estariam interessados em comprar mantimentos em uma loja sem caixa e 60% prefeririam pegar um empréstimo estudantil diretamente de sua instituição acadêmica em vez de recorrer a um banco.
Além disso, 81% dos consumidores estariam interessados em adquirir um seguro de saúde por meio de um aplicativo e quase a metade destes estaria disposta a pagar um pouco mais por essa acessibilidade móvel. Os resultados refletem o aumento da tendência de "financiamento em qualquer lugar" ocorrido durante a pandemia de Covid-19 e a capacidade dos setores digitalmente habilitados para responder com rapidez às mudanças nas necessidades dos consumidores.
"Estamos caminhando para a 'quarta revolução industrial', onde as instituições financeiras precisam tomar decisões estratégicas para aproveitar inteiramente as oportunidades oferecidas pelo ‘embedded finance’. Um de nossos clientes, a ZestMoney, já oferece aos seus 7 milhões de clientes na Índia a possibilidade de parcelamento, sem a necessidade de cartão de crédito ou débito. Assim, eles podem alavancar a infraestrutura bancária para adquirir clientes de diferentes setores e, ao mesmo tempo, oferecer os produtos hiper personalizados que esses clientes desejam”, afirma Sérgio Costantini, diretor-geral da Mambu no Brasil.
“O relatório ilustra o tamanho da oportunidade, mas implica que instituições financeiras, como bancos, devem pensar, agir e se capacitar por meio da tecnologia como fazem as fintechs. Para que os bancos possam competir com eficácia, é importante que invistam em tecnologia para a construção e aprimoramento de suas próprias ofertas digitais”, complementa.
Com valor de mercado estimado em US$ 7 trilhões até 2030 para o setor de “embedded finance”, o relatório da Mambu com a AWS também destaca três tendências principais que impulsionarão esse crescimento:
- Pagamentos como parte da experiência: as empresas estão cada vez mais usando opções de pagamento flexíveis, como “compre agora, pague depois”, para diferenciar sua oferta, aumentar as conversões de vendas e estimular novas compras na hora do pagamento.
- Crescente popularidade do financiamento para Pontos de Venda (PdV): o volume de pagamentos parcelados, flexíveis e opções de crédito instantâneas aumentou significativamente nos últimos cinco anos e tem previsão de crescimento de 20% em 2021. Isso revela uma forte demanda do consumidor por acesso instantâneo a empréstimos de curto prazo.
- Adesão de carteiras digitais: à medida que mais pessoas usam seus telefones celulares para navegar, comprar e pagar por produtos e serviços online, a previsão é de que as carteiras digitais representem 51% dos pagamentos de comércio eletrônico até 2024.
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