O Chaco paraguaio começou a conectar-se ao mundo digital graças a uma implantação de internet via satélite que já alcança 18 comunidades, no âmbito de um plano que prevê a instalação de 500 pontos de acesso em zonas rurais e isoladas do país.

Um plano para diminuir a lacuna digital

O projeto é liderado pelo Ministério das Tecnologias da Informação e Comunicação (MITIC) e pela estatal Copaco, em parceria com a Starlink, que contribui com sua rede de satélites de órbita baixa para levar conectividade de alta velocidade a territórios em que a infraestrutura terrestre é praticamente inexistente. Nessa primeira fase, já foram ativados 18 pontos de acesso em El Chaco, com larguras de banda que atingem pelo menos 200 Mbps e, em alguns casos, picos de até 280 Mbps, o que representa um salto radical em relação ao isolamento digital anterior.

A iniciativa faz parte de uma estratégia nacional de inclusão digital que prioriza escolas, comunidades indígenas e centros de saúde, com o objetivo de garantir que a localização geográfica deixe de ser uma barreira ao acesso à educação, serviços públicos e ferramentas digitais básicas.

Aliança Copaco–Starlink no Chaco

O acordo entre a Copaco e a Starlink, autorizado pelo regulador Conatel em 2023, prevê, em sua primeira fase, a ligação de mais de 500 escolas rurais em todo o país, muitas delas localizadas no Chaco paraguaio. A primeira antena foi instalada na Escola Básica N.º 13377, na comunidade indígena Pueblo Qom de Cerrito (Presidente Hayes), onde os testes iniciais confirmaram velocidades de até 280 Mbps, permitindo pela primeira vez videochamadas, conteúdos educativos online e acesso estável a plataformas digitais.

Na segunda fase, o plano será estendido a hospitais e outras instituições públicas em territórios remotos, reforçando áreas críticas como educação, saúde e segurança. O MITIC descreve esta aliança como um passo estratégico para a democratização do acesso à Internet, alinhado com a visão do governo de reduzir a exclusão digital e tornar a conectividade um serviço essencial e não um privilégio.

Impacto social nas comunidades indígenas

A chegada da Internet via satélite também responde a compromissos históricos do Estado com as comunidades indígenas do Chaco. No caso de Sawhoyamaxa, no departamento de Presidente Hayes, a conexão faz parte das medidas de reparação decorrentes de uma sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que obrigou a melhorar o acesso a serviços básicos e condições de vida. Além de habitações sociais, água potável e centros de saúde, agora a conectividade permitirá reforçar a educação, a assistência médica e o acesso à informação em uma comunidade que viveu décadas de isolamento.

Os líderes comunitários frisam que a Internet não só abre oportunidades educativas e econômicas, como também facilita o registo e a divulgação da história, cultura e tradições dos povos indígenas, integrando-os de forma mais plena no espaço público digital.

Internet via satélite como nova camada de infraestrutura

A escolha da tecnologia de satélite de órbita baixa responde à complexidade geográfica do Chaco, onde as grandes distâncias e a baixa densidade populacional encarecem as redes de fibra e os radio-links tradicionais. A Starlink opera com milhares de satélites em órbita terrestre baixa, a cerca de 550 km de altitude, o que reduz significativamente a latência em relação aos satélites geoestacionários e permite oferecer serviços comparáveis à banda larga fixa urbana em videochamadas, streaming ou aplicações em tempo real.

A implantação em El Chaco torna essas comunidades casos emblemáticos de como a conectividade via satélite pode ser incorporada como mais uma camada da infraestrutura digital de um país, especialmente em cenários em que a expansão de redes terrestres é proibitiva.

Para o Paraguai, isso representa um avanço concreto em direção a um modelo de inclusão digital territorialmente equilibrado, no qual as escolas e centros de saúde de El Chaco se conectam à mesma rede de oportunidades que o resto do país.

*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria