O Inteli (Instituto de Tecnologia e Liderança) anunciou seu primeiro projeto como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), status previsto no Marco Legal da Inovação (Lei nº 10.973/2004). A iniciativa contará com acesso aos computadores quânticos da IBM para desenvolver um algoritmo voltado à simulação de cenários incertos, com potencial de aplicação em setores como manufatura, serviços financeiros, saúde, agronegócio, energia e telecomunicações.

De acordo com Maíra Habimorad, CEO do Inteli, a transformação em ICT marca uma nova etapa nos cinco anos de atuação da instituição na conexão entre a academia e o mercado. Segundo a executiva, o reconhecimento era um objetivo perseguido desde a fundação do instituto, em 2019, e amplia a participação do Inteli no ecossistema brasileiro de pesquisa e inovação.

O projeto parte da premissa de que as simulações usadas hoje para prever riscos, planejar operações e testar cenários futuros dependem de números pseudoaleatórios gerados por métodos computacionais tradicionais. A proposta é investigar se a origem desses números influencia a qualidade dos resultados.

Para isso, o Inteli firmou um acordo de acesso à tecnologia da IBM que inclui os computadores quânticos da companhia, ferramentas especializadas e recursos ainda em fase inicial de disponibilização. A IBM tem atualizado seu roteiro de computação quântica, com a meta de entregar um sistema tolerante a falhas até 2029.

A pesquisa vai comparar três modelos: um clássico, que reproduz o funcionamento dos computadores tradicionais; um quântico, no qual os números aleatórios são gerados em um ambiente quântico; e um híbrido, que combina os dois. A lógica de integração entre recursos clássicos e quânticos acompanha a arquitetura de supercomputação centrada em quantum divulgada pela IBM neste ano.

Por meio de testes na IBM Quantum Platform, pesquisadores e estudantes do instituto deverão reunir evidências para identificar qual abordagem oferece maior precisão, estabilidade e robustez.

Nessa fase inicial, o projeto não pretende substituir sistemas existentes nem gerar, de imediato, um produto comercial. A entrega prevista é um software em formato de Produto Mínimo Viável (MVP) que funcione como ponte entre sistemas clássicos e computação quântica, permitindo a realização de experimentos, a comparação de resultados e o reaproveitamento de componentes em aplicações futuras.

Habimorad explicou que o objetivo é construir conhecimento e capacidades estratégicas para que o Inteli possa desenvolver aplicações industriais de computação quântica quando a tecnologia atingir maturidade adequada. Segundo ela, a iniciativa também permite colocar a computação quântica em prática enquanto a instituição desenvolve competências em tecnologias quânticas, dados, inteligência artificial e computação de alto desempenho (HPC).

A partir desse primeiro projeto, o Inteli pretende expandir a metodologia para outros setores, como manufatura, saúde, agronegócio, energia e telecomunicações. O movimento se soma a outras iniciativas nacionais na área, como as discussões promovidas pela Anatel sobre tecnologias quânticas e o laboratório de computação quântica no Rio de Janeiro voltado à produção de chips.

O projeto amplia a colaboração já existente entre o Inteli e a IBM, que resultou em quatro protótipos: um robô autônomo de atendimento com inteligência artificial, um jogo baseado no curso AI Fundamentals do IBM SkillsBuild, uma plataforma de previsão de resultados de partidas de futebol com ferramentas da IBM e uma aplicação de comando de voz baseada no IBM Watson para análise de conteúdo. Os trabalhos seguiram a metodologia de aprendizagem baseada em projetos (Project-Based Learning – PBL), na qual os alunos enfrentam desafios reais propostos por empresas, organizações sem fins lucrativos e instituições do setor público.

Em 2026, cerca de 30 estudantes do Inteli participam do AI Experiential Learning Lab, programa global da IBM que conecta universitários a especialistas da empresa para desenvolver soluções para desafios de negócios apresentados por parceiros da companhia, com o uso do IBM Bob. Ao final, os alunos participarão de uma feira de carreiras.

Para Tonny Martins, presidente da IBM América Latina, a iniciativa fortalece a parceria entre as duas instituições ao aproveitar o potencial da IBM Quantum Platform para a pesquisa aplicada e o desenvolvimento do conhecimento no Brasil. O executivo afirmou que, mais do que um projeto acadêmico, a nova etapa deve trazer benefícios para o desenvolvimento de competências, para a experimentação e para setores estratégicos da indústria.