A primeira patente da IBM é de 1911, uma invenção relacionada com a tabulação de dados de cartões perfurados. Desde então, a empresa norte-americana coleciona milhares de patentes a cada ano. Só em 2009 foram 4914 e outras 5896 em 2010. Em 2011, por volta de seis mil novas invenções serão patenteadas pela companhia.
O investimento em inovação também alcança números superlativos, US$ 6 bilhões a cada ano. Num segmento onde os produtos envelhecem no curtíssimo prazo, que pode variar entre seis meses e dois anos, faz parte da sobrevivência da companhia a alta frequência de lançamentos. No entanto, a inovação precisa ter valor de mercado.
Com base na análise de tendências tecnológicas e do mercado são escolhidas as invenções que sairão do papel e serão materializadas em produtos. Um dos critérios é a capacidade de impactar os negócios da IBM. Um tema são as chamadas cidades inteligentes, representadas no Brasil pelo Rio de Janeiro. O intuito do projeto é ajudar no gerenciamento do tráfego, monitoramento das condições ambientais, manutenção de redes de emergência, entre outras.
Sistemas para avaliar grandes volumes de informação, a chamada análise em grande escala é outro setor no qual a IBM aposta para criar soluções para os negócios. De acordo com o relatório anual da empresa, a cada ano a IBM fatura cerca de R$ 2 bilhões apenas com a comercialização de patentes. Segundo a companhia, este foi 18° ano consecutivo de liderança na lista de empresas mais inventivas do mundo.
Por volta de sete mil inventores da IBM nos EUA e em outros 29 países trabalham para gerar as seis mil patentes criadas pela empresa a cada ano. Os inventores de fora dos EUA contribuíram com mais de 22% das patentes da companhia no ano passado, um aumento de 27% em relação às contribuições de inventores internacionais durante os últimos três anos.
Nesse sentido, a área de servidores e datacenters é fundamental para uma empresa cujo negócio passa pelo gerenciamento de grandes volumes de dados. Segundo Flávio Duarte, executivo da IBM para a área de serviços de datacenter, a área de servidores continuará sendo a maior dentro desse segmento, mas a área de infraestrutura apresentará crescimento de até 30% em 2012.
Para Duarte, muito desse crescimento se deve ao crescimento econômico brasileiro nesta década: “Muitas empresas estão terminando a construção de novos datacenters e por isso estão adquirindo equipamentos ou melhorando sua infraestrutura de ar-condicionado, cabeamento e outros itens da construção”.
Duarte explica que as soluções oferecidas pela IBM variam com o tamanho do cliente. Empresas menores procuram alternativas para migrar ou consolidar o datacenter. Para quem não planeja construir uma estrutura física para seus dados, os datacenters em containers são uma solução bastante usada pelo segmento de pequenas e médias empresas, setor responsável pelo maior crescimento da IBM no mercado de datacenters.
Preço competitivo é o maior diferencial da IBM, de acordo com Duarte. Para oferecer um bom preço aos clientes, o foco está no entendimento do negócio da empresa: “Cada vez menos se pensa de uma forma isolada. A infraestrutura atende a uma demanda de TI e o datacenter é pensado da arquitetura aos equipamentos, passando pelo tipo de rede. É pensar a estrutura de dados de forma integrada”, resume o executivo.
Eficiência energética e alta concentração são duas tendências apontadas por Duarte nas estruturas oferecidas pela IBM. “Como é bastante caro construir um datacenter, haverá um crescimento nos índices de KVA/m², com os datacenters apresentando densidades energéticas cada vez maiores”.
Já a eficiência no consumo de energia também é uma maneira de melhorar a relação custo/benefício do datacenter. Segundo Duarte, a cada real gasto em equipamento de dados, são gastos R$ 1,33 para realizar a manutenção desse ambiente de TI, seja com refrigeração, estrutura predial ou outras necessidades do datacenter.
Para ajudar o cliente a reduzir seus gastos em operação, a IBM desenvolveu uma metodologia para conseguir alterar a curva de gasto do cliente ao longo dos anos. Essa metodologia inclui soluções técnicas. Uma dessas soluções é a chamada rear door exchange (RDE). Ela consiste numa porta refrigerada a água para realizar as trocas de calor no datacenter, economizando o gasto com ar-condicionado.
Com esse tipo de solução é possível retirar até 22 KVA/m² da demanda energética do datacenter. Segundo Duarte, o menor gasto de energia e a redução com despesas de manutenção faz com que, em alguns casos, a economia operacional chegue a 50%.
Mantendo a tradição de inovar da IBM, Duarte revela algumas das apostas da IBM no que se refere ao gerenciamento de energia. A energia requerida pelos processadores é a maior responsável pelo consumo de um datacenter. Segundo Duarte, juntar o processamento e a memória no mesmo lugar pode ser a solução para criar equipamentos mais eficientes, dissipando menos calor e com isso consumindo menos energia.
Duarte diz que essa estrutura tecnológica imita o cérebro humano: “cada vez mais, os computadores irão associar memória e processamento num mesmo local, à semelhança do cérebro humano. Ainda não há máquina que sequer se aproxime do corpo humano na capacidade de usar bem a energia do sistema para o processamento de dados”, compara o executivo da IBM.
Finanças e Telecom são as verticais mais fortes no portfólio da IBM. De acordo com Duarte, o crescimento das empresas nacionais obriga os clientes a expandir a estrutura de TI. “A maioria dos datacenters brasileiros tem mais de sete anos de vida e a expansão foi uma consequência natural da Economia”, afirma Duarte.
Todo esse cenário gera um maior volume de dados. Segundo pesquisa da consultoria IDC, até o ano de 2013, o mundo terá cerca de 82 milhões de servidores. Duarte conta que há levantamentos mostrando que um mesmo dado é “duplicado” 30 vezes. Com isso, o setor de armazenamento da IBM no Brasil cresceu 650% em apenas três anos (2010-2012).
A IBM aposta também na tecnologia de cloud computing, prova disso foi o anúncio de uma estrutura local para essa tecnologia. O foco da empresa nesse segmento são clientes corporativos. Além da tecnologia desenvolvida pela IBM, a empresa também cria estruturas em nuvem para os clientes, explica Duarte.
Segundo o executivo, a principal ideia é oferecer serviços em cima de uma estrutura já existente, seja em cloud privada ou pública. De acordo com Duarte, a vertente de cloud privada está mais desenvolvida. A questão da segurança é um dos maiores diferenciadores entre as nuvens públicas e privadas, na opinião do executivo da IBM: “as clouds públicas ainda tem menos serviços e requerem um pouco menos de segurança”, avalia ele. No entanto, Duarte afirma que a curva de maturação dessa tecnologia está se acelerando rapidamente.
Duarte aponta outro diferencial da IBM na estratégia de datacenters e servidores: o uso de “analytics” para gerir e integrar as soluções de dados com o negócio do cliente. Segundo Duarte, 70% dos problemas de um datacenter acontecem por falha humana. Segundo ele, a IBM trabalha com a ideia de prevenir esse tipo de acontecimento e usa sistemas de alerta: Substituir um equipamento é caro e trabalhoso, além de envolver uma mão-de-obra bastante especializada. É sempre melhor prevenir uma falha”.
Inovação é a aposta da IBM para gerir dados e ajudar a criar gestão mais inteligente
A primeira patente da IBM é de