Depois de 64 anos o Brasil voltou a ser palco de uma Copa do Mundo. O maior evento de futebol do planeta transformou os velhos estádios brasileiros em modernas arenas padrão FIFA; confortáveis, cobertas e dotadas de áreas especiais para convidados e também para eventos culturais, de negócios, religiosos e de outros esportes. Mais do que construções imponentes, as novas arenas se tornaram espaços multimídia, dotadas dos mais avançados sistemas de som e imagem, além de dados e recursos de telefonia. Essa é a tendência mundial apontada por Alexandre Kawamura, Key Account Manager da Furukawa, multinacional japonesa, uma das maiores fabricantes de fibras ópticas do mundo, que atua no Brasil desde 1974. Neste evento a fabricante teve como missão fornecer soluções metálica e óptica, que atendem tanto os requisitos da FIFA como a legislação nacional da Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel.
De acordo com o Key Account Manager da Furukawa, um dos maiores desafios da empresa foi justamente atender aos rigorosos requisitos técnicos da FIFA, e ao mesmo tempo estar em consonância com a legislação nacional para produtos de telecomunicações, regulamentada pela Anatel. Outro desafio foi cumprir os prazos de entrega dos materiais, dado que a instalação da infraestrutura de cabeamento foi feita no final da obra e sofreu um impacto muito grande devido aos atrasos que ocorreram na parte civil.
“A Furukawa, com sua estrutura de produção e logística, conseguiu superar estes desafios e entregar a rede de telecomunicações para os estádios, garantindo assim a segurança e conforto dos torcedores e levando as imagens para o público do mundo inteiro.”
Além dos dez estádios da Copa, a fabricante japonesa também forneceu soluções metálica e óptica para o Estádio do Grêmio em Porto Alegre – RS, que não esteve entre os selecionados para a Copa do Mundo.
Também escalada para o evento, a Telecomunicações Brasileiras – Telebras, foi responsável pela infraestrutura utilizada na transmissão das imagens de alta definição (HDTV – vídeo e áudio) dos jogos da Copa. Para realizar o trabalho com maestria, a empresa construiu um anel óptico de 15.280 km, interligando as 12 arenas palcos dos jogos da Copa do Mundo ao Centro Internacional de Coordenação de Transmissão (IBC) da FIFA, no Rio de Janeiro. Todas as transmissões dos jogos passaram pela rede da Telebras, antes de serem enviadas às emissoras brasileiras e de outros países.
De acordo com o presidente da empresa Francisco Ziober Filho, as maiores dificuldades encontradas pela estatal foi realizar a interligação da cidade de Manaus. Segundo Ziober Filho, para chegar a Manaus, foi feita uma parceria com a TIM no “linhão de Tucuruí”, onde foram atravessados quase 2 mil km de florestas na rede elétrica. A estatal aponta as obras promovidas pelos governos nas capitais, com uma grande barreira para o desenvolvimento do trabalho e diz que por causa das construções governamentais, ocorreram vários rompimentos de fibra; além das dificuldades na obtenção de licenças ambientais para passagem da rede, principalmente nas áreas urbanas, por conta das diversas obras viárias e de esgoto, o que acabou rompendo os dutos subterrâneos da Telebras.
Balanço do Trabalho
A estatal diz que o trabalho realizado superou as expectativas, já que durante o evento não foi registrado nenhum erro nas transmissões. Para garantir o resultado, a Telebras utilizou links redundantes de 30Gbps, conectando todos os estádios participantes do torneio ao IBC do Riocentro, no Rio de Janeiro. Os links garantiram uma qualidade acima do praticado hoje no mercado de telecomunicações, que, conforme exigência da FIFA atingem o patamar mínimo de disponibilidade de 99,99%.
Legado
Para a Telebras, esta Copa deixa um legado importante para as comunicações brasileiras, já que foi construída uma rede de fibra óptica robusta que passou a levar banda larga de qualidade e alta confiabilidade aos municípios mais remotos do Brasil. A Telebras ampliou sua rede de fibra óptica para 28.700 km, interligando todas as regiões brasileiras, transportando áudio e vídeo e outros dados de alta definição. A tecnologia utilizada pela Telebras para iluminar as fibras é o DWDM (Dense Wavelengh Division Multiplexing), com equipamentos desenvolvidos no país, permite a transmissão simultânea de diversas programações em alta definição (HDTV). Essas infraestruturas se incorporam à rede da Telebras como parte das redes metropolitanas e ficam como legado para utilização no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), oferecendo banda larga de alta velocidade a preços mais baixos, além de servirem para atendimento às redes de governo.
Até o mês de maio de 2014, a Telebras investiu R$ 90 milhões com a implantação de infraestrutura de fibra óptica para atender as demandas da Copa do Mundo de 2014. Este valor engloba os dispêndios de 2012, 2013 e os cinco primeiros meses deste ano.
Foram investidos R$ 40,2 milhões em 2012, R$ 28,3 milhões em 2013 e mais R$ 20,8 milhões nos cinco primeiros meses de 2014.
A cidade-sede que recebeu mais investimentos, nestes três anos, foi o Rio de Janeiro, com R$ 18,9 milhões, seguida de Belo Horizonte, com 12,1 milhões, e Brasília, com R$ 11,4 milhões. Estes investimentos mais altos são justificados porque Belo Horizonte foi a sede do Centro Internacional de Coordenação de Transmissão (IBC) da FIFA, na Copa das Confederações 2013, enquanto o Rio é a sede do IBC na Copa do Mundo de 2014. Este ano, todas as imagens em alta definição dos jogos estão concentradas no IBC do Riocentro (RJ).