Conteúdo Arquivado

O conteúdo a seguir é de uma versão mais antiga deste site e pode não ser exibido corretamente.
Pesquisadores da IBM anunciaram que criaram uma linguagem de programação, relacionada com algoritmos e aplicações, que será implantada num sistema de computação inspirado no cérebro humano.
Este é um dos maiores progressos realizado pela IBM, no âmbito do projeto Systems of Neuromorphic Adaptive Plastic Scalable Electronics (ou SyNAPSE), que está sendo desenvolvido para a Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA).
 
“Trata-se de construir um computador semelhante a um cérebro“, disse Dharmendra Modha, coordenador do projeto e senior manager na IBM Research.
De acordo com o Tecnologia.pt, a experiência não é propriamente uma novidade para estes especialistas.
Dharmendra Modha e seus companheiros de equipe já tinham conseguido simular um cérebro um pouco maior do que o córtex de um gato e construído um chip que funcionava como o cérebro humano.
Desde esses primeiros avanços, os investigadores desenvolveram um complexo simulador de software que será a base do projeto. A simulação conta com dois milhões de pequenos núcleos neuro-sinápticos todos ligados entre si, o que representa cerca de 100 trilhões de sinapses, uma quantidade equivalente à que é produzida pelo cérebro humano.
 
Corelets
A saída foi criar blocos de código, que os engenheiros da IBM batizaram de corelets.
Cada corelet executa apenas uma parte do programa. Eles podem ser aninhados, para que pequenos blocos cooperem para formar grandes corelets.
O programador pode então se concentrar na parte mais difícil da tarefa, que é conectar os blocos para que, operando independentemente, eles possam se entender na hora de dizer aos outros o que cada um já fez e, no final, juntar os resultados.
"Isto abre uma forma totalmente nova de pensar sobre como lidar com sistemas grandes," disse Modha.
Até o momento, a equipe construiu uma biblioteca de cerca de 100 corelets, que podem ser usados para montar os programas para os chips neuromórficos.
Assim, programar passa a ser essencialmente um trabalho de projetar a fiação que possa interconectar os diversos módulos.
Mas os corelets não contêm apenas rotinas triviais, como as usadas nos programas tradicionais.
Um exemplo da capacidade de aprender e interagir com o ambiente dos processadores cognitivos podem ser visto na tarefa executada por um dos corelets da biblioteca, que consegue identificar se uma música foi composta por Bach ou por Beethoven.
Modha garante que o número de funções embutidas nos módulos da biblioteca vai crescer exponencialmente: "Conforme novos corelets vão sendo escritos e adicionados à biblioteca, haverá muitas outras combinações que vão facilitar o trabalho conjunto dos corelets," disse ele.
 
Carros sem motorista e robôs sensoriais
Os chips cognitivos da IBM, chamados TrueNorth, contêm memória, processadores e canais de comunicação ligados às sinapses artificiais, que imitam os neurônios e axônios de um cérebro.
A ideia fundamental é que o chip possa ser ligado em grandes redes, com milhares deles trabalhando paralelamente.
Os processadores cognitivos, projetados para imitar a forma como os nossos cérebros funcionam, deverão estrear em computadores que lidam com muitas entradas de dados de uma só vez, de forma similar às múltiplas entradas sensoriais que nosso cérebro processa o tempo todo.