A expansão da inteligência artificial tem elevado a demanda global por processamento, armazenamento e distribuição de dados, colocando os data centers no centro da infraestrutura da economia digital. Projeções de mercado indicam que os investimentos globais no setor podem chegar a 6,7 trilhões de dólares (34,8 trilhões de reais) até 2030, dos quais cerca de 70% estariam associados à infraestrutura dedicada à IA.

No Brasil, um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) estima que um único data center de IA com 100 MW de capacidade pode acrescentar 1,5 bilhão de reais ao Produto Interno Bruto (PIB) e gerar 590 milhões de reais em renda do trabalho. O investimento total seria de aproximadamente 25 bilhões de reais — 5 bilhões em infraestrutura e 20 bilhões em servidores, GPUs, armazenamento e outros equipamentos. Durante a implantação, que levaria de 18 a 36 meses, o projeto mobilizaria cerca de 12.560 empregos diretos e indiretos, dos quais aproximadamente 15% seriam mantidos de forma permanente após o início da operação.

Segundo o levantamento, cada 1 milhão de reais investido no setor pode gerar cerca de 350 mil reais em renda do trabalho, considerando salários no próprio segmento e em cadeias fornecedoras. O estudo também aponta que a consolidação do Brasil como hub internacional depende da integração entre energia, conectividade, hardware, software, inovação e qualificação profissional.

Para Marco Alberto Silva, CEO do Grupo Engemon, a expansão representa uma oportunidade relevante para o país, mas precisa ser acompanhada de planejamento técnico e de uma avaliação realista sobre demanda, energia, custos e capacidade de atualização. De acordo com o executivo, o risco não está no crescimento do setor, mas em decisões de investimento tomadas sem critérios, que podem resultar em capacidade ociosa, desperdícios e necessidade de novos aportes em pouco tempo.

A questão energética é outro ponto central. O consumo dos data centers no Brasil, hoje acima de 700 MW, tende a crescer rapidamente, impulsionado pela alta densidade computacional das cargas de IA. Silva avalia que a energia deixou de ser apenas um custo operacional e passou a determinar a localização, o dimensionamento e a viabilidade dos novos empreendimentos, devendo ser tratada como parte integrante do projeto.

A rápida evolução dos processadores também pressiona a infraestrutura física, com exigência de racks mais densos, maior capacidade elétrica e novas tecnologias de resfriamento. Segundo a empresa, estruturas projetadas apenas para as necessidades atuais podem exigir reinvestimentos em menos de cinco anos. Na visão do CEO, os data centers precisam ser concebidos para incorporar novas tecnologias e acompanhar mudanças no perfil de processamento, com projetos flexíveis e escaláveis que evitem superdimensionamento e tornem os custos mais previsíveis ao longo do ciclo de vida.