O Gartner organizou uma coletiva de imprensa na segunda-feira, 22 de setembro, no Sheraton São Paulo WTC Hotel, na capital paulista. Na coletiva, realizada durante a Conferência Gartner CIO & IT Executive 2025, os executivos Hung LeHong, Vice-Presidente Analista Emérito do Gartner, e Gabriela Vogel, Vice-Presidente Analista do Gartner, falaram sobre gastos e investimentos em Inteligência Artificial e a obtenção de calor com a tecnologia.
Hung LeHong fez uma apresentação analisando como as empresas podem gerar valor por meio da adoção de Inteligência Artificial (IA), observando que ganhos em produtividade, como economia de tempo, nem sempre resultam em retorno financeiro imediato. De acordo com LeHong, a produtividade representa um benefício limitado, que frequentemente requer ações adicionais — como reengenharia de processos ou ajustes na estrutura organizacional — para se converter em valor econômico efetivo.
A pesquisa realizada pelo Gartner identificou três abordagens principais para modelos de negócios com IA: Retorno sobre o Funcionário (voltado à produtividade), Retorno sobre o Investimento (focado em resultados financeiros diretos) e Revolução (caracterizada por inovação disruptiva). Atualmente, a maioria das empresas concentra seus esforços na melhoria da produtividade. O estudo também destaca a importância de ampliar o uso da IA para além da eficiência operacional, explorando seu potencial para aprimorar serviços, minimizar perdas e desenvolver novos produtos, mesmo diante dos desafios relacionados à geração de valor consistente.
Segundo projeções do Gartner, os investimentos globais em Inteligência Artificial (IA) devem alcançar aproximadamente 1,5 trilhão de dólares (8 trilhões de reais) em 2025. A estimativa considera a continuidade dos aportes em infraestrutura voltada à IA, especialmente por grandes provedores de serviços em nuvem que vêm ampliando seus data centers com equipamentos específicos, como GPUs otimizadas para aplicações de IA.
O cenário de investimentos também está se diversificando, com a participação crescente de empresas chinesas e novos fornecedores de soluções em nuvem voltadas à IA, além das tradicionais companhias de tecnologia dos Estados Unidos. O aumento dos aportes de capital de risco em empresas do setor contribui adicionalmente para o crescimento dos gastos previstos. A projeção para 2026 indica que os investimentos globais em Inteligência Artificial (IA) devem superar 2 trilhões de dólares (10,6 trilhões de reais), impulsionados principalmente pela incorporação de tecnologias de IA em dispositivos como smartphones e computadores pessoais, além da expansão de infraestrutura voltada para esse setor.
Na rodada de perguntas após a apresentação, Hung LeHong e Gabriela Vogel responderam a alguns questionamentos de jornalistas. Sobre como as empresas podem medir e justificar o retorno de investimento (ROI) em projetos de IA, especialmente em relação ao retorno sobre o funcionário e o retorno no futuro.
De acordo com LeHong e Vogel, a adoção de um modelo de governança colaborativa, também conhecido como modelo de franquia, propõe que o CIO conduza a gestão tecnológica em parceria com as áreas de negócio, evitando uma abordagem hierárquica tradicional. Essa estrutura busca eliminar a percepção de que a área de TI representa um ponto de estrangulamento nos processos organizacionais. Para que esse modelo funcione de forma eficaz, é essencial realizar discussões prévias que definam claramente os papéis e responsabilidades de cada área, estabelecendo se o setor de negócios atuará como "piloto", "copiloto" ou "passageiro" na condução das iniciativas tecnológicas. Além disso, a liderança executiva deve estabelecer princípios orientadores para o uso da Inteligência Artificial, delimitando com clareza os limites aceitáveis. Essa definição deve ocorrer antes que a democratização da IA avance de maneira desorganizada, garantindo alinhamento estratégico e governança adequada.
Empresas que estão iniciando sua trajetória com Inteligência Artificial (IA) costumam priorizar o chamado "Retorno sobre o Funcionário", buscando evidenciar como a tecnologia pode contribuir para a economia de tempo e o aumento da produtividade individual. Essa abordagem tende a facilitar a aceitação da IA pelos colaboradores, especialmente quando percebem benefícios diretos em suas rotinas. Uma estratégia recomendada para esse estágio é iniciar com projetos de baixo para cima, identificando tarefas repetitivas ou pontos de ineficiência nos processos diários e automatizando-os com IA. A apresentação de resultados rápidos, como redução de custos ou perdas operacionais, pode fortalecer a confiança nas iniciativas e estimular o engajamento de gestores e equipes em projetos mais amplos.
Por fim, Hung LeHong e Gabriela Vogel destacam que a abordagem mais eficaz para promover o uso da Inteligência Artificial (IA) nas organizações envolve substituir restrições por práticas colaborativas, utilizar a tecnologia como ferramenta de gestão de riscos em vez de limitar a inovação e, principalmente, apresentar de forma prática como a aplicação corporativa da IA pode facilitar as atividades dos colaboradores e contribuir para o aumento da produtividade.
Comments