Bandeira que vem sendo levantada pela Dell Technologies nos últimos anos, a Hiperconvergência ao lado de outros temas, esteve em pauta no "Dell Technologies Forum", evento realizado no último dia (28), na cidade de São Paulo. O conceito que oferece os benefícios de um data center virtualizado, propõe unificar itens fundamentais da TI: servidores, armazenamento e elementos de rede, o que vem sendo visto com positividade pelas empresas e tem sido a opção de organizações que buscam simplificar a administração e obter melhor desempenho em ambientes definidos por software.
 
Em entrevista, Fábio Gordon, líder da área de soluções convergentes e hiperconvergentes da Dell EMC, explica que com uma solução pronta, uma empresa pode obter redução no consumo de energia, custos de facilities, redução de licenciamento de software, além de economizar espaço físico no data center. Ao optar pela  hiperconvergência, o cliente pode aumentar a capacidade de seu sistema de forma modular. Leia, a entrevista completa com o executivo, a seguir.  
 
DatacenterDynamics: Gostaria explicasse proposta da Hiperconvergência.
 
Fábio Gordon: A ideia da hiperconvergência é reunir o maior número de componentes e agregá-los de forma densa ou menor possível. Trata-se de unir computação, armazenamento, rede, proteção de dados de backup e hiperconvergir; fazer de tudo isso um único componente e assim, comprar o menor número de componentes possível. A ideia é pegar tecnologia de hardware e de software e combinar essa tecnologia em um menor componente fazendo a Hiperconvergência.
 
DCD: Que vantagens a Hiperconvergência oferece para os data centers?
 
F. G.: Existem algumas vantagens. A primeira é na facilidade do gerenciamento já que você passa a gerenciar a Hiperconvergência. Ao invés de gerenciar silos ou ilhas, como servidor, network, armazenamento e proteção de dados. Na Hiperconvergência você tem todos esses componentes integrados, o que só facilita o gerenciamento.
 
A implementação é muito mais rápida porque não é preciso integrar cada um desses componentes. O cliente tem tudo  pronto, feito por uma empresa como a Dell Technologies, que realiza a implementação no data center. Assim, o cliente realiza a implementação com mais agilidade e gerencia com mais facilidade. Um ponto interessante neste processo, é o crescimento, que é feito de forma modular.
 
A Dell tem exemplos de empresas que declaram que o crescimento delas foi facilitado com a adoção da Hiperconvergência. O último ponto é a questão da disponibilidade. Um dos maiores problemas dos data centers hoje em dia, é a atualização de software ou mudança de software ou de hardware. Toda vez que uma mudança é feita, o pessoal de data center fica preocupado, pelo fato de qualquer mudança aumentar a chance do surgimento de algum problema. Quando você não tem essas mudanças ou tem essas mudanças controladas pela Hiperconvergência, na atualização integrada, você deixa de ter essa preocupação.
 
DCD: Data Center Definido por Software é uma tendência no Brasil, qual é o nível de maturidade do mercado brasileiro?
 
F. G.: Este é um ponto interessante. A Dell observava as tecnologias no Brasil chegarem com dois ou três anos de atraso em relação a mercados maduros como Estados Unidos e Europa. Exemplos disso são: RP's, CRM e Supply Chain. Com a Hiperconvergência, a Dell notou que esse tempo diminuiu.
 
No Brasil, muitas empresas já começaram a adotar esse tipo de solução com seis meses ou um ano de atraso com relação aos mercado norte-americano e europeu. Nós da Dell estamos vendo a Hiperconvergência sendo uma realidade no Brasil com uma diferença de seis a 12 meses, o que não aconteceu com outras inovações anteriores.
 
DCD: Como gerenciar a Hiperconvergência no data center?
 
F. G.: Este é um ponto bem interessante. Muita gente já fala de virtualização de computação, em VMware, em vSphere e de virtualização do servidor. Pensemos agora que a mesma pessoa que gerencia essa virtualização do servidor já pode gerenciar todo o resto. Gerenciar virtualização do armazenamento, virtualização da rede, virtualização de componentes de proteção de dados e virtualização do catálogo de serviços. A ideia é que a mesma pessoa que administra a virtualização, consiga gerenciar o data center, porque como o data center passa a ser definido por software nada mais comum do que uma pessoa que já trabalhava com virtualização e software possa também fazer o gerenciamento das outras camadas.
 
DCD: O que o cliente deve avaliar antes de optar pela Hiperconvergência?
 
F. G.: Existem alguns pontos importantes para avaliar a estrutura tradicional e a estrutura hiperconvergente. São três os pontos principais: o primeiro, é se você quer colocar ele on premisse ou off premisse, ou seja, colocar no seu próprio data center ou em um data center externo. Esta é a primeira questão. A segunda questão vai muito em função de que aplicação o cliente quer levar para o ambiente hiperconvergente; e a terceira é a equipe profissional.
 
DCD: Que benefícios a Hiperconvergência oferece em relação a uma estrutura tradicional ou convergente?
 
F. G.: Primeiro, redução de Opex, diminuindo a despesa operacional. A maior parte das empresas sofre hoje uma pressão muito grande por redução de custo operacional. Então, inicialmente a Hiperconvergência ajuda a reduzir custos de facilities, de energia, de espaço e de ar condicionado, redução de licenciamento de software porque quando o cliente opta pela Hiperconvergência, ele virtualiza, o que se traduz em trazer mais componentes para o mesmo ambiente. Sendo assim, são menos servidores, menos licenças para rodar nesse ambiente. Também agilidade para colocar novas aplicações para rodar, facilidade na implementação de novos processos e agilidade no upgrade ou atualização do ambiente.
 
DCD: Por que este é o momento de se investir em Hiperconvergência?
 
F. G.: Atualmente a Hiperconvergência já está bem estabelecida e utilizada. Hoje em dia no Brasil existem empresas de quase todos os setores usando Hiperconvergência. Empresas de varejo, finanças, seguros, manufatura, empresas que são tradicionais, pioneiras já utilizando essa tecnologia e obtendo esses benefícios que eu mencionei; benefícios esses que ajudam a levar a empresa para a Transformação Digital. Se a empresa não muda a sua infraestrutura, como fazer a Transformação Digital? O mais importante hoje é que a infraestrutura de uma empresa de qualquer segmento esteja pronta para  construir, para crescer. O momento é agora para realizar a transformação de TI exatamente para permitir que a Transformação Digital aconteça dentro da empresa.
 
DCD: Como a Dell Technologies avalia o mercado brasileiro de data center?
 
F. G.: Para a Dell, o mercado de data center brasileiro está sempre se renovando e sempre mudando tecnologia. A cada um ou dois anos as empresas têm que fazer um "refresh" tecnológico; tem que mudar seu ambiente, e isso dinamiza o mercado de data center, principalmente porque hoje existe uma pressão muito grande das áreas de negócio por uma mudança da TI e essa pressão ajuda a ter mais dinheiro, recursos e ser mais ágil para responder com mais velocidade.
 
*Tatiane Aquim viajou para São Paulo a convite da Dell Technologies.