As empresas estatais de telecomunicações chinesas estão trabalhando no desenvolvimento de um projeto de rede de cabo submarino de US$ 500 milhões para rivalizar com um sistema semelhante apoiado pelos Estados Unidos.

Segundo a Reuters, o projeto conectaria a Ásia, o Oriente Médio e a Europa, assim como o cabo Sea-Me-We-6 apoiado pelos Estados Unidos, à medida que as tensões entre os EUA e a China aumentam.

Citando quatro fontes, a Reuters revelou que as três principais operadoras de telecomunicações da China, China Telecom, China Mobile e China Unicom, estão trabalhando juntas para mapear "uma das redes de cabo submarino mais avançadas e abrangentes do mundo".

Este potencial projeto vem logo após a retirada da China Telecom e da China Mobile do projeto de cabo submarino South East Asia-Middle East-West Europe 6 (Sea-Me-We 6).

O motivo da retirada da China do cabo submarino Sea-Me-We 6 teria sido o fato de a empresa americana SubCom ter sido contratada para construí-lo em vez da Hengtong Marine, maior provedora chinesa do setor. Em 2019, a Hengtong adquiriu participação majoritária na Huawei Marine Networks após sanções americanas obrigarem a venda da empresa.

Isso representou um golpe para o projeto, que só entrará em operação em 2025, com as duas operadoras combinando investimentos de 20% no cabo, que terá custo total de US$ 500 milhões.

Porém, agora parece que a China está investindo seu dinheiro em outro lugar, com um cabo próprio chamado EMA (Europa-Médio Oriente-Ásia).

Esse cabo proposto conectará Hong Kong à província insular de Hainan, na China, antes de se conectar a Cingapura, Paquistão, Arábia Saudita, Egito e França.

Significativamente, o cabo será fabricado pela HMN Technologies, da China, anteriormente de propriedade majoritária da Huawei, antes de a Hengtong adquirir sua participação majoritária.

As fontes afirmam que o Estado chinês fornecerá subsídios à Hengtong para a construção do cabo, que deverá entrar em operação no final de 2025, em linha com o projeto Sea-Me-We 6.

Nenhuma das operadoras ou a Hengtong comentou publicamente sobre esses relatórios até agora.

No mês passado, a China teria bloqueado projetos para instalar e manter cabos de internet submarinos pelo Mar da China Meridional. Segundo o Financial Times, Pequim deseja exercer mais controle sobre a infraestrutura que transmite os dados do mundo. Essa postura pode ter sido alimentada pelas tensões com os Estados Unidos, cuja posição mais rigorosa sobre a permissão para operar fora de suas águas internacionalmente reconhecidas teria atrasado o cabo SJC2.

Cabos submarinos - a nova arena na guerra tecnológica entre China e EUA

Uma vez que mais de 95% do tráfego de dados da internet internacional é transportado por cabos submarinos, esses projetos são de importância global.

O novo cabo vem em meio ao aumento das tensões geopolíticas entre a China e os EUA, que já entraram em conflito em diversas ocasiões no passado.

Em 2021, um cabo submarino que conectaria as nações insulares do Pacífico foi cancelado depois que o governo dos EUA alertou que a participação de empresas chinesas poderia representar uma ameaça à segurança.

Na época, o projeto liderado pelo Banco Mundial se recusou a conceder um contrato para o cabo East Micronesia, em vez de deixá-lo ir para a empresa de cabos chinesa HMN (Huawei Marine Networks) Technologies.

O Facebook (agora Meta) também saiu do projeto HKA para construir um cabo submarino entre a Califórnia, Hong Kong e Taiwan, pois a empresa de tecnologia americana sentiu pressão dos EUA.

"Devido às preocupações contínuas do governo dos EUA sobre os links de comunicações diretas entre os Estados Unidos e Hong Kong, decidimos retirar nossa aplicação para a FCC", disse um porta-voz da Meta em um comunicado na época sobre o planejado cabo HKA.

A vigilância em torno de Hong Kong aumentou à medida que o governo chinês gradualmente diminui a autonomia da região e promulga leis cada vez mais restritivas de vigilância e dados, o que ameaçou as numerosas empresas de tecnologia que abriram centros de dados e oferecem serviços na região.

Em 2020, a Casa Branca criou a "Equipe Telecom" para avaliar a participação estrangeira nas redes de telecomunicações dos EUA. Em junho de 2020, a equipe recomendou que a FCC negasse a extensão de 11.800 km do cabo Pacific Light Cable Network para Hong Kong, o primeiro cabo direto entre EUA e Hong Kong.

Em 2021, o grupo do Departamento de Justiça recomendou a aprovação de um cabo do Google e Meta/Facebook entre os EUA e a Ásia, mas sem conexões com Hong Kong.

Outro ponto de preocupação foi que, quando o cabo foi anunciado pela primeira vez em 2016, o maior apoiador do cabo era a empresa chinesa Pacific Light Data Communications Co.

Depois de algumas discussões, o Google e o Meta concordaram que a PLDC terá acesso restrito à infraestrutura e às informações, e deixará a seção de Hong Kong do cabo sem uso.