Depois do anúncio da presidente Dilma Rousseff sobre as novas legislações que entrariam em vigor com o Marco Civil da Internet, previsto para ser votado na próxima terça-feira (5), a Google decidiu interromper indefinidamente seu serviço de DNS no Brasil. As operações começaram a ser encerradas no dia 12 de setembro, data em que a presidente anunciou a sua intenção de exigir o armazenamento local de dados de usuários brasileiros de empresas como Facebook, Twitter, Yahoo!, Google e outras ligadas à internet.
De acordo com o Canal Tech, a Renesys, representante oficial da Google confirmou o desligamento dos serviços, mas não disse a real causa:
“Atualmente, as consultas ao Google DNS vindas do Brasil (e talvez alguns outros países da América Latina) estão sendo tratadas em servidores nos EUA. Consequentemente, vocês podem estar enfrentando respostas mais lentas do que antes. Lamentamos o transtorno e estamos trabalhando para recomeçar os serviços no Brasil em um futuro próximo.”
Para a Renesys, "parece apenas prudente que, ao saber da nova lei de privacidade no Brasil, o Google tenha começado o processo de descontinuidade de seus serviços no país, aguardando uma revisão da legislação". E completa: "Se o Google deixar o Brasil, como fez na China, poderá optar por investir em infraestrutura em outros países com leis mais a seu gosto. Esse desenvolvimento pode induzir a competição local, talvez com encorajamento do governo, como se viu no Baidu chinês e no Yandex russo. Não é necessariamente uma coisa ruim para o Brasil ou para a região como um todo, no longo prazo."
O DNS público do Google pode ser usado por pequenos provedores de internet no Brasil e por usuários comuns. Segundo a Abrint (Associação Brasileira de provedores de internet e telecomunicações), a mudança não prejudicará pequenos provedores de internet, uma vez que parte dos pequenos provedores locais tem seu próprio DNS.
O que é o serviço?
O DNS representa a “resolução” de um endereço de protocolo de internet, o conhecido endereço de IP (Internet Protocol, em inglês). Quando o usuário acessa um site, por trás dele há um endereço de IP (por exemplo, 74.125.131.99) que é convertido para um DNS fornecido pelo provedor de acesso à web. Boa parte dos usuários usa serviços de DNS do próprio provedor ou de outras empresas, e não necessariamente do Google, o que é opcional. Por isso, apenas os usuários que usam o serviço da empresa (oferecido desde 2009) sentiram os efeitos da mudança.