O Gartner divulgou suas principais previsões estratégicas para 2027 e os anos seguintes, organizadas em três eixos: Robôs em Todos os Lugares, Do Custo ao Valor e Fatores Desconhecidos. Segundo Daryl Plummer, vice-presidente analista emérito e Gartner Fellow, a inteligência artificial deve transformar, ao longo da próxima década, sistemas hoje considerados consolidados, como serviços públicos, software, energia e modelos de força de trabalho. Para ele, se destacarão as organizações capazes de equilibrar inovação e responsabilidade, preparando-se tanto para as oportunidades quanto para as consequências não intencionais da tecnologia.
Entre as projeções, a consultoria estima que, até o fim de 2030, mais de 10 bilhões de agentes autônomos criados por pessoas, empresas e governos sobrecarregarão os serviços públicos ao identificar oportunidades, verificar a elegibilidade e fazer solicitações em nome dos usuários. A recomendação aos governos é modernizar a infraestrutura digital e reforçar os mecanismos de verificação de identidade. No mesmo horizonte, 80% dos trabalhadores da linha de frente de empresas internacionais deverão contar com o apoio de sistemas de IA física, como robôs, drones e veículos autônomos.
O Gartner também alerta para um novo risco de cibersegurança: os ataques de exaustão de custos, em que agentes mal-intencionados provocam o uso excessivo de IA para elevar as despesas operacionais. A previsão é que 80% das organizações com IA voltada ao público sofram esse tipo de ataque até 2030, o que leva a consultoria a sugerir que o consumo de tokens passe a ser tratado como um indicador de segurança.
No desenvolvimento de software, a expectativa é que, até 2029, 80% das novas aplicações sejam intencionalmente descartáveis, usadas por menos de um ano, o que acarreta desafios de governança, conformidade e gestão de registros. Na área de energia, a consultoria projeta que, até 2030, US$ 10 trilhões em ativos energéticos corporativos transformarão empresas do Global 2000 em fornecedoras de energia para redes elétricas e data centers de IA, impulsionadas pela alta demanda por eletricidade.
Outra previsão indica que, até 2030, as seguradoras, e não os órgãos reguladores, passarão a orientar a governança de IA, por meio de critérios de subscrição para apólices de responsabilidade civil. Já até 2029, 25% das empresas do Global 500 deverão inovar continuamente com ofertas modulares baseadas em IA, tornando obsoleta a estratégia de apenas seguir os concorrentes.
A gestão financeira da tecnologia se manifesta em duas projeções. Até 2029, 60% das organizações que usam IA terão uma área dedicada a relacionar o custo total da tecnologia ao valor gerado. Até 2028, 60% das empresas do Global 500 incorporarão controles de FinOps baseados em IA durante a inferência, substituindo relatórios retrospectivos por otimização em tempo real e por métricas como custo por tarefa e eficiência de tokens.
Por fim, o Gartner prevê que, até 2030, 80% das empresas do Global 500 atribuirão contratualmente ao CIO ou ao CAIO a responsabilidade pela custódia de provas relacionadas às ações da IA, ampliando o papel dos líderes de tecnologia na responsabilização e na supervisão desses sistemas.
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