O Flamengo está modernizando sua plataforma de dados voltada ao futebol em parceria com a BlueShift e o Google Cloud. A iniciativa reúne, integra e organiza informações estratégicas do clube em uma estrutura mais eficiente e acessível, com o objetivo de facilitar a consulta e a análise dos dados pela comissão técnica.
Segundo as empresas, a solução amplia a capacidade do clube de cruzar informações e identificar padrões relevantes para o jogo, o que fornece subsídios para a definição de estratégias táticas, a análise de adversários e a preparação para diferentes cenários de confronto. A tecnologia também passa a embasar decisões tomadas durante as partidas, conectando dados ao planejamento esportivo.
Não é a primeira iniciativa do clube rubro-negro na nuvem. Em 2023, o Flamengo migrou para a oferta RISE with SAP para centralizar a gestão de seus sistemas corporativos.
Em 90 minutos de jogo, são gerados mais de 3 mil eventos, como passes, chutes e toques na bola. Converter esse volume em análises úteis exige uma infraestrutura capaz de processar dados com qualidade, precisão e agilidade, de modo que a comissão técnica tenha elementos para avaliar o desempenho e orientar suas decisões.
Para atender a essa demanda, a BlueShift separou os fluxos de registro e de análise de dados e centralizou o ambiente analítico do clube no BigQuery, serviço do Google Cloud.
O projeto também incluiu a construção de uma arquitetura lakehouse, modelo que combina armazenamento e análise de grandes volumes de dados em um ambiente integrado. No caso do Flamengo, a estrutura reúne estatísticas das partidas e informações sobre o desempenho dos atletas, o que facilita a comparação de indicadores, o acompanhamento da evolução dos jogadores e a identificação de padrões individuais e coletivos.
Os dados são organizados em diferentes camadas, dos registros originais às informações tratadas e prontas para consulta. De acordo com a BlueShift, a solução foi concebida considerando as ferramentas e competências já utilizadas pela equipe de análise, a fim de favorecer sua adoção na rotina dos profissionais.
Esteban Huerta, especialista em Google Cloud na BlueShift, afirma que o diferencial do projeto não está apenas em reunir grandes volumes de dados, mas em transformá-los em informações que apoiem decisões mais assertivas. Segundo ele, a iniciativa mostra como a tecnologia pode conectar dados às necessidades do futebol, e a mesma abordagem pode ser aplicada a empresas de outros setores que buscam usar seus dados de forma mais inteligente para aprimorar processos e atingir seus objetivos.
Como o futebol é dinâmico e envolve variáveis difíceis de prever, a análise estatística ajuda a comissão técnica a definir estratégias específicas para cada confronto, buscando reduzir riscos e potencializar os pontos fortes da equipe. Para apoiar esse trabalho, a plataforma oferece ambientes seguros nos quais os analistas podem explorar as informações disponíveis, com controle de recursos e custos.
A arquitetura também prepara o clube para incorporar, futuramente, aplicações de inteligência artificial capazes de combinar estatísticas, imagens e outros tipos de informação por meio do Vertex AI, plataforma do Google Cloud. Segundo as empresas, essa evolução poderá ampliar as possibilidades de análise sem exigir a reconstrução da estrutura de dados já implementada.
Huerta acrescenta que, em um cenário em que cada confronto apresenta desafios distintos, a capacidade de adaptar as análises às necessidades do jogo é determinante. De acordo com o executivo, o papel da BlueShift é construir uma base tecnológica que acompanhe essa evolução e ofereça flexibilidade para que o Flamengo explore novas possibilidades analíticas e incorpore ferramentas mais avançadas, como a inteligência artificial, sem precisar recomeçar sua estrutura a cada nova demanda.
O projeto ocorre em meio à ampliação da infraestrutura do Google Cloud no país. Em setembro, durante o Google Cloud Summit Brasil 2026, a companhia anunciou que vai dobrar sua capacidade de computação no Brasil até 2030. Atualmente, a empresa opera duas regiões de nuvem no país, cada uma com três data centers, totalizando seis instalações.
Em março, veio a público que o Google desenvolve um novo data center em Cajamar (SP), em projeto conduzido pela Ada Infrastructure. No ano anterior, a empresa já havia anunciado a expansão da região de São Paulo para receber TPUs, unidades de processamento dedicadas a cargas de trabalho de inteligência artificial.
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