A Finep decidiu investir conhecimento e recursos financeiros, via participação no capital de empresas inovadoras de base tecnológica, em estágio inicial, com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões. Essa é a primeira ação dentro de um conjunto de iniciativas voltadas para empresas iniciantes que a Finep pretende lançar nos próximos anos, ampliando o apoio que a financiadora tem dado às startups através dos Fundos de Investimento em Participações (FIPs).
Uma das novidades é que o investimento vai se dar por meio de contrato de opção de compra de ações e pode chegar a R$ 1 milhão, baseado no plano de negócios da startup. Esse tipo de contrato transforma a investidora em uma potencial acionista da empresa. A opção da Finep de se tornar ou não sócia da startup terá prazo total de vencimento de até três anos, podendo ser prorrogado por mais dois. Se a empresa for bem sucedida, a Finep pode exercer essa opção, se a empresa fracassar, a Finep não arca com o passivo, o que garante maior segurança.
Segundo a Finep, empresas de base tecnológica nesse estágio possuem grande dificuldade para financiar seu desenvolvimento, principalmente em função da ausência de garantias e geração de caixa. É comum ver empresas que tiveram apoio inicial em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) acabarem com o projeto na gaveta por falta de recursos. O principal objetivo do Finep Startup é justamente alavancar empresas que estejam em fase final de desenvolvimento do produto para colocar no mercado, ou que precisem ganhar escala de produção, já que hoje existe um espaço a ser ocupado entre o primeiro investimento que uma empresa recebe dos chamados investidores anjo, em uma fase inicial, e aquele feito por meio dos FIPs – que se dividem em três tipos de fundos, dependendo do desenvolvimento da empresa: Seed Capital, Venture Capital e Private Equity.
"Ainda não existia instrumento adequado para esse momento da startup”, frisa o presidente da Finep, Luis Fernandes.
Ao priorizar esse tipo de investimento, pretende-se otimizar os recursos aplicados, diminuindo o risco e aumentando a possibilidade de retorno para a sociedade. Essa iniciativa não pretende competir com os fundos, ao contrário, deseja levar as empresas a um estágio onde o acesso a esses canais seja viável.
"Essa ação preenche uma lacuna. Sem esse apoio, as startups acabam sem condições de crescer no momento oportuno e, ao mesmo tempo, não se tornam atrativas a outros tipos de investimento, o que pode fadar o negócio ao fracasso", disse a presidente da Anprotec, Francilene Garcia.
O primeiro edital do Finep Startup será lançado em novembro. A previsão é de que seja lançado mais um edital em 2016 e dois em 2017. Cada edital terá valor de R$ 20 milhões, totalizando R$ 80 milhões. A expectativa é que o apoio seja concentrado nas tecnologias e setores prioritários da Política Operacional da Finep, como tecnologias da informação e comunicação (TIC), complexo da saúde, defesa, energia, aeroespacial, tecnologias assistivas, biotecnologia, nanotecnologia e novos materiais. A empresa que se enquadrar nos critérios do edital pode participar da seleção independente da área de atuação. Quem for selecionado poderá receber um novo aporte de até R$ 1 milhão, conforme a evolução do plano de negócios. Os fundos tradicionais investem em média de 10 a 15 empresas em quatro anos. Com o Finep Startup, a Finep pretende investir em 40 empresas até 2016.
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