A Inteligência Artificial já integra de forma decisiva as estratégias das empresas brasileiras, segundo o estudo “Estratégias Digitais em Alta Performance: os vetores tecnológicos impulsionados pela IA”, produzido pela IDC a pedido da ABES. A pesquisa aponta que 95% das organizações já utilizam IA em suas operações, enquanto os 5% restantes planejam adotá-la nos próximos 12 meses.

Apresentado em transmissão ao vivo no canal da ABES, o levantamento reuniu especialistas para discutir os impactos da tecnologia sobre a competitividade empresarial. O estudo, que entrevistou 107 líderes de TI de companhias com mais de 100 funcionários, indica que o foco das empresas deixou de ser a adoção da IA e passou a ser sua integração segura, escalável e orientada a resultados. Nesse contexto, a computação em nuvem, os data centers, a governança de dados e a cibersegurança tornam-se pilares estruturais para o uso eficiente da tecnologia.

Para a ABES, a IA passou a organizar as decisões tecnológicas e a marcar uma nova fase da transformação digital, na qual inovação, infraestrutura, dados e segurança atuam de forma integrada.

O estudo também mostra avanço acelerado da Inteligência Artificial Generativa: 86% das empresas já a utilizam, percentual que chega a 98% ao considerar quem pretende adotá-la em até um ano. Além disso, 69% das organizações já superaram a fase de testes e possuem investimentos estruturados em IA Generativa para os próximos 18 meses, incluindo treinamento, aquisição de software e contratação de serviços especializados.

A pesquisa da IDC mostra que a expansão da Inteligência Artificial está diretamente ligada ao aumento dos investimentos em tecnologia. 86% das empresas pretendem ampliar seus orçamentos de TI em 2026, enquanto apenas 0,9% planejam reduzir gastos. A IA surge como o principal tema estratégico nas áreas de tecnologia, à frente de segurança, nuvem, analytics e automação.

Segundo a IDC, a IA deixou de ser experimental e passou a ocupar posição central nas estratégias corporativas, com foco em ganhos de produtividade, inovação e competitividade. Apesar do avanço, o estudo aponta desafios: somente 48% das empresas dizem ter dados bem estruturados e governados; 49% trabalham com dados parcialmente estruturados; e 3% consideram a gestão de dados um gargalo relevante. A qualidade da infraestrutura digital e da governança passa a ser decisiva para escalar projetos de IA.

O levantamento também indica uma mudança nas prioridades de investimento. Para 2026, os principais fatores que influenciarão as decisões de tecnologia serão: produtividade (43%), experiência do cliente (35%), concorrência (34%) e novos produtos e serviços (33%). A redução de custos aparece apenas na décima posição, com 13%, o que indica que a IA é vista sobretudo como um motor de crescimento.

O estudo reforça ainda o protagonismo brasileiro no setor: o mercado de TI corporativa no país deve crescer, em média, 12,3% ao ano entre 2024 e 2028, ritmo superior ao de quase todos os grandes mercados globais, atrás apenas da China. Para a ABES, a competitividade das empresas dependerá cada vez mais da capacidade de usar a IA de forma estratégica, com governança, segurança e qualificação profissional.