A matriz elétrica brasileira registrou forte expansão em janeiro, impulsionada principalmente pela entrada em operação de novas usinas solares fotovoltaicas, informa o site Canal Energia. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) mostram que a fonte solar respondeu pela maior parte da capacidade adicionada no período, consolidando a tendência de crescimento acelerado das renováveis no país.

Segundo a agência, 13 empreendimentos iniciaram operação comercial no mês, totalizando 543 MW de potência adicional. Desse volume, 509 MW vieram de 11 usinas solares fotovoltaicas, o que equivale a mais de 93% da expansão registrada no período. Também entraram em operação uma usina termelétrica de 20 MW e uma pequena central hidrelétrica de 14 MW.

Os novos projetos solares concentram-se principalmente em Minas Gerais, que respondeu por 409 MW, distribuídos em nove usinas. Bahia, Pará e Paraná também receberam empreendimentos, reforçando a presença da fonte em diferentes regiões do país.

A expansão confirma o papel estratégico da energia solar na diversificação do parque gerador brasileiro. A queda nos custos tecnológicos, a competitividade crescente nos leilões e o aumento do número de projetos em desenvolvimento têm sustentado o protagonismo da fonte. Em 2025, a solar já havia liderado as adições de capacidade, e a tendência se mantém em 2026, segundo a ANEEL.

Além de ampliar a oferta de energia limpa, o avanço da geração fotovoltaica contribui para reduzir a dependência histórica da matriz em relação às hidrelétricas, aumentando a segurança energética e diminuindo a exposição a períodos de escassez hídrica. Para agentes do setor, a continuidade desse ritmo de expansão depende da manutenção de condições favoráveis de financiamento, da disponibilidade de infraestrutura de transmissão e da estabilidade regulatória para novos investimentos.

Recentemente, a Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou projeções indicando que a demanda global por eletricidade deve crescer aceleradamente até 2030. De acordo com relatório divulgado pela entidade, o consumo mundial de energia elétrica deve crescer mais de 3,5% ao ano ao longo da década, ritmo superior ao observado nos últimos dez anos e pelo menos 2,5 vezes maior do que o crescimento previsto para a demanda total de energia.

O estudo aponta que o aumento será impulsionado por fatores como a digitalização, a expansão de data centers, o uso crescente de inteligência artificial, a maior demanda por climatização, a eletrificação de processos industriais e o avanço econômico de países emergentes. A AIE observa, ainda, que, após um período prolongado de estagnação, economias avançadas voltaram a registrar alta no consumo elétrico, contribuindo de forma relevante para a expansão prevista até o fim da década.