A corrida para construir data centers impulsionados pela inteligência artificial está acelerando em todo o mundo. Nas Américas, novos investimentos avançam rapidamente, mas um fator vem se tornando decisivo para o sucesso desses projetos: a disponibilidade de energia elétrica.

A expansão do setor não depende apenas da construção de novas instalações. Ela exige sistemas eletroenergéticos capazes de atender a uma demanda crescente com confiabilidade, flexibilidade, sustentabilidade e rapidez. Quando essa infraestrutura não acompanha o ritmo dos projetos, surge o risco da chamada "velocidade sem energia", situação em que empreendimentos avançam em licenciamento e construção, mas não conseguem garantir suprimento de energia elétrica suficiente para entrar em operação.

Nos Estados Unidos, o maior mercado de data centers do mundo, filas de interconexão, restrições na transmissão e longos processos de licenciamento já afetam o cronograma de novos empreendimentos. No México, embora haja potencial para a expansão das energias renováveis e acesso competitivo ao gás natural, o ritmo de construção dos data centers supera a expansão da infraestrutura elétrica, tornando as soluções de geração local cada vez mais relevantes.

No Brasil, o gargalo mais imediato está na capacidade de transmissão para atender aos polos regionais de demanda. A carga contratada de data centers cresce rapidamente: em apenas três meses, sua projeção para 2030 na rede de transmissão foi revisada de 18,9 TWh para 30,3 TWh por ano — um aumento de 60%, refletindo o salto no número de contratos de conexão assinados, de 8 para 22. A esse crescimento soma-se o componente locacional: a carteira de projetos concentra-se no entorno dos grandes centros de carga, justamente onde as margens de escoamento e atendimento da rede são mais estreitas. Como os reforços de transmissão seguem ciclos de planejamento centralizado e leilões regulados, sua entrega não acompanha necessariamente o cronograma dos empreendimentos. Assim, a oferta abundante de energia renovável — frequentemente apontada como diferencial do país na atração de data centers — não elimina, por si só, o gargalo: dispor de energia em escala nacional não garante capacidade de entrega nas regiões onde essa carteira avança.

No Chile, a crescente concentração de hyperscalers na região de Santiago pressiona corredores estratégicos de transmissão, especialmente no eixo Lampa–Quilicura. Embora o país ofereça condições atrativas para a contratação de energia renovável, a saturação da rede e a necessidade de capacidade firme podem impactar diretamente os prazos e a confiabilidade dos novos projetos. O cenário chileno reforça um desafio observado em diferentes mercados da região: integrar grandes volumes de energia renovável sem comprometer a segurança do sistema.

Diante desse contexto, o white paper da Wärtsilä, Além da Rede Elétrica: Construindo o Sistema de Energia para IA nas Américas, aborda diretamente esse descompasso: como viabilizar projetos de data centers cujos cronogramas de construção são mais curtos que os prazos de expansão da rede elétrica. A resposta passa pela geração co-localizada, implantada em fases junto à carga, que reduz o tempo necessário para assegurar o suprimento. Nessa evolução, o estudo apresenta o conceito de macrorredes: sistemas total ou parcialmente isolados, com carga de pico superior a 100 MW, que combinam geração flexível e armazenamento no próprio local. Concebidas como ponte para a integração à rede, podem iniciar a operação de forma independente e, com o tempo, interconectar-se ao sistema - conciliando velocidade no curto prazo com segurança energética no longo prazo.

Nas Américas, a próxima fase do suprimento aos data centers tende a combinar fornecimento pela rede, energia renovável contratada, armazenamento, gestão flexível de carga e, em diversos casos, geração co-localizada. À medida que a IA eleva a escala e a densidade elétrica dessas instalações, energia disponível, confiável e flexível será um dos fatores determinantes para viabilizar sua expansão na região.

O white paper completo reúne análises sobre Estados Unidos, México, Brasil, Chile e Argentina, além de recomendações para desenvolvedores de data centers, governos e reguladores, operadores e clientes.

Baixe o estudo completo aqui: https://wartsi.ly/4yy4LoO