A Eletrobras tem planos para implementar um data center próprio na região de Campinas, em São Paulo, informa a BNamericas. Essa seria a primeira iniciativa do tipo por parte da companhia, considerada o maior grupo de geração e distribuição de energia elétrica do país. O projeto encontra-se na etapa inicial de documentação junto ao Ministério de Minas e Energia (MME), o que representa o primeiro passo antes do início da análise ministerial. A empresa não se manifestou até o momento da publicação.
A Eletrobras conta com uma extensa rede de transmissão de energia que cobre todo o território nacional, incluindo a região de Campinas, considerada o segundo maior centro metropolitano do estado de São Paulo.
Na mesma cidade, a Ascenty planeja estabelecer uma nova unidade — Campinas foi o local de inauguração do primeiro data center da empresa, em 2012 — em um processo que aguarda avaliação de conexão à rede pelo Ministério de Minas e Energia (MME).
A Aurea Finvest está em tratativas para aquisição de um terreno na região com capacidade superior a 350 MW e a holding Chateau Chambord Empreendimentos e Participações também está desenvolvendo um data center em Campinas, como parte do projeto do campus Pau D'Alho.
Nas cidades vizinhas de Hortolândia e Sumaré, a Microsoft está construindo dois data centers. Em Sumaré, a Odata também investe em uma nova instalação. Já a Scala mantém operação de um data center em Campinas desde 2021, com capacidade de tecnologia da informação de 7 MW.
A Eletrobras já vinha atuando no fornecimento de energia para data centers com alta demanda e grande capacidade, embora ainda não tivesse iniciado projetos próprios de desenvolvimento de infraestrutura desse tipo.
Um exemplo dessa atuação é o projeto Rio AI City, conduzido pela Elea Data Centers. A Eletrobras firmou um memorando de entendimentos com a empresa, a Prefeitura do Rio de Janeiro, a Finep e o BNDES, com o objetivo de assegurar a infraestrutura de rede e a disponibilidade energética para o mega campus.
A expectativa é que o projeto alcance 1,5 GW de capacidade até 2028 e 3,2 GW até 2032, nas fases seguintes, com investimentos estimados em até 65 bilhões de dólares (346 bilhões de reais). A primeira etapa está prevista para 2026.
Além disso, por meio da subsidiária CGT Eletrosul, a Eletrobras também está envolvida no projeto Scala AI City, localizado em Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul.
Durante o Fórum de Líderes Energéticos Brasileiros – Energia Elétrica, realizado em abril desse ano, o vice-presidente da Eletrobras, Elio Wolff, destacou que a companhia possui condições favoráveis para atuar como fornecedora de serviços voltados a data centers em escala global.
Segundo Wolff, a empresa dispõe de uma rede de transmissão que cobre todo o território nacional e possui conhecimento técnico sobre os locais mais adequados para a instalação desses centros. Ele acrescentou que a Eletrobras tem capacidade para viabilizar a conexão dos data centers ao sistema elétrico.
Projetado para atender cargas de trabalho intensivas em inteligência artificial (IA), o empreendimento conta com racks que suportam mais de 150 kW, envolvendo um investimento inicial de 500 milhões de dólares (2,6 bilhões de reais) e capacidade de 54 MW.
Segundo estimativas preliminares da Scala, o projeto poderá receber até 90 bilhões de dólares (479 bilhões de reais) em investimentos diretos ao longo de suas fases de expansão, podendo alcançar 4,75 GW de capacidade instalada.
Atualmente, a Eletrobras opera 82 usinas, totalizando 44,4 GW de capacidade instalada, o que corresponde a aproximadamente 21% da geração de energia elétrica no Brasil. A companhia também administra 74 mil quilômetros de linhas de transmissão, equivalentes a 37% do Sistema Interligado Nacional (SIN).
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