O aumento exponencial de dispositivos conectados e conteúdos audiovisuais acessíveis sob demanda; também a proliferação da Internet das Coisas, exigem cada vez mais uma infraestrutura de data center distribuída, formada por nós da Edge Computing, tecnologia que permite o processamento mais perto da origem dos dados e, portanto, oferece uma melhor conectividade e menor latência. Tudo isso faz com que a Edge Computing se perfile como uma tendência imparável e promissora; embora esteja em fase inicial, com muitas questões a serem resolvidas. Para respondê-las, a DCD organizou um webinar, que contou com vários especialistas, entre eles, Hugo Zanon, diretor da HZJ Consulting LLC, com quem conduzimos esta entrevista.
 
DatacenterDynamics: As soluções de Edge Data Center irão passar por otimizações ainda em 2018?
 
Hugo Zanon: Os Edge Data Centers são lugares onde se deve instalar recursos de processamento e de memória para atender às necessidades de empresas de TI ou fornecer conteúdo e/ou serviços de nuvem, no caso de provedores de serviços. Se considerarmos que existem diferentes camadas para que Edge Data Centers decolem (metropolitano e sem fio), podemos dizer que os primeiros já estão em operação, seja por corporações (on-premise) ou por empresas como a EdgeconneX, Flexential (ex Peak 10), Cologix e a 365DataCenters, que têm seus sites instalados em cidades pequenas, o que ajuda a reduzir as latências de aplicativos específicos. Já empresas como a Digital Bridge, EdgeMicro e a Towers Co. (por exemplo, Crown Castle) estão iniciando seus testes para a Edge Wireless e realizar uma futura interconexão com redes 5G, em pontos com alta densidade populacional.
 
DCD: A Edge Computing, intimamente relacionada à IoT ou à alta demanda atual por vídeo em dispositivos móveis, permite o processamento mais próximo da origem da fonte de dados. Sendo assim, fica a pergunta: os operadores de telecomunicações estão preparados para esse salto de conectividade?
 
H. Z.: Correto. O data center em proximidade marca a convergência física e lógica entre as telecomunicações (operadoras fixas e móveis) e a TI (plataformas de nuvem e provedores de conteúdo). Os gateways IoT devem ser instalados nos Edge Data Centers, capturando as informações dos sensores, processando localmente, enviando apenas os logs para os data centers centralizados. Para vídeos, a intenção é trazer conteúdo, como YouTube e Netflix para EDC, seja metropolitano ou sem fio, oferecendo aos clientes móveis a melhor experiência possível (menor latência para esses arquivos e definição da mais alta qualidade possível). Observe que ao armazenar o conteúdo, haverá uma redução no custo de transmissão devido ao uso dos backbones.
 
DCD: A tecnologia 5G exigirá a criação de mais data centers ao lado de torres 5G? Qual será o papel dessas instalações?
 
H. Z.: Não é a tecnologia 5G que exigirá o aumento da implantação de Micro Data Centers, mas sim os aplicativos que só funcionam com processamento local, garantindo latências de um ou alguns milissegundos.
 
DCD: As operadoras já vêm implantando torres 5G? 
 
H. Z.: Na América Latina ainda não. A Verizon, nos EUA, por exemplo, começou a testar no ano passado e, este ano, aproveitou o patrocínio do SuperBowl para realizar outro teste importante, com previsão de lançamento do serviço 5G até o final deste ano. 
O interesse é grande; há uma corrida para ver o que acontece porque as velocidades são muito mais altas e a qualidade muito maior.
 
DCD: Quais serão os operadores de Edge Data Center? Quem pagará a conta por essa nova infraestrutura?
 
H. Z.: Perguntas muito boas. Vamos começar pelas corporações: elas devem operar seus Micro Data Centers on-premise na maioria das vezes (um ou alguns gabinetes) e, de acordo com a necessidade de seus aplicativos, também podem contratar serviços de Colocation, Nuvem Pública e/ou CDN junto a provedores de serviços. A chave está na localização dessas plataformas, que dependerão dos requisitos de latência. Aqui entram os provedores de Edge Data Centers para baixas latências, com seus sites em cidades secundárias e nas bases das torres. Os primeiros devem ser empresas com experiência em data centers, mas com um modelo de negócio diferente do tradicional (sites menores e geograficamente dispersos).
 
No caso dos Edge Wireless, espera-se que eles sejam gerenciados pelas empresas que controlam o terreno onde as torres estão localizadas, conhecidas como Tower Co's. Essas empresas não têm experiência em comercializar serviços de co-localização e precisarão se associar a especialistas desta área. Tudo isso ainda está sendo consolidado e não há uma resposta definitiva. Essa infraestrutura será paga pelos usuários dos novos aplicativos, mas as operadoras móveis e provedores de serviços (nuvem, conteúdo e colocation) devem fazer seus estudos para que suas taxas não acabem tornando o ecossistema inatingível como um todo.